Emma Raducanu ganhou o US Open no passado sábado, tornando-se a primeira qualifier de sempre a ganhar um Grand Slam e chegando ao topo do ténis mundial com apenas 18 anos. Logo no dia seguinte, não houve tempo para descansar e arrancou o percurso habitual: entrevistas, presenças nos programas da manhã dos Estados Unidos e a repetição natural do “ainda não acredito que é verdade”. Pelo meio, passou pela Times Square e esbarrou num ecrã gigante em que aparecia a sorrir, de olhos fechados, no instante seguinte a ganhar em Flushing Meadows.

Qualquer um ficaria deslumbrado. Mas Emma Raducanu, a britânica que entre o ténis consegue arranjar tempo para continuar a ter 20 a matemática e economia, não fica facilmente deslumbrada. “Desde muito nova que fui educada no sentido de ter bastante força mental. Os meus pais tiveram um papel muito grande na minha educação. Eram bastante duros comigo quando era mais nova e isso acabou por moldar o meu caminho. Tudo isso, agora e nos maiores palcos do mundo, ajuda-me bastante quando preciso. São os meus maiores críticos e é muito difícil agradar-lhes mas agora apanhei-os com isto, não conseguem resistir. Foi muito bom falar com eles depois de ganhar. Estavam muito felizes e orgulhosos”, contou a tenista no programa “Good Morning America”, reforçando que o facto de o pai ser romeno e de a mãe ser chinesa também teve muita influência na forma como cresceu.

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Raducanu, a primeira britânica a ganhar um Grand Slam em 44 anos, recebeu uma carta da Rainha Isabel II e viu personalidades como David Beckham ou Lewis Hamilton comentarem a publicação que fez nas redes sociais com o troféu do US Open. A tenista disse estar “honrada” com a mensagem da Rainha e revelou que vai emoldurar a carta e colocá-la na parede do quarto.

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“Ainda não vi o resto das mensagens que recebi. Tenho estado só mesmo a tentar aproveitar o momento. Na noite da final fiquei só com a minha equipa e tivemos um serão muito bom, a refletir. Passou tudo tão depressa. Estávamos a levar tudo dia a dia e de repente passaram três semanas sem que tivéssemos dado por isso. Conseguimos refletir e partilhar algumas histórias e foi uma noite muito agradável com toda a gente”, atirou a britânica. Com a vitória no US Open, Emma Raducanu garantiu um prize money de 1,8 milhões de libras — mas a única coisa que a tenista quer comprar de imediato é um novo par de headphones para substituir o que perdeu no balneário nas primeiras rondas do torneio norte-americano.

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A atleta, que vive em Londres mas nasceu no Canadá, subiu 127 lugares no ranking WTA nas últimas duas semanas e está atualmente na 23.ª posição, para além de que lidera a classificação britânica. No “Good Morning America”, Raducanu recordou ainda a desistência de Wimbledon, já esta temporada, quando abandonou a partida da quarta ronda contra Ajla Tomljanovic devido a dificuldades respiratórias. “Acabei por perceber que foi mesmo um problema físico. Para ganhar um Grand Slam também é preciso ter muita força mental e acho que a minha resiliência acaba por falar por si. Mas precisava de passar por tudo aquilo para ganhar um Grand Slam. Fisicamente, ainda tenho muito trabalho para fazer porque ainda sou nova no jogo e não tive tempo para me desenvolver realmente. Mas acho que nas últimas quatro ou cinco semanas, de forma natural e com cada jogo e torneio que disputei, acabei por melhorar um pouco a minha resistência”, terminou.