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Irritado, sem dormir e com "visão cor-de-rosa" da guerra, Trump "acha que pode fazer o que quiser”: o clima de "confusão" na Casa Branca

Frustrado com os aliados, hostil a reuniões longas e agarrado às redes. Nos bastidores da Casa Branca, a diplomacia no Golfo está refém dos instintos de Trump e de uma equipa incapaz de o controlar.

epa12691734 US President Donald J Trump gives remarks during a signing ceremony for an Executive Order creating the 'Great American Recovery Initiative' to tackle drug addiction in the Oval Office of the White House in Washington, DC, USA, 29 January 2026.  EPA/AARON SCHWARTZ / POOL
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Uma fonte próxima de Trump descreve a gestão atual como uma "grande confusão" sem "nenhuma responsabilização"

AARON SCHWARTZ / POOL/EPA

Uma fonte próxima de Trump descreve a gestão atual como uma "grande confusão" sem "nenhuma responsabilização"

AARON SCHWARTZ / POOL/EPA

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Em 48 horas, um acordo “próximo” com o Irão pode passar a um cenário de ameaça militar total. Na Casa Branca, uma legião de conselheiros submissos a Donald Trump — os chamados “yes men” — estarão a condicionar a margem para avanços diplomáticos no Médio Oriente. Nos bastidores, revelados pelo jornal The Telegraph, os assessores tentam controlar o ruído gerado pelas constantes publicações Trump na Truth Social. Até agora, sem sucesso.

O retrato dos corredores de decisão feito pelo jornal descreve uma desorientação profunda. “Ninguém na administração parece saber o que está a acontecer, quais são os planos ou o que estamos à procura”, revelou uma fonte próxima de Trump, descrevendo a gestão atual como uma “grande confusão” sem “nenhuma responsabilização”.

Os gritos, os palavrões e a “expulsão” do Presidente da sala de crise. Os dias quentes na Casa Branca, em plena guerra com o Irão

Um episódio ocorrido no domingo ilustra o clima de desordem. Pouco depois de Mike Waltz, embaixador dos EUA nas Nações Unidas, e Chris Wright, secretário da Energia, garantirem em programas televisivos que J.D. Vance lideraria as negociações em Islamabad, o próprio Presidente desmentia a informação aos jornalistas, alegando razões de segurança. Mais tarde, Trump confirmava que, afinal, o seu vice-presidente viajaria mesmo para o Paquistão.

Reuniões de segurança nacional “já não acontecem”, porque Trump “não gosta”

Este comportamento errático é visto por ex-funcionários como um sinal de que o Presidente está cada vez mais distante das estruturas formais que orientam uma nação em tempos de guerra. Mais do que distante, Trump mostra-se alérgico às longas reuniões de segurança nacional que tradicionalmente antecedem as decisões militares dos EUA. “Isso simplesmente já não acontece, Trump não gosta, ele sente-se limitado”, afirmou John Bolton, ex-conselheiro de segurança nacional do Presidente, ao The Telegraph.

Em vez dos métodos e canais oficiais, Donald Trump prefere confiar nos seus instintos e no seu núcleo mais próximo, que ocultará o que acha negativo. O Presidente é informado, com vídeos diários, sobre os sucessos militares, mas mantido na ignorância sobre os fracassos, incluindo sobre o ataque a uma escola que terá vitimado mais de 170 crianças. Até Susie Wiles, a chefe de gabinete, já terá expressado preocupação pelo facto de os assessores estarem a dar ao Presidente uma visão “cor-de-rosa” da realidade no terreno.

A diferença de postura em relação ao primeiro mandato é notória para quem o acompanha, segundo o jornal britânico. Se antes os assessores conseguiam enquadrar as decisões através de processos que demonstravam vantagens políticas, agora a convicção interna é a de que o Presidente se sente livre de quaisquer amarras: “Agora ele acha que pode fazer o que quiser”.

“São as publicações dele que estão a causar o caos”

O desgaste pessoal de Trump também transparece na gestão da crise. Descrito por uma das fontes citadas como cada vez mais irritável e privado de sono, o Presidente norte-americano tem multiplicado as publicações na Truth Social, feitas sem qualquer revisão. Os seus assessores, que outrora tentavam moderar a sua presença digital, assistem agora impotentes à torrente de mensagens que flui sem filtros.

“São as publicações dele que estão a causar o caos”, desabafa um diplomata do Golfo Pérsico. “Há coisas boas e más, mas as más têm efeitos significativos. Por trás de cada tweet, existe um motivo para a publicação, geralmente relacionado ao mercado de ações”, acrescenta.

Se por um lado demonstra entusiasmo com o poderio militar norte-americano, por outro lado, a frustração de Trump tem sido canalizada para os aliados — caso o nome ainda sirva — da NATO. Na Casa Branca, escreve o jornal, o pânico ter-se-á instalado ao perceber-se que os europeus não viriam em socorro dos EUA. Com a paciência a esgotar-se, o Chefe de Estado já terá confidenciado a colaboradores próximos que a sua vontade é, simplesmente, deixar de lidar com todo o processo.

Trump terá feito lista de aliados “bons” e “maus” da NATO para distinguir quem ajudou EUA na guerra contra o Irão

Com tudo isto, um desfecho para o conflito permanece bloqueado. As exigências do Irão e dos Estados Unidos continuam em rota de colisão, confirmando que, até ao momento, as pretensões de ambos os lados são totalmente irreconciliáveis.

[Um beijo no primeiro encontro e três viagens em menos de três meses. Ao 85.º dia de relação, o aspirante a modelo matou o cronista socialOs ficheiros do caso Carlos Castro”, o novo Podcast Plus do Observador, conta os bastidores nunca revelados da investigação a um crime brutal. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir aqui, no site do Observador, o terceiro episódio e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir também aqui o primeiro episódio e aqui o segundo]

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