É um sim, mas com muitas reservas. O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, declarou, esta quinta-feira, que tem uma posição “favorável” a um cessar-fogo de 30 dias proposto pelos Estados Unidos da América (EUA). No entanto, o líder russo ressalvou ter “muitas questões”, perguntando se a Ucrânia não vai aproveitar esse mês para “mobilizar mais homens” e para “comprar mais armas”. “Quem vai controlar o cessar-fogo, a frente é de dois mil quilómetros?”, interrogou, assinalando que queria falar com os norte-americanos sobre o assunto.

“Concordamos com a proposta de um cessar-fogo, mas a nossa posição baseia-se na ideia de que um cessar-fogo levaria a uma paz a longo prazo, algo que removeria as razões iniciais da crise [na Ucrânia]”, prosseguiu Vladimir Putin, lembrando a sua visita a Kursk esta quarta-feira para demonstrar que a Rússia “tem iniciativa em quase todas as frentes” — e parece fazer depender o cessar-fogo de algumas vantagens para o Kremlin.

Esta quinta-feira, o enviado especial do Presidente norte-americano, Donald Trump, Steve Witkoff, teve oportunidade de esclarecer e dar pormenores ao Presidente russo, uma vez que se encontrou com Vladimir Putin em Moscovo. O encontro foi à porta fechada e privado — e publicamente não foram revelados nenhuns detalhes sobre a reunião.

A meio da tarde, o líder norte-americano viu as declarações de Vladimir Putin sobre a trégua como “promissoras, mais incompletas”. “Gostava de ver o lado russo a aceitar o cessar-fogo”, disse o Presidente dos EUA, apelando a Moscovo para “fazer a coisa certa”. “Queremos que a guerra acabe”, declarou o Chefe de Estado na Sala Oval ao lado do secretário-geral da NATO Mark Rutte, lamentando o “custo tremendo” do conflito não só para os norte-americanos, como também para os restantes aliados.

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Trump endurece sanções à Rússia

No final da noite, a CBS News, citando quatro fontes conhecedores do processo, divulgou que a administração Trump pretende endurecer às sanções aplicadas à Rússia — e dificultar ainda mais o acesso dos russos aos sistemas de pagamentos norte-americanos. A política sancionatória alargar-se-á igualmente ao setor petrolífero, do gás e da banca.

Como consequência destas sanções, a Rússia terá um acesso bastante restritivo ao sistema bancário norte-americano e tornará mais complicado a outros países comprarem petróleo russo. Não é claro, ainda assim, se estas sanções estão relacionadas com um impasse nas negociações e se têm a ver com uma eventual recusa russa à trégua de 30 dias.

Zelensky deixa aviso a Trump sobre “manipulação” de Putin

Por sua vez, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, avisou Donald Trump que a Rússia se prepara para rejeitar a trégua. No seu discurso diário, o líder da Ucrânia acusou Vladimir Putin de ter “medo de dizer diretamente ao Presidente Trump que quer continuar a guerra e matar ucranianos”, daí ter aparentado concordar com o cessar-fogo.

“É por isso que eles, em Moscovo, estão a impor pré-condições. Putin faz isto com frequência: não diz ‘não’ diretamente, mas fá-lo de uma forma que praticamente atrasa tudo e que torna impossíveis decisões normais”, denunciou Volodymyr Zelensky, sentenciando: “É mais uma manipulação russa”.

O Presidente ucraniano garantiu que o país “aceita” a proposta de Donald Trump de uma trégua nos céus, no mar e na linha da frente. “Ouvimos do lado americano que há uma disposição para organizar o controlo e a verificação. E é realista garantir isso – com capacidades americanas, com capacidades europeias”. O Chefe de Estado ucraniano garantiu também que a Ucrânia não vai “atrasar” o processo de negociações de paz, considerando, contudo, que a Rússia é que o fará.

“Agora precisamos de o pressionar. Precisamos de introduzir sanções. Continuaremos a trabalhar com os nossos parceiros norte-americanos, com os nossos parceiros europeus, com todos no mundo que querem a paz, para forçar a Rússia a pôr fim à guerra”, rematou Zelensky.