761kWh poupados com a
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Reduza a sua pegada ecológica.
Saiba mais

Woolclopedia. A primeira linha de roupa da Burel Factory é uma enciclopédia da lã

Este artigo tem mais de 1 ano

Reduziram as gramagens da lã e transformaram a herança têxtil da Serra da Estrela em peças de roupa modernas, coloridas e versáteis. Eis a primeira coleção de moda da marca portuguesa Burel Factory.

28 fotos

“A Burel é mesmo bonita. Olhas para qualquer lado e qualquer cantinho te dá ideias e vontade de fazer alguma coisa”, conta Filipa Homem ao Observador. Em janeiro do ano passado, candidatou-se a um anúncio da Burel Factory que procurava um designer para a primeira linha de moda da marca. “Pensei, uau, isto tem tanto potencial”, recorda. Ficou com o trabalho. Passado um ano, é como diretora criativa do projeto que vê as suas ideias materializadas em peças de roupa feitas de lã e tecidas com tradição. Já estão à venda em lojas físicas e online.

Woolclopedia é o nome da coleção. Aqui, o burel dá forma a 25 referências, entre elas casacos, saias, calças, chapéus, vestidos e macacões, tudo concebido com um ponto de vista moderno. É a tradição transportada para a atualidade. “Quisemos trazer o burel para a moda”, explica Filipa. “Eles já faziam as capas e as camisas, mas num tecido tão grosso que, vestes aquilo e pareces um boneco Michelin.”

Todas as peças da Woolcopedia têm uma escala de tamanhos para homem e mulher

Maria Rita

As gramagens do burel, principalmente usado em têxteis para a casa, foram reduzidas para que se tornasse mais leve e fluido, fácil de vestir no dia-a-dia. Mantêm todas as características de isolamento e impermeabilidade da lã, mas com mais conforto. Também não são precisos forros, porque foram tratados para serem mais suaves. “Não picam”, revela.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

A coleção é unissexo, embora isso, aqui, não seja necessariamente um statement. É uma escolha motivada principalmente pela sustentabilidade. “Não somos nós que decidimos quem veste o quê. O que temos é uma coleção pequena, com apenas 100 unidades de cada referência, que não obriga a fazer peças para mulher e para homem.” Em vez disso, todas as referências estão disponíveis numa tabela de medidas adaptada. O tamanho mais pequeno (B0) corresponde a um XS de womenswear ou a um XXS de menswear.

Aqui o burel não é só para vestir, mas também para calçar, nomeadamente em dois modelos de ténis criados em parceria com a marca portuguesa Diverge, com a qual a designer já tinha colaborado no passado. Há várias propostas, com cores que variam entre o bege e o azul, num modelo estilo bota e noutro chamado Landscape, cujas linhas e sobreposições saltaram à vista da criadora.

E a relação com a patroa? “A Isabel [Costa] deu-nos liberdade para fazermos o que nos vai na alma”, conta sobre a CEO da Burel Factory. Com a ajuda da designer Mafalda Fialho, recrutada propositadamente para o projeto de moda, começaram por pensar nos tecidos que queriam produzir e só depois nas peças. A Lanifícios Império, fábrica onde a produção da marca acontece, é central em toda a coleção. “É um museu vivo e é uma inspiração”, conta.

A coleção é contada em duas histórias: a da montanha, com tons terra, e a da fábrica, com cores mais vivas, industriais. A campanha foi fotografada na fábrica

“Quando nós lá chegámos e começámos a abrir aquelas gavetas de amostras com cartõezinhos que tinham a receita daquele tecido, que era feito nos anos 50… foi de tirar a respiração.” Nesta coleção, a herança têxtil portuguesa tem um papel central. Isabel Costa conseguiu arquivar o património da fábrica desde os primórdios da sua existência e esse legado esteve presente em todo o processo criativo. “Por isso é que a coleção se chama Woolclopedia. É uma enciclopédia da lã”, expõe a diretora criativa.

Essa sensibilidade para os materiais nobres, com herança, foi-lhe despertada enquanto trabalhou com a Harris Tweed. “Só quando saí de Portugal é que percebi o que significava, a importância que tinha.” Filipa Homem tem quase 20 anos de experiência em moda. Estagiou na Alexander McQueen, passou pela Oscar de La Renta e esteve 3 anos na Suécia a trabalhar para a H&M.

Antes da colaboração com a Burel Factory, passou muitos anos a trabalhar coleções de miúdos. Durante 6 anos, por exemplo, assumiu a direção criativa da Knot Kids, onde liderou um esforço para que todos os tecidos fossem produzidos em Portugal e com qualidade.

“Se calhar, por ter desenhado moda para criança durante tanto tempo, desenvolvi uma maior liberdade. Não somos restringidos a uma série de regras que existem para o menswear e para o womenswear. Isso é uma mais valia”, reflete.

As peças estão à venda nas lojas físicas e no novo site da Burel Factory

Esta primeira coleção é contada em dois cenários: o da montanha, inspirado na Serra da Estrela, com uma paleta de cores e tecidos verde, azul, damasco; e o da fábrica, com rosa-choque e verde lima, algumas das cores fortes que se veem ao entrar na Lanifícios Império. Mas ainda faltam outras duas histórias, que “já estão no forno”, adianta, e que devem ser lançadas no final deste ano, embora não estejam preocupados em cumprir calendários. Também não fazem saldos.

A educação dos consumidores é um ponto fulcral. “A Burel quer recuperar património e passar conhecimento”, explica. Foi por isso que, quando lançaram o site novo — que chegou ao mesmo tempo que a linha de roupa — quiseram também passar conhecimento sobre os processos. “Quanto mais as pessoas souberem, mais se vão apaixonar e perceber o trabalho que dá fazer as coisas. Quanto mais conhecimento passarmos do léxico que existe à volta da lã, mais vão compreender.”

No verão, conta que haverá novidades, mas a aposta grande é nas estações frias — “com 40 graus ninguém vai comprar casacos de lã”. Mas as regras são poucas para a Burel Factory. Não se vão restringir a certos tipos de peças ou a regras pré-existentes. Tudo é orgânico e experimental. “Temos muita sorte por trabalhar numa fábrica e com a Isabel, que é uma pessoa absolutamente criativa e aberta a fazer coisas novas a toda a hora. Isso para um designer é ouro sobre azul.

100% português é uma rubrica dedicada a marcas nacionais que achamos que tem de conhecer.

Ofereça este artigo a um amigo

Enquanto assinante, tem para partilhar este mês.

A enviar artigo...

Artigo oferecido com sucesso

Ainda tem para partilhar este mês.

O seu amigo vai receber, nos próximos minutos, um e-mail com uma ligação para ler este artigo gratuitamente.

Ofereça artigos por mês ao ser assinante do Observador

Partilhe os seus artigos preferidos com os seus amigos.
Quem recebe só precisa de iniciar a sessão na conta Observador e poderá ler o artigo, mesmo que não seja assinante.

Este artigo foi-lhe oferecido pelo nosso assinante . Assine o Observador hoje, e tenha acesso ilimitado a todo o nosso conteúdo. Veja aqui as suas opções.

Atingiu o limite de artigos que pode oferecer

Já ofereceu artigos este mês.
A partir de 1 de poderá oferecer mais artigos aos seus amigos.

Aconteceu um erro

Por favor tente mais tarde.

Atenção

Para ler este artigo grátis, registe-se gratuitamente no Observador com o mesmo email com o qual recebeu esta oferta.

Caso já tenha uma conta, faça login aqui.