O procurador-geral de Inglaterra e do País de Gales, Richard Hermer, decidiu restringir o uso da rede social X pelo seu gabinete, que só poderá usar a plataforma para publicações que tenham como objetivo combater a desinformação. A última publicação da conta atribuída ao “Attorney General’s Office” foi feita na passada sexta-feira, dia 12 de junho, mas sabe-se que os funcionários foram instruídos para não utilizar mais o site, avançou o The Guardian.
A decisão de Hermer, comunicada aos funcionários através de uma diretiva na semana passada, surge no meio das crescentes preocupações sobre a sua utilização da plataforma para incitar ao ódio, violência e racismo. As manifestações em Southampton no início deste mês — relacionadas com o homicídio de Henry Nowak — e os motins em Belfast — após um cidadão sudanês tentar decapitar um homem na Irlanda do Norte — terão motivado a decisão de Hermer.
Foi principalmente na plataforma de Musk que a preparação dos motins e a mobilização da revolta ganharam força com um objetivo: dividir comunidades. Nos dois casos, figuras como o populista Nigel Farage acabaram por apelar à mobilização das massas em resposta aos acontecimentos.
The fear of being called racist was greater than dealing with Henry Nowak’s murder.
We should respond to this with pure cold rage.
Britain’s historic way of life is being thrown away. pic.twitter.com/4N6vL76q1F
— Nigel Farage MP (@Nigel_Farage) June 2, 2026
O próprio Elon Musk chegou a comentar sobre as circunstâncias da morte de Henry Nowak, comparando o momento ao assassinato de George Floyd — que acabou por criar o movimento “Black Lives Matter” em 2020. Seis dias depois, a par dos protestos em Belfast, numa publicação na rede social X, disse que “são os imigrantes assassinos que estão a causar revolta” e não as “redes sociais”.
Murderous migrants beheading innocent people in their home town is what’s making people angry, not “social media”!
— Elon Musk (@elonmusk) June 10, 2026
Outrageous double-standard! https://t.co/HusrBJNwoh
— Elon Musk (@elonmusk) June 2, 2026
Apesar das críticas, o Executivo de Keir Starmer tem defendido a utilização da plataforma, regularmente criticada, alegando que é necessária para fazer chegar ao público as mais diversas informações. Por outro lado, esta segunda-feira, o Governo anunciou que as redes sociais, inclusive a de Elon Musk, vão ser proibidas para os menores de 16 anos, como uma medida de proteção.
Em março deste ano, o Serviço Europeu de Ação Externa (SEAE) divulgou um relatório intitulado “Ameaças de ingerência externa e de manipulação de informação” que identificou a plataforma X como o principal canal utilizado para atividades de desinformação contra a União Europeia e figuras políticas. Sobretudo em períodos eleitorais ou quando existem manifestações populares, os eventos são explorados para “alimentar perceções de caos, medo e desordem”, refere o relatório.
Atualmente, qualquer censura oficial ao X é da competência da Ofcom — regulador dos meios de comunicação e das telecomunicações no Reino Unido —, que neste momento está a aguardar o primeiro relatório trimestral de conformidade da plataforma.
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A alteração da “Online Safety Act” (Lei de Segurança Online) para exigir que as empresas e redes sociais atuem de forma mais rápida na remoção de conteúdos ilegais e que incitem ao ódio também já está prevista, mas não entrará em vigor antes de meados de julho.
Texto editado por Cátia Andrea Costa