“Vamos andar até ao Capitólio. E eu lá estarei com vocês e vamos lutar até ao fim”. As palavras foram ditas por Donald Trump no dia 6 de Janeiro de 2021, momentos antes de centenas dos seus apoiantes terem invadido o Capitólio — mas não foram ditas de forma seguida como aparece no documentário da BBC “Trump: uma segunda chance?“, transmitido pelo canal público britânico pouco antes das eleições de 2024.

Na verdade, as duas frases foram ditas com quase uma hora de distância. No discurso do dia 6 de Janeiro, o então Presidente declarou primeiro: “Vamos andar até ao capitólio e aplaudir os nossos senadores corajosos”. E só 50 minutos depois é que disse: “Vamos lutar até ao fim”. Entre as duas frases, Trump disse ainda “Vamos de forma patriótica e pacífica fazer ouvir as nossas vozes“, uma frase que não aparece no documentário. O discurso levou a que fosse formalmente acusado de ter incentivado os manifestantes que protagonizaram o motim.

Os cortes feitos na edição do documentário transmitido no programa Panorama foram criticados num memorando interno, revelado esta segunda-feira pelo The Telegraph. O memorando foi assinado por Michael Prescott, um conselheiro externo do comité de normas e diretrizes editoriais da BBC, detalha o The Guardian, notando que Prescott abandonou o cargo no verão.

“Foi completamente enganador editar o excerto da forma como o Panorama o transmitiu. O facto de Trump não ter exortado explicitamente os seus apoiantes a ir até ao Capitólio e a lutar é uma das razões porque não houve acusações federais de incitamento aos motins”, pode ler-se no memorando, que foi enviado ao conselho de administração da BBC, relativo à transmissão do programa.

Num documento anexado ao memorando, Prescott acrescenta que tornou o documento público por causa do seu “desespero com a falta de ação do executivo da BBC quando problemas aparecem” e critica o facto de a administração ter ignorado os alertas de um organismo que foi fundado com esse mesmo propósito, destaca o The Telegraph.

Ao The Guardian, a BBC declarou que “os comentários são levados a sério e cuidadosamente considerados”. “Michael Prescott é um antigo conselheiro de um comité com visões e opiniões divergentes da nossa cobertura que são discutidas e debatidas de forma rotineira”, justificou o canal público.

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