O procurador-geral de Inglaterra e do País de Gales, Richard Hermer, decidiu restringir o uso da rede social X pelo seu gabinete, que só poderá usar a plataforma para publicações que tenham como objetivo combater a desinformação. A última publicação da conta atribuída ao “Attorney General’s Office” foi feita na passada sexta-feira, dia 12 de junho, mas sabe-se que os funcionários foram instruídos para não utilizar mais o site, avançou o The Guardian.

A decisão de Hermer, comunicada aos funcionários através de uma diretiva na semana passada, surge no meio das crescentes preocupações sobre a sua utilização da plataforma para incitar ao ódio, violência e racismo. As manifestações em Southampton no início deste mês — relacionadas com o homicídio de Henry Nowak — e os motins em Belfast — após um cidadão sudanês tentar decapitar um homem na Irlanda do Norte — terão motivado a decisão de Hermer.

Foi principalmente na plataforma de Musk que a preparação dos motins e a mobilização da revolta ganharam força com um objetivo: dividir comunidades. Nos dois casos, figuras como o populista Nigel Farage acabaram por apelar à mobilização das massas em resposta aos acontecimentos.

O próprio Elon Musk chegou a comentar sobre as circunstâncias da morte de Henry Nowak, comparando o momento ao assassinato de George Floyd — que acabou por criar o movimento “Black Lives Matter” em 2020. Seis dias depois, a par dos protestos em Belfast, numa publicação na rede social X, disse que “são os imigrantes assassinos que estão a causar revolta” e não as “redes sociais”.

Apesar das críticas, o Executivo de Keir Starmer tem defendido a utilização da plataforma, regularmente criticada, alegando que é necessária para fazer chegar ao público as mais diversas informações. Por outro lado, esta segunda-feira, o Governo anunciou que as redes sociais, inclusive a de Elon Musk, vão ser proibidas para os menores de 16 anos, como uma medida de proteção.

Em março deste ano, o Serviço Europeu de Ação Externa (SEAE) divulgou um relatório intitulado “Ameaças de ingerência externa e de manipulação de informação” que identificou a plataforma X como o principal canal utilizado para atividades de desinformação contra a União Europeia e figuras políticas. Sobretudo em períodos eleitorais ou quando existem manifestações populares, os eventos são explorados para “alimentar perceções de caos, medo e desordem”, refere o relatório.

Atualmente, qualquer censura oficial ao X é da competência da Ofcom — regulador dos meios de comunicação e das telecomunicações no Reino Unido —, que neste momento está a aguardar o primeiro relatório trimestral de conformidade da plataforma.

Grok admitiu publicação na rede social X de imagens sexuais de menores usando IA

A alteração da “Online Safety Act” (Lei de Segurança Online) para exigir que as empresas e redes sociais atuem de forma mais rápida na remoção de conteúdos ilegais e que incitem ao ódio também já está prevista, mas não entrará em vigor antes de meados de julho.

Texto editado por Cátia Andrea Costa