A três dias de cessar o seu mandato na presidência dos Estados Unidos, Joe Biden tornou-se esta sexta-feira o presidente norte-americano com o recorde de indultos, ao perdoar penas a cerca de 2.500 reclusos.
Os reclusos abrangidos por esta medida de Biden tinham sido condenados por crimes não violentos relacionados com drogas. De acordo com a AP, o democrata quer “corrigir erros históricos” e anular “sentenças desproporcionalmente longas”, face às que seriam cumpridas pelos mesmos ilícitos com as leis atualmente em vigor. Biden quer ainda aproveitar as últimas horas até à tomada de posse de Donald Trump, na segunda-feira, para alargar o leque de reclusos perdoados.
“A ação de clemência de hoje [sexta-feira] proporciona alívio a indivíduos que receberam sentenças longas com base em distinções desacreditadas entre crack e cocaína em pó, bem como em aumentos de sentenças desatualizados para crimes de droga”, referiu o presidente dos EUA. Em comunicado, Biden sublinhou que este “é um passo importante para corrigir disparidades de sentenças e fornecer aos indivíduos merecedores a oportunidade de regressarem às suas famílias e comunidades depois de passarem muito tempo presas”.
Já em dezembro o presidente norte-americano tinha perdoado penas a cerca de 1.500 reclusos que tinham sido libertadas da cadeia e passado para prisão domiciliária durante a pandemia de covid-19.
A estes somou-se ainda o perdão de outros 39 cidadãos americanos condenados por crimes não violentos e a alteração de pena de 37 reclusos que aguardavam a aplicação de pena de morte para prisão perpétua. A decisão de Biden gerou críticas de Trump, que, como defensor da aplicação da pena de morte, prometeu reverter a medida após a tomada de posse.
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Segundo estatísticas do Departamento de Justiça, Donald Trump concedeu 144 indultos e 94 reduções de pena no seu mandato, enquanto Barack Obama concedeu 212 indultos e 1.715 reduções de pena ao longo dos dois mandatos.
Biden concede indulto a filho (contra o que disse que faria). “A política corrompeu este processo”
Entre os recentes perdões de Joe Biden está igualmente o seu filho Hunter Biden, não apenas pelas condenações por crimes relacionados com posse de arma e impostos federais, mas por qualquer outro delito federal cometido entre 2014 e 2024.
A extensão do perdão concedido ao filho foi vista como uma forma de proteger Hunter Biden de potenciais processos movidos por aliados de Trump assim que Joe Biden deixasse a Casa Branca.