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Em julho de 2023, Ivan Popov, general que liderava o 58º Exército Combinado das forças russas que combatiam em Zaporíjia, gravou uma mensagem de voz a criticar as chefias e o Ministério da Defesa da Rússia pela falta de apoio de artilharia no terreno e pelas fortes baixas sofridas entre os seus homens. Depois, enviou-a para os seus colegas. Rapidamente, apercebeu-se que esta mensagem era um erro.
Segundo a BBC, as críticas espalharam-se e a mensagem acabou por ser partilhada no Telegram por Andrei Gurulyov, um deputado, antigo comandante do exército e comentador televisivo. No seguimento da polémica, Popov foi afastado da frente e, em 2024, acabou acusado de fraude em larga escala ligada a um alegado roubo de 1,7 toneladas de material enviado para a batalha em Zaporíjia, enfrentando assim uma pena de prisão de seis anos pedida pelo Ministério Público russo aos juízes do tribunal militar.
Justiça militar russa decide prisão domiciliária para general Ivan Popov
Porém, na semana passada, os representantes de Popov e o Ministério da Defesa russo chegaram a um acordo para concretizar aquela que era a principal vontade do oficial: o regresso à guerra.
“Juntamente com o Ministério da Defesa, apresentámos uma moção para suspender o processo e alterar a medida preventiva relacionada com a decisão positiva de enviar Ivan Ivanovich [Popov] para a operação militar especial [ndr: nome dado pela Rússia à invasão da Ucrânia]”, contou o advogado do general, Sergei Buinovsky, à TASS.
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Segundo o Kommersant, Ivan Popov vai voltar para liderar a Storm Z – uma brigada formada principalmente por prisioneiros e que é usada, segundo o Institute for the Study of War (ISW), para “ataques frontais suicidas” na linha da frente. Essencialmente, para o ISW, o militar avança para uma “sentença de morte“.
Ainda antes de fazer este pedido ao tribunal, Popov, uma figura popular entre bloggers militares e ultranacionalistas, já endereçara uma carta aberta ao Presidente russo, Vladimir Putin, publicada pelo Kommersant, com o objetivo de pedir clemência e o regresso às forças militares.
“Peço-lhe, como meu comandante mais importante, que analise esta situação e me ponha de novo na linha“, apelou Popov, na carta recheada de elogios ao Presidente russo.
“Durante todos os longos anos da minha vida, fui um soldado leal da Rússia e vosso soldado, a ponta da vossa lança, esmagando os inimigos da nossa Pátria! O exército é o trabalho da minha vida!“, reforçou. O tribunal concretizou-lhe o desejo.