Peter Mandelson assumiu o cargo de embaixador no Reino Unido em Washington apesar de ter reprovado no controlo de segurança inicial, ou seja, na verificação de antecedentes. O Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico terá anulado a decisão dos serviços de verificação com o objetivo de garantir que o nome nomeado por Keir Starmer avançasse.
De acordo com o The Guardian, Mandelson viu o seu pedido de acreditação recusado no dia 28 de janeiro de 2025 (dias antes de assumir funções), após um processo de verificação conduzido pela autoridade de segurança britânica, a UK Security Vetting. Na altura, o primeiro-ministro, Keir Starmer, já tinha anunciado a sua intenção de o nomear como embaixador nos Estados Unidos. Criou-se, assim, um dilema para o ministério, que acabou por recorrer a um mecanismo raramente utilizado: anular a recomendação negativa.
Esta revelação levanta novas dúvidas sobre o julgamento político de Starmer, que afirmou publicamente que o processo de segurança tinha dado “luz verde” a Mandelson.
Na altura, o secretário permanente do ministério era Olly Robbins e o chefe da diplomacia era David Lammy, atual vice-primeiro-ministro. Numa carta enviada em setembro à comissão de Negócios Estrangeiros, os dois afirmaram que o processo de acreditação tinha seguido os procedimentos habituais e que a autorização tinha sido dada antes da tomada de posse. No entanto, não referiram que a UK Security Vetting tinha recomendado a não nomeação de Mandelson.
O processo decorreu num período de 48 horas. Dois dias depois, Mandelson foi informado de que a sua acreditação estava “confirmada“. O político assumiu então funções como embaixador britânico nos Estados Unidos, mas acabaria por ser demitido sete meses depois na sequência da divulgação da sua relação com o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein.
Starmer alegou, nessa altura, que não sabia da profundidade da relação entre os dois homens. Antes de ser apontado no cargo, o primeiro-ministro questionou os contornos da relação com o trabalhista que já se envolvera em outros escândalos no passado. Mesmo assim, o chefe do executivo britânico terá ficado esclarecido e terá, assim, dado luz verde à nomeação para embaixador.
As reações a esta decisão do Governo britânico já começaram a surgir. Esta quinta-feira, a líder conservadora, Kemi Badenoch, afirmou que, caso Starmer tenha induzido o parlamento em erro, “deve assumir responsabilidades“. Já o líder liberal-democrata, Ed Davey, defendeu que, se o primeiro-ministro mentiu, “tem de sair“.
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