Paulo Portas, ex-vice-primeiro-ministro, considera que as Nações Unidas “têm sido irrelevantes” nos atuais conflitos internacionais em curso e defende que António Guterres podia ter tido um papel mais forte ao longo do mandato como secretário-geral da ONU, que está a terminar. Em declarações à Rádio Observador, Portas lamenta que Guterres se tenha focado demasiado na questão das alterações climáticas ao longo dos últimos anos.
Ouvido na “História do Dia” da Rádio Observador, Paulo Portas admite que não se recorda de uma eleição para a liderança da ONU “que fosse tão residual do ponto de vista informativo”. Para o também ex-Ministro dos Negócios Estrangeiros, esta falta de mediatismo é reflexo do atual estado das Nações Unidas.
Os princípios gerais da Carta das Nações Unidas, estejam certos ou errados, são derrogados todos os dias. A ONU não está a viver os seus melhores tempos. Foi quase irrelevante na Guerra da Ucrânia e tem sido irrelevante na questão do Golfo”, sentencia Paulo Portas.
Paulo Portas vai mais longe e afirma que “as Nações Unidas deixaram-se atrasar e caducar”. “O Conselho de Segurança da ONU é totalmente disfuncional e é uma fotografia a preto e branco de um mundo que já não existe”, lamenta. Isto apesar de, ressalva, “as Nações Unidas serem necessárias” perante um “mundo imperfeito e de potências”.
António Guterres assumiu o cargo de secretário-geral da ONU em janeiro de 2017 e foi reconduzido para um segundo mandato, que termina no final deste ano. Paulo Portas considera que Guterres “não foi um secretário-geral num mundo feliz” mas podia ter sido melhor e aponta duas falhas:
Em primeiro, o uso do poder da palavra. Talvez não tenha sido suficientemente utilizado. Em segundo, focou-se muito nas alterações climáticas. É uma questão séria, mas o mundo tem muitos outros problemas”, resume.
Para já, há quatro candidatos na corrida: à cabeça, Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA); Michelle Bachelet, ex-Presidente do Chile, que pode tornar-se a primeira mulher a liderar a ONU; Rebeca Grynspan, ex-vice-presidente da Costa Rica; e o ex-presidente senegalês Macky Sall.
Para Paulo Portas, estes candidatos “não entusiasmam” e “são a consequência — ou até a causa” da falta de mediatismo em torno da eleição para a sucessão de António Guterres na liderança da ONU.
Ouça aqui a História do Dia na íntegra:
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