Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

A polémica rebentou há semanas, após a publicação de um artigo do Los Angeles Times que revelava que a Hollywood Foreign Press Association — a associação de jornalistas responsável por organizar os Globos de Ouro — não conta com nenhum jornalista negro entre os seus membros, além de relatar casos de alegada falta de transparência e tráfico de influências na atribuição dos prémios. Agora, a NBC juntou-se ao coro de críticas e anunciou mesmo que não vai transmitir a cerimónia no próximo ano, ao contrário do costume.

Depois de o jornal norte-americano ter noticiado que entre os 87 membros da associação nenhum é negro, entre outros relatos sobre os apertados critérios para entrar naquele grupo, surgiu uma catadupa de declarações e denúncias de figuras de topo em Hollywood, de Scarlett Johansson — que acrescentou acusações de sexismo ao rol de críticas à associação — a Tom Cruise, que devolveu os seus Globos de Ouro. Esta segunda-feira, foi a vez de a NBC se afastar da organização do evento, neste caso deixando de assegurar a sua transmissão por pelo menos um ano.

“Continuamos a acreditar que a HFPA (na sigla americana) está comprometida com reformas significativas. Mas mudanças desta magnitude levam tempo e trabalho, e sentimos de forma veemente que a HFPA precisa de tempo para o fazer bem. Por isso, a NBC não vai transmitir a edição de 2022. Assumindo que a organização executa o seu plano, temos esperança de que possamos voltar a transmitir a cerimónia em janeiro de 2023”, pode ler-se no comunicado do canal de televisão citado pela imprensa norte-americana.

Depois das primeiras notícias, e até no decorrer da própria cerimónia deste ano, membros da HFPA vieram a público prometer que construiriam um plano para resolver os problemas apontados. No entanto, o tal plano, aprovado pela maioria da direção da associação no dia 6 de maio, não calou os críticos, tendo tanto a Netflix como a Amazon Studios anunciado que não trabalhariam de novo com a associação até haver mudanças mais profundas na questão da diversidade e dos critérios para os prémios, como conta a Vulture.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

O plano da HFPA inclui a demissão da atual direção e a contratação de um novo CEO, um responsável pelos temas da diversidade e igualdade dentro da nova equipa, um novo código de conduta, um aumento do número de membros (20 no próximo ano e o dobro em 18 meses) e uma linha para reportar violações das novas regras, assim como mais transparência na divulgação dos jornalistas que fazem parte da associação e dos seus trabalhos.

Esta segunda-feira, e como cita a Deadline, já depois do anúncio da NBC, a HFPA veio reafirmar o seu compromisso com o plano e estabelecer um calendário com metas para a sua implementação, prevendo que o processo de entrada da nova direção e dos novos membros esteja concluído no início de agosto.