Após um autêntico tour este domingo, com passagens por Argoncilhe, Seia e Viseu, Pinto da Costa voltou a ter um dia particularmente preenchido mas neste caso entre o estatuto de presidente há 42 anos e o papel de candidato a um 16.º mandado à frente dos destinos dos dragões. E, de manhã, o líder dos azuis e brancos teve uma paragem com tanto de simbólica como de emotiva, marcando presença na inauguração do Pavilhão Municipal Fernando Gomes, em Vila Nova de Gaia, que vai servir não só a Escola Básica de Santa Marinha como também toda a comunidade e os clubes desportivos locais para a prática desportiva.

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“Fiquei muito feliz ao saber que o nome deste Pavilhão é dado ao Fernando Gomes. Foi atleta do FC Porto desde jovem, desde os juniores. Acompanhei toda a sua carreira, fui seu amigo até ao seu último dia, continuo a tê-lo presente na lista dos meus amigos mesmo não estando no meio de nós e não posso esquecer que, na Casa de Saúde da Boavista, ele com muita dificuldade se levantou e disse: ‘Senhor presidente, quero dar-lhe um abraço’. Foi o momento em que dois corpos e duas almas se cruzaram e em que ele ficou eternizado”, começou por recordar Pinto da Costa no momento do descerramento de uma placa.

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“Parabéns Eduardo Vítor Rodrigues por dar um nome de um atleta que foi exemplar, um atleta que foi o que todos os que frequentarem este pavilhão devem querer ser: atletas, homens dignos e de família e boas pessoas. Aos jovens que desfrutem deste pavilhão, sejam felizes e que aproveitem a felicidade de viver em Vila Nova de Gaia”, acrescentou, numa cerimónia onde marcaram também presença outros antigos capitães e símbolos dos azuis e brancos como Vítor Baía ou João Pinto, além de António Borges e Luís Fernandes.

Mais tarde, ou à noite, Pinto da Costa e outros elementos da lista A deslocaram-se a Albergaria-a-Velha para mais um momento de “Conversas com o presidente”, com associados e adeptos dos azuis e brancos a fazerem várias perguntas ao líder dos dragões a propósito daquilo que defende para o futuro do clube. E foi aí que, antes das habituais declarações sobre as razões para avançar com uma nova candidatura, admitiu que o plantel do FC Porto vai sofrer alterações, “Vai haver retoques necessários na equipa mas ela precisa é de paz de espírito e de poder estar tranquila porque tem valor suficiente, como demonstrou na Champions e no FC Porto-Benfica. Indo ou não à Liga dos Campeões, precisa e vai ser retocada”, referiu, citado pelo O Jogo.

“Quando percebi que houve jogadas como a do senhor Raúl Costa, que é um dos mentores dessa candidatura, que quando nos vendeu o Luis Díaz ao Liverpool recebeu uma comissão de cerca de quatro milhões, pediu para a dividir por três e depois de ter recebido essa parte, um dos três processou o FC Porto, já depois da candidatura, para nos privar de estar nas provas europeias. Aí eu disse ‘Basta! Vou avançar’. A minha família não gostou mas eu não queria nem quero que acontecesse o que aconteceu no Sp. Braga, onde apareceram uns árabes pela mão do Antero Henrique e compraram uma percentagem, enquanto o Joaquim Oliveira que tinha ações no Sp. Braga meteu-as no pacote, sacou uns milhões e hoje têm a maioria. No FC Porto, comigo nem morto!”, afirmara entre justificações já antes explanadas nas presenças públicas.

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“É difícil ser presidente e candidato, obriga-me a muito mais esforço. Estou hoje aqui, mas às 9h da manhã tenho que estar em funções pelo FC Porto. Por isso, cria-me maior desgaste. Até estou admirado porque deram-me quase como moribundo. Afinal, ainda consegui ontem [domingo] estar em Argoncilhe, depois em Seia, depois consegui estar em Viseu, agora estou aqui. Como disse, amanhã às 9h30 estarei a representar o FC Porto numa coisa muito importante para nós. Vejo as pessoas muito entusiasmadas e a darem-me apoio. Mas, naturalmente, a minha maior preocupação é ilucidá-los, responder, como faço, a todas as perguntas que me fazem. Não seleciono as perguntas e tenho uma coisa original em relação a outra candidatura: não trago seguranças. Não trago nem seguranças nem polícias à minha volta, porque as meus seguranças são os adeptos do FC Porto que me recebem nas suas Casas”, apontou Pinto da Costa.

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Garantindo que não recebeu qualquer multa da UEFA e remetendo todo o assunto para o comunicado feito pelos dragões a propósito do noticiado incumprimento do fair play financeiro, o presidente portista voltou a manifestar o desejo de continuar a contar com Sérgio Conceição e falou do atual momento da equipa, que pode esta quarta-feira confirmar a presença na final da Taça de Portugal mas que não ganha há três jogos no Campeonato. “Sérgio disse que está fácil bater no FC Porto? O Sérgio está habituado a ver um estádio todo a apoiar a equipa, naturalmente, e que não gosta de ver quando ao mínimo passe errado aparecem grupos a assobiar os jogadores. O público vai lá para ver o espetáculo mas também para apoiar a equipa. É isso que nós sempre tivemos e que estou convencido que brevemente voltaremos a ter”, frisou.