Um tiroteio numa escola católica na cidade de Minneapolis causou a morte de duas crianças, de oito e dez anos, e feriu 14 crianças e três adultos, tendo a atiradora tirado a própria vida depois do ataque. De acordo com a polícia local, a suspeita, identificada como Robin Westman, de 23 anos, estava “armada com uma espingarda, uma caçadeira e uma pistola”, acabando por usar todas as armas no ataque. Foi encontrada, também, uma bomba de fumo no local.

Segundo o chefe de emergências do hospital da cidade Hennepin Heathcare, Thomas Wyatt, sete das dez vítimas tratadas na instituição chegaram “em estado crítico” e quatro tiveram de ser operadas. Nove dos pacientes eram crianças com idades entre os seis e os 14 anos. À imprensa, o chefe da polícia de Minneapolis, Brian O’Hara, afirmou que espera-se que todas as vítimas sobrevivam aos ferimentos. As três vítimas adultas são pessoas na casa dos 80 anos que estavam a participar na missa. Na noite desta quarta-feira (madrugada em Lisboa), apenas três crianças continuavam internadas no hospital.

A polícia respondeu a um tiroteio pelas 8h30 na hora local (14h30 em Portugal Continental) na Annunciation Catholic School, uma escola que vai do pré-escolar ao 8.º ano e é adjacente a uma igreja católica. De acordo com o horário escolar, àquela hora decorria uma missa que juntava a escola inteira e que tinha começado 15 minutos antes.

“Durante a missa, um atirador aproximou-se do lado de fora, na lateral do edifício, e começou a disparar uma espingarda através das janelas da igreja em direção às crianças sentadas nos bancos da igreja”, relatou Brian O’Hara, que disse que todas as armas tinham sido compradas de forma legal e recentemente.

O chefe da polícia confirmou, mais tarde, que a suspeita do ataque é Robin Westman, de 23 anos. Apesar de ser identificada no “masculino” pelo diretor do FBI, Kash Patel, registos de uma mudança de nome citados pela NBC News e pela Reuters mostram que Westman se identificava como mulher. A carta de condução, analisada pela ABC News, indicava também a atiradora com sendo do género feminino.

De acordo com a filial local CBS Minnesota, Westman terá frequentado a escola e vivia na zona de Richfield, subúrbio de Minneapolis onde fica a instituição. Segundo a BBC, a mãe de Westman, Mary Grace, também tinha passado pela Annunciation Catholic School, onde trabalhou como administrativa entre 2016 e 2021. Questionado sobre este assunto, o chefe da polícia não conseguia confirmar estas informações avançadas pela imprensa.

A NBC News confirmou com fontes policiais que Westman publicou vídeos na Internet antes do tiroteio, “com escritos que fazem referência a suicídio, ‘pensamentos e ideias extremamente violentos‘, um pedido de desculpas à família e um esboço à mão do interior de uma igreja“, embora não seja claro se o desenho mostrava a igreja onde se deu este ataque.

Inicialmente, as autoridades explicaram desconhecer as razões do tiroteio. Mais tarde, O’Hara confirmou que as autoridades tinham tomado conhecimento de “um manifesto que a atiradora tinha agendado para ser lançado no YouTube“. “Este manifesto parecia mostrá-lo no local do crime e incluía alguns escritos perturbadores“, revelou, acrescentando que “esse conteúdo foi removido com a ajuda do FBI e agora permanece sob análise ativa dos investigadores”.

Já o diretor do FBI, Kash Patel, disse no X que o organismo “está a investigar este tiroteio como um ato de terrorismo doméstico e crime de ódio contra católicos“.

Papa deseja “sinceras condolências”. Trump declara bandeiras a meia haste

Uma das crianças que esteve dentro da igreja, Weston Halsne, contou à CNN que se salvou porque um colega que se deitou em cima dele acabou por ser ferido quando ambos se tentavam esconder debaixo dos bancos.  “Acho que atiraram através dos vitrais, e foi muito assustador”, contou Weston, que ficou confuso quando ouviu a primeira salva de tiros. “A primeira vez, eu pensei: ‘O que foi isto?’. E depois ouvi novamente, corri para debaixo do banco e cobri a cabeça. O meu amigo Victor salvou-me, porque se deitou em cima de mim, mas ele foi atingido”, explicou.

À NBC News, a catequista da escola Ellie Mertens, que estava presente na missa, disse que estar sentada num dos bancos lhe salvou a vida. “Era uma arma automática, eu estava perto de crianças e deitamo-nos todos no chão”, lembrou, sublinhando que o ataque terá durado “dois minutos”.

Em reação ao tiroteio, o Presidente dos EUA, Donald Trump declarou que a bandeira dos Estados Unidos será erguida a meia haste até ao próximo domingo, dia 31 de Agosto.

O governador do Minnesota, Tim Walz, disse, por seu turno, na rede social X que o estado estava “de coração partido“. “Desde os agentes que respondem às chamadas, passando pelo pessoal religioso e professores que oferecem conforto, até ao pessoal hospitalar que salva vidas, vamos superar isto juntos“, assegurou Walz.

O Papa Leão XIV, num telegrama enviado pelo secretário Pietro Parolin e citado no Vatican News, desejou “sinceras condolências” para as famílias afetadas pelo tiroteio, assim como “a garantia de proximidade espiritual a todos os afetados por esta terrível tragédia, especialmente às famílias que agora choram a perda de um filho”.

Tiroteio surge na sequência de vários avisos falsos

Como noticia a CNN, este ataque à Annunciation Catholic School surge depois de uma leva de avisos de tiroteio em várias instituições espalhadas pelos EUA e que se revelaram, mais tarde, falsos.

Na quinta-feira passada, os alunos da Universidade de Villanova, na cidade de Radnor, na Pensilvânia, receberam um alerta do sistema universitário de que estaria um atirador no campus. O aviso interrompeu a missa de abertura do ano letivo da instituição católica, obrigando a polícia local e estadual a responder no local e a evacuar as instalações. Só mais tarde, por e-mail, é que a direção acabou por confirmar que não havia qualquer atirador.

“Embuste cruel”. Universidade norte-americana desmente suposto tiroteio e pede desculpa

No mesmo dia, na Universidade do Tennessee, na cidade de Chatanooga, um falso alerta semelhante foi recebido e que obrigou as autoridades a intervir.

De acordo com a BBC, nos últimos dias, a onda de falsos alarmes chegou a oito instituições semelhantes, nomeadamente à Universidade Estadual do Iowa, à Universidade do Arkansas; à Universidade do Norte do Arizona; à Universidade da Carolina do Sul; à Universidade Doane, no Nebrasca; à Universidade de New Hampshire; à Universidade do Colorado e à Universidade Estadual do Kansas.

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