Em período de redefinição da estratégia de competição, a Audi confirmou o que já se sabia, ou seja, que vai abandonar a Fórmula E no final da corrente época de 2020-2021. Esta disciplina disputada com fórmulas animados por motores eléctricos, alimentados por bateria, não tem conseguido motivar a totalidade das marcas – a BMW também vai sair –, nem de espectadores, com estes abandonos a terem lugar no preciso ano em que FIA faz mais um forcing para a sua aceitação internacional, ao promovê-la ao estatuto de campeonato mundial.

Contudo, este virar de costas da Audi à competição com veículos eléctricos não é total. A partir de 2022, o construtor alemão vai participar no Rally Dakar para modelos eléctricos, mas com uma pequena ajuda de combustíveis fósseis. O modelo que vai ser utilizado será o RS Q e-tron, uma espécie de buggy 4×4 com motores eléctricos alimentados por bateria.

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O RS Q e-tron tem um aspecto agressivo e atraente, montando em cada um dos eixos uma unidade eléctrica similar à que era utilizada no Audi e-tron FE07, o Fórmula E que a marca alemã ainda usa nesta competição. A alimentar os dois motores está uma bateria com apenas 50 kWh, uma capacidade que mal conseguirá garantir 200 km em ritmo de passeio, face à aerodinâmica e tipo de pneus do veículo, valor que cairá para 50 ou 100 km em competição.

A bateria, com uma capacidade similar à utilizada pelo Renault Zoe ou o Peugeot e-208, é inferior ao que seria desejável em termos de autonomia, apenas porque o objectivo é conter o peso do RS Q e-tron, dado que o pack com 50 kWh de capacidade regista apenas 370 kg. Tudo para que o peso total do buggy não ultrapasse a fasquia das duas toneladas.

Os dois motores eléctricos asseguram 680 cv, mas não são os únicos a bordo. Há um terceiro, um 2.0 TFSI sobrealimentado a gasolina, cuja função é actuar como gerador de corrente, de forma a recarregar a bateria, agindo como um extensor de autonomia, tradicionalmente denominado REX (de range extender).

A Audi não revela a potência desta unidade a gasolina, que é similar à montada no Audi S3 com 310 cv, mas avança que o buggy transporta 295 litros de combustível, com os técnicos alemães a reclamarem para o RS Q e-tron, que assim funcionará como híbrido, uma média de 200 g de CO2/km. Este valor é ligeiramente superior ao homologado para o S3 (183 g de CO2), embora o fabricante alegue que o 2.0 TFSI funciona numa gama de rotações em que é mais eficiente, algures entre 4500 e as 6000 rpm, bem acima do regime de binário máximo, que no S3 se situa entre as 2000 e as 5400 rpm.

As imagens mostram o RS Q e-tron a rodar em terra, num piso em razoável estado de conservação, deixando no ar a sensação de ainda necessitar de muito trabalho de desenvolvimento. O buggy parece ter pouco curso de suspensão e uma má regulação amortecedor/mola, pela forma como parece cavalgar quando desafiado a digerir um conjunto de pequenas ondulações. Mas com a capacidade dos engenheiros da Audi e a perícia de Carlos Sainz não será difícil de superar.