Pep Guardiola nunca foi conhecido por ser contido nas emoções, nas reações ou nas sensações. Ainda assim, os últimos tempos e a onda de resultados menos positivos têm intensificado a forma como o treinador espanhol vive os jogos: desde os longos golos de água, as mãos na cabeça e até os estranhos arranhões com que apareceu em frente às câmaras de televisão depois do empate contra o Feyenoord na Liga dos Campeões.

Esta terça-feira, depois de mais um resultado abaixo das expectativas, Pep Guardiola voltou a ser notícia por uma reação mais inesperada. O Manchester City esteve a vencer o Brentford com um bis de Phil Foden na segunda parte, sofreu dois golos já nos instantes finais e não foi além de um empate, falhando aquela que seria a terceira vitória consecutiva na Premier League.

Ora, depois do apito final, o treinador espanhol dirigiu-se diretamente a Stefan Ortega, guarda-redes alemão que foi titular na baliza em detrimento de Ederson, e protagonizou segundos difíceis de interpretar: abraçou-o, gritou-lhe na cara e ao ouvido, deu-lhe um soco no peito e deixou a dúvida sobre se estava a repreendê-lo ou a congratulá-lo, até porque o jogador parecia algo apático e pouco ou nada reagiu.

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Mais tarde, já na conferência de imprensa, Guardiola explicou o que disse a Stefan Ortega e lembrou que também foi falar individualmente com Gvardiol e Savinho, ambos titulares contra o Brentford. “Estava satisfeito. Disse-lhe que ele jogou muito bem nas ações com bola, que fez bons passes para o Erling [Haaland], que estava feliz e satisfeito com ele”, garantiu o treinador, afastando a ideia de ter repreendido o guarda-redes por ter sofrido o golo do empate já dentro do período de descontos.

O Daily Mail, porém, apresenta uma versão alternativa. O jornal falou com um especialista em interpretação de lábios e indica esta quarta-feira que Pep Guardiola estava a dizer a Stefan Ortega que deveria “ter levado aquele amarelo”. Ou seja, explicou ao guarda-redes que deveria ter retardado a cobrança de um dos últimos pontapés de baliza do jogo, mesmo com a eventual consequência de um cartão amarelo, partindo do princípio de que talvez já não tivesse existido tempo para o golo decisivo de Christian Nørgaard.

O Manchester City está atualmente no sexto lugar da Premier League, com 35 pontos e fora da zona de apuramento para as competições europeias, mas já não perde há quase um mês, desde a derrota com o Aston Villa no fim de dezembro. Na verdade, apesar do empate desta terça-feira, os citizens não perderam muito terreno para alguns dos principais rivais, já que Liverpool, Nottingham Forest e Chelsea também não conseguiram vencer os respetivos jogos.

“Estamos frágeis”. Guardiola explicou os arranhões, mas a ferida do City está bem aberta