Andrew Winchell estava sentado no alpendre de sua casa na manhã desta quarta-feira, quando começou a ouvir um ruído muito alto nas imediações. “Era um pop, ‘pop, pop, pop, pop, pop, pop’ repetitivo e incrivelmente barulhento”, relatou à NBC News. O homem de 42 anos, que trabalha na área da construção civil, achou que se tratava de uma pistola de pregos.
Tratavam-se, na verdade, de tiros a um quarteirão de sua casa, onde na Igreja Católica da Anunciação a missa que dava início ao terceiro dia de aulas do novo ano letivo na Escola Católica da Anunciação tinha sido interrompida por um tiroteio. A atiradora, identificada como Robin Westman, antiga aluna da escola, disparou através dos vitrais, contra os bancos da igreja, matando duas crianças de 8 e 10 anos.
Mike Garrity, de 64 anos, passava em frente à igreja a caminho de casa, do outro lado da rua, e também achou que se tratava de uma pistola de pregos. Percebeu que estava perante um tiroteio quando viu várias crianças a sair da igreja e a chorar. Algumas estavam feridas. Ao lado, vários adultos, que identificou como funcionários e professores da Escola Católica da Anunciação, pediam às pessoas que não entrassem.
Porém, no lado de dentro da igreja, Shea McAdaragh não se recorda dos gritos das crianças, apenas “dos tiros e do silêncio”. Shea acompanhava o filho, do 2.º ano, na celebração religiosa e ambos estavam sentados nos últimos bancos da igreja, quando soaram os primeiros tiros. O pai recordou à CNN que pensou se deveriam fugir para a cave ou para a rua até um polícia ter entrado na igreja, enquanto o tiroteio ainda decorria e ter começado a perseguir a atiradora. “Foi aí que soube que estava a salvo, que as crianças estavam a salvo, que podíamos começar a fazer a triagem dos miúdos”, relatou.
Dentro da Igreja da Anunciação também estava Weston Halsne, um menino de 10 anos, que fez um dos primeiros relatos do ataque aos media locais. Weston contou que estava muito próximo dos vitrais e se tentou esconder debaixo dos bancos. “O meu amigo Victor salvou-me, porque se deitou em cima de mim, mas ele foi atingido”, relatou, admitindo que ficou “super assustado”, mas que Victor já está fora de perigo.
Patrick Scallen, um outro morador da rua dos subúrbios de Minneapolis onde fica a Escola Católica da Anunciação e paroquiano da Igreja da Anunciação, declarou à CNN que saiu de casa assim que ouviu os tiros. Quando chegou à igreja, os tiros tinham acabado e diz ter sido das primeiras pessoas a prestar auxílio às crianças ainda antes de os primeiros carros da polícia ou os serviços de emergência terem chegado ao local.
“Três miúdos saíram [da igreja], dois deles estavam muito feridos. Eles precisavam de alguém e estavam assustados. Eu achei importante acalmá-los e dizer-lhes que alguém estava com eles e que a ajuda vinha a caminho”, partilhou. “[Uma menina] só dizia ‘segura a minha mão, não me deixes’ e eu disse que não ia a lado nenhum”, relatou à BBC. Outra das crianças, um rapaz tinha um ferimento no pescoço e, quando as ambulâncias chegaram ao local, Patrick procurou sinalizar a severidade dos seus ferimentos.
Ao todo, além das duas vítimas mortais, 14 crianças e três adultos na casa dos 80 anos ficaram feridos, confirmaram as autoridades em conferência de imprensa. Sete crianças tiveram de ser hospitalizadas devido aos ferimentos, mas, esta quinta-feira, apenas três continuam internadas.