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O Governo do Japão aprovou esta terça-feira um alívio das normas de exportação de equipamento de defesa, o que permitirá ao país vender armas para o estrangeiro pela primeira vez.
A medida visa reforçar a cooperação em matéria de segurança, num contexto de conflitos como os do Irão e da Ucrânia.
A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, anunciou que o executivo aprovou a medida e afirmou que, “num ambiente de segurança cada vez mais complexo, nenhum país pode proteger a sua paz e segurança sozinho“, mas antes “precisa que os países parceiros se apoiem mutuamente em questões de defesa”.
“Atender a estas necessidades e transferir equipamento de defesa contribuirá para melhorar as capacidades de defesa destes países e, em última instância, para prevenir conflitos, garantindo assim a segurança do Japão”, declarou a líder nipónica, numa mensagem publicada na rede social X.
As the security environment becomes increasingly severe, by promoting the transfer of defense equipment and strengthening the defense capabilities of partner countries, we will ensure Japan’s security and contribute to the peace and stability of the region and the world.
— 内閣官房 (@Naikakukanbo) April 21, 2026
Takaichi referiu ainda a possibilidade de troca de peças ou armas entre países parceiros, “reforçando a cooperação mútua”, com aqueles que “se comprometem a usar o equipamento de acordo com a Carta da ONU”.
Quando a Ucrânia apelou às nações amigas por armas para repelirem a invasão da Rússia, por exemplo, o Japão manifestou solidariedade, mas absteve-se de enviar armas, fornecendo, em vez disso, coletes à prova de bala e veículos.
A mudança foi também aprovada pelo Conselho de Segurança Nacional, segundo a agência de notícias japonesa Kyodo.
Os rigorosos controlos de exportação de equipamento militar limitavam a venda de artigos de defesa a cinco categorias: resgate, transporte, alerta, vigilância e desminagem.
Agora, a revisão inclui uma cláusula que permite a exportação de armas, incluindo letais, para países em conflito, caso as autoridades considerem que existem “circunstâncias especiais”.
A decisão já esperada causou preocupação entre o público japonês. Críticos acusam a líder do Governo de minar a história de pacifismo do país desde a Segunda Guerra Mundial.
Apesar disso, Takaichi afirmou que o compromisso do Japão em manter o percurso como nação pacífica há mais de 80 anos “permanece inalterado”.
A mudança, parte da revisão de 2022 da estratégia de segurança nacional, gerou debates sobre o significado da venda de armamento letal para um país governado por uma Constituição pacifista.
Com o plano de segurança nacional, as autoridades delinearam uma mudança sem precedentes nas políticas de defesa do Japão, ao defenderem o reforço das capacidades do país através do aumento das despesas militares e da aquisição de armamento como mísseis de cruzeiro e hipersónicos.
A primeira-ministra ultranacionalista, em funções desde outubro, fez desta medida um pilar da sua política.
Takaichi defende que permitirá ao arquipélago reforçar a defesa nacional e tornar a indústria bélica num motor de crescimento económico.