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Médicos Sem Fronteiras suspendem distribuição de água em Gaza

Este artigo tem mais de 1 ano

Decisão decorre de um tiroteio perto de um dos pontos de distribuição de água da Médicos Sem Fronteiras em Jan Yunis. "Ninguém deveria ter de arriscar a vida para obter água", declara a MSF.

epa12319450 Displaced Palestinians wait to fill containers with drinking water amid the destruction in the Khan Younis camp, southern Gaza Strip, 24 August 2025. According to the UN around 90 per cent of the population or 1.9 million people in Gaza have been displaced since the start of the conflict.  EPA/HAITHAM IMAD
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▲O para-brisas, os depósitos de água e os pneus do veículo da Médico Sem Fronteiras ficaram danificados durante o tiroteio, que durou mais de 30 minutos

HAITHAM IMAD/EPA

▲O para-brisas, os depósitos de água e os pneus do veículo da Médico Sem Fronteiras ficaram danificados durante o tiroteio, que durou mais de 30 minutos

HAITHAM IMAD/EPA

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A Organização Não-Governamental (ONG) Médicos Sem Fronteiras (MSF) anunciou esta terça-feira ter suspendido a distribuição de água potável em Gaza, após um tiroteio perto de um dos seus pontos de fornecimento, no fim de semana.

A MSF salienta que “ninguém deveria ter de arriscar a vida para obter água”.

“Não podemos aceitar o risco de que os nossos pontos de distribuição de água em camiões se tornem locais de massacre. Devido a este incidente violento, a distribuição de água foi imediatamente suspensa para proteger o pessoal e as comunidades, o que reduziu ainda mais a sua já limitada disponibilidade”, afirmou a responsável pelos projetos da ONG nos territórios palestinianos ocupados, Helen Ottens-Paterson.

A responsável adiantou que “este incidente ocorre apenas dois dias depois” de MSF ter publicado um vídeo “que mostrava como a população de Gaza está a ser deliberadamente privada de água”.

“As pessoas estão a ser impedidas de aceder à água. Desta vez, isso quase lhes custou a vida”, salientou, exigindo que “todas as partes envolvidas no conflito” facilitem “as condições de segurança necessárias para distribuir água”.

“Denunciámos repetidamente este desprezo generalizado por toda a vida humana em Gaza e por todas as necessidades básicas, como a água, necessárias para manter a vida”, afirmou Ottens-Paterson, que salientou que o camião estava “claramente identificado com o logótipo da MSF e era reconhecido como veículo humanitário”.

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A MSF lembrou que, tal como acontece com os alimentos, o combustível e os suprimentos médicos, as autoridades israelitas estão a restringir o acesso à água “a níveis fatais”, embora “estejam agora a criar condições que colocam em risco a vida das pessoas que tentam aceder à pequena quantidade de água autorizada pelas autoridades israelitas na Faixa, água que é essencial para a sobrevivência” da população.

Ottens-Paterson explicou que, no sábado, “houve um intenso tiroteio enquanto várias pessoas, incluindo crianças, se concentravam em torno” de um dos pontos de distribuição de água da MSF em Jan Yunis. “Devido ao caos do momento, não ficou claro de onde vinham os intensos e sucessivos tiros”, acrescentou.

No entanto, indicou que uma menina foi baleada e levada de ambulância para o hospital Nasser, que foi atacado na segunda-feira pelo exército israelita. Um homem foi baleado na mão. “O resto das pessoas, incluindo dois membros da MSF, conseguiu refugiar-se debaixo do camião”, especificou.

Quanto ao veículo da MSF, o para-brisas, os depósitos de água e os pneus ficaram danificados durante o tiroteio, que durou mais de 30 minutos. Além disso, algumas das tendas que se encontravam nas proximidades, onde estavam alojadas pessoas deslocadas, “sofreram danos devido às múltiplas rajadas de balas”, adiantou.

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