A Câmara de Lisboa aprovou hoje António Lamas como presidente do conselho de administração da empresa municipal Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU), substituindo no cargo Inês Ucha, que saiu de funções no final de novembro.

De acordo com fonte da autarquia, o nome de António Lamas foi aprovado através de votação secreta numa reunião privada da Câmara de Lisboa, que se realizou esta quinta-feira de manhã, com sete votos a favor, cinco abstenções e cinco contra.

Os vereadores aprovaram ainda Gonçalo Costa para vogal do conselho de administração da SRU com sete votos a favor, seis abstenções e quatro contra, e a vereadora Filipa Roseta como administradora não executiva.

Na reunião, foi ainda aprovado Fernando Moutinho para diretor municipal da Higiene Urbana, com sete votos a favor, nove abstenções e um contra.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), classificou este novo conselho de administração como “de excelência” e adiantou que a aposta para os próximos anos passa pela reabilitação urbana. “É uma equipa que eu penso que é de excelência. Vamos ter aqui uma equipa de excelência a comandar uma empresa que é muito importante para a cidade”, frisou o autarca.

Carlos Moedas disse à Lusa que o objetivo é “continuar projetos que estão em curso, mas conseguir ir para um novo nível, um nível que está muito mais focalizado na reabilitação, por exemplo, do que na construção nova”.

Isso serão orientações políticas, mas vai ser agora, juntamente com este conselho de administração e com as vereadoras Joana Almeida (Urbanismo e Reabilitação Urbana) e Filipa Roseta (Habitação), que vamos dar essas orientações para podermos desenhar aqueles que vão ser os próximos anos, afirmou.

Relativamente a António Lamas, o presidente da autarquia lisboeta assumiu que foi uma escolha sua, com a qual pretendeu “dar um sinal de mudança”, um sinal de “credibilidade, transparência e de visão”.

Admitindo não ser fácil “encontrar alguém que consiga na sua pessoa ter estes três fatores importantes para uma visão para Lisboa”, o autarca social-democrata considera que António Lamas reúne esses valores.

“Eu queria muito que fosse o professor António Lamas. É um homem que tem trabalhado sempre na academia e no setor público, mas sempre com grande transparência e, para mim, esse é um dos pontos fundamentais”, afirmou.

Para Carlos Moedas, o novo presidente do conselho de administração da SRU tem “uma visão para a cidade mais humana, mais próxima das pessoas e com credibilidade técnica porque a SRU é uma empresa de obras e, portanto, era importante ter aqui pessoas com grande credibilidade técnica”.

Nascido em 1946, António Ressano Garcia Lamas é formado em Engenharia Civil pelo Instituto Superior Técnico (IST), onde é professor jubilado. Foi também membro externo do Conselho Geral da Universidade de Évora, presidente do Conselho de Administração e do Conselho Diretivo da Fundação Centro Cultural de Belém e presidente do Conselho de Administração da Parques de Sintra – Monte da Lua, SA, entre outros.

Atualmente ocupa ainda os cargos de vice-presidente da Assembleia Geral da Academia Portuguesa de Engenharia, presidente do Júri do Prémio Gulbenkian Património — Maria Tereza e Vasco Vilalva, membro do Conselho Consultivo do “Festival Terras Sem Sombra” e membro fundador da Associação Portuguesa de Construção Metálica e Mista (CMM), em 1997, que dirigiu até 2004 e a cuja Assembleia Geral preside desde então.

António Lamas foi ainda distinguido com a Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique (2014), com uma menção especial do júri dos Prémios European Heritage / Europa Nostra 2021 e com a Medalha de Ouro do município de Sintra (2012).

O cargo de presidente do conselho de administração da SRU foi ocupado por Inês Ucha entre fevereiro de 2021 e novembro passado, altura em que apresentou a demissão, disse fonte da autarquia.

Após a vitória nas eleições autárquicas de setembro de 2021 à frente da coligação “Novos Tempos” (PSD/CDS-PP/MPT/PPM/Aliança), Carlos Moedas governa o município de Lisboa, mas sem maioria absoluta.

No atual mandato (2021-2025), o executivo é composto por sete eleitos pela coligação “Novos Tempos” — três do PSD, dois do CDS-PP e duas independentes -, que são os únicos com pelouros atribuídos; sete pela coligação “Mais Lisboa” — cinco do PS, um do Livre e uma independente —; dois da coligação PCP/PEV — ambos do PCP -; e uma do BE.

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