Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Nos EUA, sempre que há um acidente grave, uma equipa da National Transportation Safety Board (NTSB) analisa tudo ao pormenor, para determinar se há uma deficiência no veículo interveniente que possa colocar em causa a segurança dos seus utilizadores. A tendência para analisar tudo à lupa aumentou com a chegada dos sistemas mais sofisticados de ajuda à condução, como o Autopilot da Tesla, que a NTSB faz questão de garantir que serve para incrementar a segurança e não a insegurança.

Em Abril deste ano, foi notícia um caso ocorrido na Califórnia, que levou à morte do condutor de 75 anos e da sua mulher, provocando ainda cinco feridos. O casal de idosos seguia no seu Tesla Model 3, que terá tocado diversas vezes num monovolume numa auto-estrada da região, antes de embater com violência numa pick-up, para de seguida começar a arder.

Por se suspeitar que o Model 3 seguia em Autopilot, a NTSB chamou a si a responsabilidade da investigação, tendo agora revelado as suas conclusões, que se tornaram públicas através da Automotive News. É um facto que o condutor seguia com o Autopilot ligado, atrás do monovolume e a 68 mph, cerca de 109 km/h. Subitamente, quem ia ao volante pressionou o acelerador até chegar aos 116 km/h, fazendo disparar o sistema de travagem automática do Tesla, que detectou a aproximação do veículo que seguia à sua frente.

O incidente deveria ter ficado por aqui, não fosse o condutor aplicar 95% de pressão sobre o pedal do acelerador, sobrepondo-se ao Autopilot. Embateu no monovolume, antes de abandonar a auto-estrada, e continuou a aumentar a velocidade até aos 183 km/h. Acabaria por embater na pick-up a 177 km/h, do que resultou um incêndio e a morte do condutor e passageiro do Model 3.

Face ao ocorrido, a NTSB deu a investigação por terminada, concluindo que não havia matéria para acusar o veículo ou o sistema de ajuda à condução Autopilot de avaria ou mau funcionamento.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR