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Onze meses depois da morte de George Floyd ter funcionado como rastilho para uma série de protestos contra o racismo e a violência racial, não só nos EUA (com maior e com menor grau de violência) como no mundo, o estado do Minnesota voltou a ser epicentro de manifestações contra o racismo e contra a morte de um cidadão negro após confronto com a polícia.

Desta vez os protestos, que aconteceram este domingo, devem-se à morte de um americano chamado Daunte Wright, de 20 anos, na cidade de Brooklyn Center — que fica a poucos quilómetros de Minneapolis, a cidade onde George Floyd morreu asfixiado pelo joelho de um polícia em maio do ano passado.

Os protestos juntaram centenas de manifestantes, que se aglomeraram em frente à sede de esquadra da polícia de Brooklyn Center. Segundo relata a Sky News, houve quer protestos pacíficos quer ações subversivas e violentas.

Por um lado viram-se manifestantes a empunhar cartazes com o slogan “Black Lives Matter”, a escrever com giz no asfalto as palavras “Justiça Para Daunte Wright” e a ajoelharem-se colocando as mãos cruzadas sobre a cabeça, imitando um gesto habitualmente feito quando se tem uma arma apontada pela polícia. Por outro lado, alguns manifestantes atiraram pedras e vandalizaram carros da polícia, saltando em cima deles, como as fotografias neste texto ilustram.

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[As fotografias da manifestação deste domingo em Brooklyn Center, Minnesota:]

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Em alguns momentos a polícia foi forçada a agir de forma mais musculada, lançando gás lacrimogéneo e disparando balas de borracha.

Uma repórter da estação BBC descreveu as ações de protesto detalhando a tentativa de aproximação de manifestantes aos polícias, um cântico entoado — “se não virmos justiça, eles não terão paz” —, os gestos de ativistas a ajoelharem-se e as ações silenciosas de alguns dos presentes que empunhavam listas com nomes de americanos negros que foram mortos após confronto com a polícia.

A polícia vs Daunte Wright: duas versões e pedidos de ONG’s

Na manifestação deste domingo estavam “amigos e familiares de Daunte Wright”, o norte-americano negro de 20 anos que morreu alvejado pela polícia no mesmo dia (domingo), em Brooklyn Center. Segundo a Sky News, Daunte Wright foi parado pela polícia de Brooklyn Center a aproximadamente 16 quilómetros do local onde George Floyd morreu quando estava sob custódia (detenção) das autoridades, no ano passado.

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A estação britânica de televisão refere que a mãe de Daunte, Katie Wright, afirmou aos jornalistas no local que recebeu uma chamada do filho no domingo à tarde. Segundo Katie Wright, o filho afirmou que a polícia o mandou parar por ter ambientadores pendurados no espelho retrovisor interior, o que é ilegal no estado. “Ouvi som de discussão e ouvi os polícias dizerem: Daunte, não fujas”, afirmou ainda Katie Wright, indicando que depois a chamada caiu e só voltou a saber do filho já depois de este ter morrido no local.

A versão da polícia, porém, tem outros contornos. Em comunicado, a polícia de Brooklyn Center diz ter mandado parar um homem — que não identifica — por um delito rodoviário depois das 14h locais. As autoridades ter-se-ão depois apercebido, segundo dizem, que havia um mandado de detenção pendente sobre Daunte Wright. Os agentes terão depois tentado deter o homem, que terá conseguido regressar ao carro. Um dos agentes alvejou de seguida o homem. O carro terá ainda andado alguns quarteirões antes de bater noutro automóvel, com o homem a morrer no local.

Segundo a polícia, os dois polícias envolvidos na situação tinham câmaras instaladas no corpo que terão registado o incidente. A organização sem fins lucrativos American Civil Liberties Union já pediu que o vídeo fosse tornado público e há pedidos para uma investigação independente — e não da própria polícia — à ação dos dois agentes envolvidos.