Siga aqui o artigo em direto sobre a morte do Papa Francisco

Caiu em desgraça em 2020 e, três anos depois, foi condenado a cinco anos e meio de prisão por fraude fiscal. Agora, Angelo Becciu quer participar no Conclave que escolherá o sucessor do Papa Francisco, responsável pelo afastamento do cardeal italiano.

“Ao chamar-me para o último consistório [assembleia de cardeais por ocasião da nomeação de novos cardeais], o Papa reconheceu as minhas prerrogativas cardinalícias, visto que não houve vontade de me excluir do Conclave, nem houve qualquer pedido por escrito da minha renúncia”, justificou Becciu.

Cardeal Angelo Becciu, um dos homens fortes do Vaticano, foi demitido da Santa Sé e perde direitos de cardeal

O cardeal, que chegou a ser um dos mais importantes da Santa Sé e apontado como sucessor de Francisco, viu-se envolvido num escândalo que surgiu com a compra de um edifício de luxo no centro de Londres, no Reino Unido, que abriu um rombo de 139 milhões de euros nas contas do Vaticano.

A aquisição, através de um fundo liderado pelo empresário italiano Raffaele Mincione, expôs uma rede de pessoas que não conseguia controlar e equilibrar as finanças da Santa Sé. Este escândalo de corrupção é apontado por muitos como o motivo que levou Bento XVI a renunciar.

Antes de ser condenado no tribunal, foi demitido do cargo de prefeito da Congregação para as Causas dos Santos e dispensado de todos os direitos enquanto cardeal.

Cardeal Angelo Becciu condenado a cinco anos e seis meses de prisão por crimes financeiros

Becciu — que não consta da lista publicada pela Santa Sé com os nomes dos 135 cardeais menores de 80 anos que vão participar no Conclave, apesar de ter 76 anos — diz que essa lista não tem validade. “A lista publicada pela Sala de Imprensa não tem valor jurídico”, protestou, em declarações ao jornal italiano L’Unione Sarda.

Certo é que esta terça-feira o cardeal esteve em Roma, onde chegou na segunda-feira para participar nas reuniões que antecedem a escolha do sucessor do falecido Papa Francisco.

Sobre a morte do Pontífice, Becciu falou numa “grande dor, à luz de uma relação que foi sempre franca, serena, marcada pelo máximo respeito, mesmo perante as diferenças de opinião naturais e humanas”. “O Papa aceitou as minhas opiniões e juntos compartilhamos todas as escolhas”, acrescentou.

O confinamento, as votações secretas e o fumo branco da Capela Sistina. O que ocorre durante um conclave?

“Foi uma dor imensa ver o Papa mudar de repente a sua opinião sobre mim de forma tão radical. Uma dor que aceitei como um teste à minha fé e à minha escolha de dar a minha vida pelo Papa e pela Igreja. (…) Agora o Papa está na luz de Cristo ressuscitado e esta certeza conforta-me: Francisco vê agora a verdade dos factos, sem dúvidas e sem sombras”, defendeu.

Caberá agora a Giovanni Battista Re, cardeal decano italiano que preside ao Colégio dos Cardeais, definir se Becciu participará, ou não, no Conclave — mais de um ano depois de uma condenação sem precedentes na história do Vaticano.

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