O funeral de Charlie Kirk, ativista conservador que foi baleado no pescoço durante um evento numa Universidade no Utah, realiza-se no próximo domingo, dia 21 de setembro, no estádio State Farm, em Glendale, no Arizona, e representa um teste de grande complexidade para o Serviço Secreto da Casa Branca, refere a CNN.

A cerimónia, que deverá contar com a presença do Presidente dos EUA, membros da administração Trump, dirigentes do Partido Republicano e várias figuras de destaque do meio político, foi anunciada pela organização Turning Point USA e está a mobilizar vários recursos (de segurança).

O estádio, com capacidade superior a 63 mil lugares, abriu inscrições ao público mediante a apresentação de dados pessoais e a sua dimensão levanta riscos adicionais para a proteção das personalidades de topo presentes. A infraestrutura, que é a casa da equipa de futebol americano Arizona Cardinals, tem cobertura retrátil, o que exige planos diferenciados de vigilância em função das condições escolhidas para o evento. Segundo o mesmo canal de televisão, as autoridades já se encontram a instalar pórticos de deteção de metais, a analisar o interior e exterior da infraestrutura e a desenhar um plano de contingência para eventuais ameaças.

O desafio para o Serviço Secreto (agência específica de segurança que protege o Presidente, vice e ex-presidentes bem como dignitários estrangeiros) é inédita e acontece numa altura de pressão acrescida, uma vez que a agência tem de garantir a deslocação de Donald Trump e da primeira-dama ao Reino Unido esta semana e, quase em simultâneo, preparar a Assembleia-Geral das Nações Unidas em Nova Iorque, onde é responsável pela proteção de mais de uma centena de líderes estrangeiros. “O evento de domingo vai levar o Serviço Secreto ao limite. É um esforço de todos os elementos disponíveis — mas há vários grupos distribuídos em simultâneo”, afirmou Jonathan Wackrow, antigo agente do Serviço Secreto e especialista em gestão de riscos.

A incerteza, no entanto, permanece sobre se a cerimónia será classificada como “evento nacional” com segurança especial — o que permitiria reforçar os meios, articulados com as autoridades locais e estaduais. Jonathan Wackrow explicou à CNN que “este local pode ser visto como um alvo atrativo para alguém hostil, face à sua exposição. A possibilidade de ser perturbado através de uma variedade de ameaças, ou mesmo da ameaça da ameaça, é algo em que as autoridades têm de se concentrar e aplicar protocolos de mitigação desde já”.

“O Serviço Secreto junta-se ao país para apresentar as mais sentidas condolências à família e amigos de Charlie Kirk. O planeamento conjunto de segurança está em curso para o funeral e as informações relevantes sobre segurança pública serão divulgadas à medida que o processo se desenvolve nos próximos dias”, declarou o porta-voz, Anthony Guglielmi.

Entre os cenários considerados estão ataques com carros contra multidões, utilização de substâncias biológicas e a necessidade de posicionar atiradores de elite dentro e fora do estádio. A proteção de figuras de alto perfil, como o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que já indicou a sua intenção de marcar presença, será também uma prioridade.

A Casa Branca, segundo fonte republicana citada também pela CNN, solicitou ao Congresso um reforço de 58 milhões de dólares (cerca de 49 milhões de euros) para a segurança das secções executiva e judicial após Tyler Robinson, estudante de 22 anos de engenharia elétrica, ter matado Charlie Kirk.

A confissão ao pai e a denúncia às autoridades. As 33 horas da caça ao homem do FBI que levaram à detenção de Tyler Robinson

A morte do ativista republicano está, inclusive, a obrigar políticos e candidatos norte-americanos a ponderar não realizar eventos públicos. Várias campanhas decidiram cancelar encontros por motivos de segurança, num momento em que se aproximam as eleições intercalares.

“Há uma série de sinais de alerta vermelho neste momento para quem ocupa cargos eletivos ou, como Charlie Kirk, influencia politicamente o debate. A pergunta é: porquê? Porque assistimos a uma mudança significativa que normaliza o homicídio dirigido por causa de ressentimentos”, afirmou Wackrow, recordando também a morte da deputada estadual do Minnesota, Melissa Hortman, e do seu marido, assim como a morte em Manhattan do presidente executivo da United Healthcare, Brian Thompson.

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