As primeiras horas do conflito entre os Estados Unidos da América, Israel e o Irão ficaram marcadas pelo míssil que atingiu uma escola primária feminina na cidade iraniana de Minab, no sul do país. Pelo menos 165 pessoas morreram, de acordo com as autoridades de Teerão, mas a origem do ataque, perto de uma semana depois, continua por desvendar.

Do lado iraniano do conflito, os dedos foram logo apontados para Telavive e Washington como tendo sido os grandes responsáveis pela ofensiva que matou mais de uma centena de jovens estudantes. As forças israelitas e norte-americanas, por sua vez, numa primeira instância, acusaram o Irão de ter bombardeado o próprio território. Mas, esta quarta-feira, o Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, admitiu que o ataque estava a ser investigado internamente, para confirmar se houve, ou não, responsabilidade norte-americana.

“É claro que nunca temos civis como alvos, mas estamos a investigar”, admitiu Hegseth em conferência de imprensa, em resposta a uma pergunta de um jornalista. Já quase uma semana após os factos terem ocorrido, a Reuters adianta que os militares responsáveis pela investigação acreditam que é possível que tenha sido um míssil dos Estados Unidos a atingir a escola de Minab, citando dois altos funcionários norte-americanos que falaram à agência em anonimato.

Não obstante, e pelo facto de ainda não terem chegado a uma conclusão objetiva, admitem que podem existir provas ainda por verificar que absolvam o exército norte-americano e atribuam a responsabilidade para uma das outras duas grandes potências militares envolvidas diretamente no conflito.

Pouco tempo após a imprensa iraniana ter noticiado o ataque, os porta-vozes do Departamento de Defesa dos EUA e do exército israelita revelaram que não tinham conhecimento de qualquer ofensiva naquele local. Em Israel, como recorda a Al Jazeera, chegou a circular a informação que dizia que a escola era, na verdade, uma base da Guarda Revolucionária do Irão. Mas a hipótese não se confirmou.

A cidade de Minab, situada no coração do Estreito de Ormuz, é um ponto chave desta força militar iraniana. Assim, recebe uma grande concentração de instalações militares dos diferentes braços armados da Guarda Revolucionária. Como explica o canal sediado no Qatar, a escola Shajareh Tayyebeh pertence a uma rede escolar que está associada à Marinha desta força, pelo que uma grande parte dos estudantes são as filhas dos militares. De qualquer modo, reforçam que o complexo escolar é distinto do complexo militar naquela área.

Na análise feita pela Al Jazeera, mostram que na primeira manhã do conflito, quando um míssil atingiu a escola, as instalações que estão oficialmente designadas como postos militares foram também destruídas. Porém, uma clínica especializada que se encontra no mesmo recinto que a escola primária e o quartel militar, permaneceu intacta.

[Depois de anos em fuga, o guru é finalmente detido. Mas o movimento de yoga e as escolas em todo o mundo continuam a funcionar. Ouça o último episódio de “Os segredos da seita do yoga”, o novo Podcast Plus do Observador. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Daniela Ruah, com banda sonora original de Benjamim. Pode ouvir aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir aqui o primeiro episódio, aqui o segundo, aqui o terceiro e aqui o quarto e aqui o quinto episódio]