Não era a primeira vez que Portugal necessitava apenas do empate e perdeu, também não era a primeira vez que a Espanha não podia perder ou empatar e ganhou. À semelhança da Itália, a Roja tornou-se assim a primeira seleção a conseguir chegar à Final Four da Liga das Nações em edições consecutivas e, a par dos Países Baixos, as únicas com duas participações em três edições. Ou seja, aquilo que a Seleção poderia ter alcançado, com esse acrescente de ter ganho na estreia em 2019. Depois de cinco empates consecutivos no duelo ibérico, Portugal voltou a perder com a Espanha no final do tempo regulamentar, algo que já não acontecia desde os oitavos do Mundial de 2010, na Cidade do Cabo (1-0, golo de David Villa).

A diferença entre saber jogar com o empate e ter de jogar para o empate (a crónica do Portugal-Espanha)

Com a sétima derrota caseira enquanto selecionador, terceira em encontros oficiais depois do desaire com a França em 2020 para a Liga das Nações com a Sérvia no ano passado para a qualificação do Mundial, Fernando Santos voltou a falhar a Final Four da Liga das Nações que ganhou em 2019, naquele que foi também o penúltimo jogo de Portugal antes do Mundial do Qatar (terá um particular em Alvalade frente à Nigéria a 17 de novembro, antes da viagem para a fase final da prova que arranca no dia 20). Ainda assim, e na zona de entrevistas rápidas, o selecionador viu pontos positivos antes de uma quebra fatal.

“Na primeira parte a equipa estava bem organizada mas chamei a atenção dos jogadores ao intervalo. A Espanha tinha mais posse de bola do que nós, conseguíamos sair bem mas estava a faltar-nos alguma circulação da bola e obrigar a Espanha a ter se desmontar, assim como faltava alguma agressividade na pressão para podermos recuperar a bola mais rápido. Mesmo assim, criámos mais oportunidades e penso que a Espanha não teve nenhuma e Portugal criou algumas oportunidades de golo. Ao intervalo disse isso. Nos 15 minutos da segunda parte entrámos muito bem, com a equipa mais subida, a pressionar mais, a chegar mais perto do adversário e criámos duas ou três situações de golos. A partir desses 15 minutos, deixámos de conseguir ter bola. A equipa passou a baixar as linhas e a deixar de pressionar. Passámos a ter mais dificuldade”, comentou na RTP3, antes de detalhar o que faltou na última meia hora.

“O Diogo Jota pediu-me para sair porque estava muito cansado. A substituição que ia fazer – não interessa agora para nada qual era – não era com o Jota a sair. Ia pôr o Jota numa posição diferente para que a equipa continuasse a poder subir e ter posse de bola. Coloquei o Vitinha para ter posse de bola, tal como o João Mário, que são jogadores de posse para podermos jogar. O que é verdade é que não conseguimos. Recuámos e tivemos duas oportunidades grandes para marcar mas não marcámos”, salientou o técnico.

“Naqueles primeiros 15 minutos da segunda parte a equipa estava muito bem. Havia alguns jogadores com algum cansaço, com menos influência do que é normal. Era preciso refrescar a equipa, foi o que fizemos, com a entrada do João Mário, para ter bola e ter equilíbrio. Com as entradas do Rafael Leão e do Vitinha seria para termos mais posse. Quando ia fazer duas substituições, uma para dar força no meio-campo e a outra para esticar na frente, acabamos por sofrer um golo”, adiantou ainda sobre esse momento.

Por fim, Fernando Santos falou ainda na possibilidade de haver ilações a retirar para o Mundial. “Tem de servir para correções. Temos de manter o nosso padrão de jogo independentemente do adversário. Fizemo-lo durante muito tempo. Houve alguns momentos bons na primeira parte, sempre que tivemos e circulámos a bola. Criámos várias oportunidades. A partir dos 60 minutos, fomos abaixo, principalmente porque perdemos a capacidade de ter bola. Os jogadores não conseguiam ligar o jogo. A Espanha começou a empurrar. A Espanha não teve verdadeiramente uma oportunidade e acabou por fazer um golo mas na parte final dominou o jogo, isso é evidente”, concluiu Fernando Santos.

“Se esta eliminação belisca o meu percurso? Belisca em quê? Não sei o que posso responder, a mim não belisca nada… Perdemos um jogo no último minuto, queríamos ganhar… Mas a questão que me quer colocar é mais direta ou é só essa? Vozes dissonantes? Mas eu tenho contrato até 2024, mais direto não posso ser. Exibição de Ronaldo? Gosto de avaliar mais no plano coletivo mas teve três ou quatro oportunidades, duas muito boas que costuma marcar, não conseguiu marcar mas isso é futebol, é assim”, respondeu depois o selecionador na conferência de imprensa no Municipal de Braga.

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