Ghislaine Maxwell, a socialite britânica que se encontra a cumprir uma pena de 20 anos de prisão devido ao seu envolvimento na rede de tráfico sexual liderada por Jeffrey Epstein, estará a tentar conseguir uma comutação da pena junto do Presidente norte-americano. Para isso, Maxwell está a trabalhar numa “candidatura à comutação”, denunciou a congressista democrata, Jamie Raskin, esta segunda-feira citando um informador que revelou o caso ao Comité Judiciário da Câmara dos Representantes.

Ainda que não seja claro qual o conteúdo concreto deste documento, o Comité recebeu informação que a diretora da prisão federal onde Maxwell se encontra está a “ajudar diretamente” a antiga companheira de Epstein a “copiar, imprimir e enviar documentos relativos à candidatura”. Um perdão presidencial, assinado por Donald Trump, é a única forma de Maxwell ver a sua pena comutada, depois de ter visto o seu último recurso sobre o caso negado pelo Supremo Tribunal.

A diretora da prisão não está, contudo, a ajudar Maxwell apenas no que toca à sua tentativa de alcançar um perdão. As informações a que o Comité do Congresso norte-americano teve acesso revelam que a mulher de 63 anos terá sido alvo de um tratamento preferencial na prisão — ou, nas palavras de Raskin, terá sido “mimada“.

Os privilégios incluem a preparação de refeições especiais, uma permissão para utilizar as áreas de recreação da prisão com escolta, num horário diferente das restantes reclusas ou para aceder a zonas de recreação dos funcionários prisionais e a realização de visitas privadas da família, em que os visitantes são recebidos numa zona reservada da prisão, têm acesso a “snacks e refrescos” e podem ainda trazer os seus computadores — o que, como nota a congressista, pode ser um risco de segurança pois permite a comunicação não supervisionada de Maxwell com o exterior.

Além disso, Maxwell utiliza a diretora da prisão como “a sua secretária pessoal e assistente administrativa” e tem permissão para brincar com cãezinhos que estão a ser treinados para serem cães de serviço — este acesso é proibido até aos funcionários prisionais, uma vez que os animais estão em treino. Maxwell tem tido acesso aos “mimos” desde que foi transferida para a prisão de baixa segurança no Texas, em agosto, depois de uma reunião com o procurador-geral adjunto, Todd Blanche.

As questões foram enviadas ao Presidente Donald Trump pela congressista democrata, que criticou o tratamento especial que a reclusa está a receber, assim como a possibilidade de a sua pena vir a ser comutada. Contudo, questionada pelo The Guardian, a Casa Branca declarou que o tema não estava, por agora, em cima da mesa. “Como o Presidente Trump já disse, perdoar Ghislaine Maxwell não é algo em que tenha pensado“, declarou uma porta-voz da Presidência.

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