O consumo mundial de calçado deverá aumentar 2,8% este ano, após a queda de mais de 20% em 2020, com maior dinamismo no continente americano e uma evolução mais lenta na Europa, segundo um estudo divulgado esta segunda-feira.

De acordo com a última edição do “Business Conditions Survey”, realizado em março junto de 141 profissionais do setor, de mais de 42 países, “só em 2023 o setor deverá regressar à normalidade“, após a quebra resultante da crise pandémica.

A evolução do consumo de calçado esperada para este ano será “insuficiente para atenuar o forte impacto do setor” no último ano, sendo que, por área geográfica, previsivelmente aumentará 5,8% na América do Sul, 3,8% na América do Norte a apenas 2% em África e na Europa. Na Ásia, o crescimento do consumo estará na média global (2,8%). As conclusões do inquérito evidenciam que “a maioria dos entrevistados acredita que, nos próximos seis meses, o volume do calçado comercializado aumentará”, numa evolução otimista comparativamente às perspetivas anteriores.

Entre os especialistas inquiridos, mais da metade espera que os preços do calçado estabilizem e quase um terço antevê que possam aumentar já este ano. A “grande preocupação do setor” é, atualmente, a “procura insuficiente”, tanto no mercado doméstico (50% das respostas), como nos mercados internacionais (mencionado por 48% dos inquiridos). Também apontado é o aumento do custo das matérias-primas (41%), sendo que 44% dos inquiridos antevê ainda dificuldades financeiras nos próximos meses.

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Por segmentos de produto, o calçado desportivo deverá continuar a suscitar mais procura (77% dos especialistas antevê que possa crescer), em oposição aos modelos mais clássicos, seja no segmento feminino (apenas 16% prevê que possa crescer), como masculino (59% aponta mesmo para recuo).

Do ponto de vista do negócio, serão os canais online que continuarão a liderar o processo de comercialização: cerca de 80% dos especialistas mundiais acredita que as vendas ‘online’ aumentarão nos próximos três anos. Pelo contrário, as lojas próprias e as lojas multimarca deverão perder peso relativo, com 45% e 19% dos inquiridos, respetivamente, a acreditarem que vão reduzir a relevância nos próximos três anos.

Num comentário a estes novos dados, o presidente da Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e Seus Sucedâneos (APICCAPS) considera que “dão algum alento”, mas são também “um indicador claro que a recuperação será mais lenta” do que o desejado.

Citado num comunicado, Luís Onofre considera ainda que “as conclusões deste estudo reforçam o acerto estratégico de várias opções do setor do calçado: a procura de novos mercados, a aposta em produtos sustentáveis e a valorização dos produtos portugueses, nomeadamente nos canais ‘online'”.