Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Carlos Tavares, o gestor português que lidera a Stellantis, anunciou que as marcas do grupo não vão sentir dificuldades em cumprir, em 2021, o limite para as emissões de dióxido de carbono (CO2) imposto por Bruxelas. Garantiu mesmo que esse objectivo seria atingido sem o recurso à aquisição de créditos de carbono, estratégia que foi utilizada pela FCA para cumprir a meta em 2020, com a “ajuda” da Tesla.

Para disciplinar os construtores que comercializam os seus modelos em solo europeu, obrigando-os a reduzir as emissões de CO2, a Comissão Europeia estabeleceu limites apertados e, para evitar facilitismos, impôs igualmente um sistema de multas milionárias para quem ousasse não cumprir. O objectivo, pré-estabelecido em 2009, consistia em respeitar uma média para a gama de cada fabricante de 130g de CO2/km em 2015, para depois evoluir para os 95g em 2020.

A recém-formada Stellantis resultou da fusão de dois grupos, o francês PSA (que Carlos Tavares já dirigia) e o italo-americano FCA, para criar o 4º maior gigante da indústria automóvel mundial. Em 2020, ainda separados, ambas as empresas viram-se obrigadas a respeitar as normas impostas por Bruxelas, que a PSA e a FCA atingiram, mas de forma diferente. Os franceses avançaram com modelos híbridos plug-in e outros eléctricos, com base em plataformas que nasceram para receber motores de combustão, enquanto a FCA optou por uma solução de longo prazo, comprando o direito de emitir carbono à Tesla, de forma a ter mais tempo para conceber os seus híbridos plug-in e eléctricos suportados por plataformas específicas para modelos eléctricos.

As afirmações de Carlos Tavares ocorreram durante uma entrevista à publicação francesa “Le Point”, com o CEO da Stellantis a revelar que para 2021 não será necessário recorrer a outros construtores com emissões de CO2 reduzidas ou nulas.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR