A Comissão Europeia anunciou, em Outubro, estar a investigar as suspeitas de que os construtores chineses de veículos usufruem de subsídios ilegais atribuídos pelo Estado, de forma a torná-los mais competitivos (e baratos) face aos seus rivais europeus. Se tal se confirmar, é expectável um aumento dos impostos aplicados aos veículos importados da China. E ainda não foi tomada uma decisão pela União Europeia (é esperada em Novembro), mas já a Polestar anunciou qual será a sua estratégia para contornar a medida.

A gama que a Polestar espera oferecer até ao final de 2024, em que o 2 (à esquerda) vai ser reforçado pelo 3 (SUV) e pelo 4 (berlina). O Polestar 5, ainda coberto, está agendado para 2025

A Polestar, que nasceu como uma divisão de modelos desportivos da Volvo para depois se tornar num construtor independente sob a égide da marca sueca — sendo que ambas são controladas a 100% pelos chineses da Geely —, tem reconhecidos problemas em matéria de vendas, cujos volumes estão muito abaixo da qualidade e potencial dos veículos que envergam o seu emblema, o que afecta igualmente a rentabilidade. Isto já levou a Volvo a ceder a sua quota na Polestar à Geely, uma vez que os seus maus resultados estavam a prejudicar as acções do construtor nórdico.

Polestar fechou 2023 com o pior trimestre do ano

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Além do 2, que já está à venda e que melhorou os seus atributos com o recente restyling, a Polestar anunciou o 3 (um SUV com 4,9 metros de comprimento) para o 3.º trimestre de 2023, que entretanto derrapou para o 2.º trimestre de 2024. Igualmente agendados para 2024 estão ainda o 4, uma berlina com 4,84 metros, e o 5, um coupé de duas portas. Contudo, apenas com o Polestar 2, a marca tem dificuldades em ultrapassar folgadamente a barreira das 50 mil unidades/ano, tendo comercializado 54.600 veículos em 2023, a uma média de 13.650 por trimestre, o que não impediu o fabricante de vender apenas 7200 modelos no 1.º trimestre de 2024 — praticamente metade da média do ano anterior e menos 40% do que os veículos transaccionados no período homólogo de 2023.

Vimos o Polestar 3, irmão do Volvo EX90 e concorrente do Tesla Model X

Mas a Polestar está apostada em ultrapassar os seus problemas e crescer em vendas, com os novos modelos a poderem alavancar essa ambicionada mudança. O CEO Thomas Ingenlath revelou que pretende que a região onde os veículos são produzidos (Ásia-Pacífico) represente somente 30% das vendas globais, para os EUA terem um peso similar e a Europa surgir como o mercado mais importante, com 40%.

Mas este crescimento corre o risco de ser limitado caso a Europa venha a implementar o incremento de impostos sobre as importações de veículos vindos da China, precisamente onde nascem os Polestar. De acordo com Thomas Ingenlath, a marca tem alternativas para fazer face a essa eventual contrariedade. Fruto de integrar o Grupo Geely, o construtor escandinavo pode aceder à capacidade de produção da fábrica da Volvo nos EUA, mais precisamente na Carolina do Sul, de onde sairá o 3, o SUV que é “irmão” próximo do topo de gama da Volvo, o EX90. E caso a Europa venha a penalizar os eléctricos chineses, a Polestar está preparada para começar a exportar para o Velho Continente a partir dos EUA, com vantagens fiscais.