Foi nas imediações de um dos marcos mais icónicos da cidade do Porto que Pedro Duarte apresentou esta terça-feira a sua candidatura à Câmara Municipal. Mas enquanto a torre dos Clérigos permite ver a cidade “de cima”, o social-democrata quer ver a cidade “a partir de dentro”, argumentou durante o seu discurso. Afinal, mais do que uma candidatura política, a corrida do antigo ministro à segunda maior câmara do país é uma candidatura “pessoal, emocional e romântica”, justificou ainda.
Este tom de “declaração amorosa” que decidiu impor à sua candidatura refletiu-se no seu discurso de apresentação. Depois de alguns agradecimentos aos apoiantes da sua candidatura — para além do PSD, vai às urnas com o apoio do CDS, da Iniciativa Liberal e de vários independentes –, Pedro Duarte lançou-se numa longa enumeração dos artistas e locais que definem a “alma tripeira”, que incluiu cantores, atores, pintores, arquitetos e até as festas do São João.
O salto da serenata à Invicta para a primeira (de dez) promessa eleitoral foi curto: “colocar a cultura no centro“, prometeu, acrescentando que não está “a prometer milagres”, mas a “assumir compromissos”. Considerando que a cultura também é uma forma de “combater a desigualdade” e promover a “justiça social e a liberdade”, Pedro Duarte declarou querer uma “cultura exigente mas acessível; local mas com ambição global; eclética, mas não elitista”. A preponderância dada por Pedro Duarte ao tema marca uma cisão com um anterior autarca social-democrata: Rui Rio. E não passará despercebida aos eleitores portuenses que se lembram da guerra do ex-líder do PSD com o setor.
As outras bandeiras do candidato à Câmara do Porto revelaram-se mais concretas. Na área da saúde, prometeu a implementação de um serviço municipal de saúde, que recorra a hospitais e universidades para assegurar cuidados de saúde primários a todos os munícipes. Na área da habitação, Pedro Duarte comprometeu-se com uma política pública de habitação, que reabilite edifícios devolutos e garanta “habitação digna e a preços acessíveis, em particular para os mais jovens”. Ainda nesta área, comprometeu-se a “dignificar os espaços públicos” e a “reduzir a dimensão” dos bairros de habitação social — muito numerosos na cidade, mas sem nunca “expulsar ninguém”.
O antigo ministro dos Assuntos Parlamentares elencou vários outros temas: quer mais espaços verdes e menos carros, mais apoios à saúde mental, à infância e ao combate ao isolamento na terceira idade e a retirada de centenas de sem-abrigo das ruas, sublinhado uma e outra vez que todas estas medidas devem seguir valores de “dignidade” e “humanismo”. Olhou ainda para as questões da ciência e da inovação, ao dizer que quer tornar o Porto na “capital do conhecimento”, do turismo, que disse ter de ser “inteligente” — “respeitando quem visita e quem vive” — e da mobilidade. Neste campo, prometeu alargar a gratuitidade dos transportes públicos a todos os portuenses sem exceções.
[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 6.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui, o quarto aqui e o quinto aqui]
A promessa final de Pedro Duarte para a cidade do Porto é uma que tem ocupado cada vez mais espaço nas campanhas: a da segurança. “Para que fique claro: jamais permitiremos que aqueles que vêm de fora desvirtuem a nossa identidade, desrespeitem os nossos costumes, ponham em causa o nosso modo de vida. Os que procuram oportunidades para trabalhar serão bem vindos desde que saibam viver de acordo com as nossas leis, normais sociais e valores civilizacionais”, declarou, prometendo ser “implacável com a imigração ilegal” e destacar mais polícias municipais.
Entre as declarações sobre a cultura — que piscam o olho a um eleitorado mais à esquerda e aos desiludidos com Rui Rio — às promessas sobre a imigração — de olho nos eleitores à sua direita –, Pedro Duarte apresentou uma candidatura abrangente (em temas e espectros políticos) com uma premissa simples: colocar o Porto no seu “lugar natural como capital do Norte”.