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A casa, em São Mamede de Infesta, onde Ana Rita foi encontrada morta
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▲A casa, em São Mamede de Infesta, onde Ana Rita foi encontrada morta

▲A casa, em São Mamede de Infesta, onde Ana Rita foi encontrada morta

A vizinha que já não conseguiu ajudar, a fuga de carro e a detenção em Lisboa. Entrou em casa da ex-namorada e matou-a com uma faca

Jovem invadiu a casa da ex-namorada e matou-a em Matosinhos. Antes de fugir, atacou o atual companheiro da vítima. Vizinhos relatam gritos e pedido de ajuda. Foi detido no aeroporto de Lisboa.

Quando, pelas 20 horas de segunda-feira, os Bombeiros de São Mamede de Infesta entraram em casa de Ana Rita, na Rua Padre José Pinho, já pouco poderia ser feito para reverter as consequências do episódio de violência que encontraram: um jovem casal estava ensanguentado e em estado crítico. A mulher de 25 anos estava na sala e o namorado, dois anos mais novo, na casa de banho, ambos com ferimentos com sinais de terem sido provocados por uma faca. Do agressor, nem sinal — e assim continuaria por largas horas.

“A Rita veio à janela. Estava sem força nenhuma, o peito estava todo vermelho de sangue. Ela não gritou. Só disse “AJUDA!”, relata uma vizinha. Ainda em choque, conta que logo a seguir viu o agressor a agarrar a vítima, a puxá-la e a fechar a janela.

Matou ex-namorada e atacou o atual namorado da vítima em Matosinhos. Fugiu de carro e foi intercetado pela PSP no Aeroporto de Lisboa

Cerca de 20 minutos antes da chegada dos cinco bombeiros, o ex-namorado de Ana Rita entrou na casa onde também chegou a viver munido de uma faca e atacou, sem piedade, as duas vítimas. Os operacionais ainda tentaram salvar a mulher, mas, depois de serem realizadas manobras de reanimação, o óbito acabou por ser declarado no local. A outra vítima tinha ferimentos igualmente graves, mas foi levada com vida para o Hospital de São João, onde ainda se encontra internado e em estado crítico.

O suspeito, de nacionalidade brasileira, fugiu no carro da vítima e as autoridades lançaram uma caça ao homem em todo o país. Os vizinhos dizem que esteve em Penafiel, mas o alegado homicida só foi detido a meio da manhã, já em Lisboa.

Enquanto os bombeiros socorriam a vítima e a PSP era acionada — para, depois, passar a investigação para a Diretoria do Norte da Polícia Judiciária —, já o suspeito, um cidadão brasileiro de 26 anos, estava ao volante do carro da vítima mortal, em fuga às autoridades. Durante várias horas ninguém sabia por onde andava, apesar de terem sido divulgadas imagens pela Rádio Regional que mostravam o homem ao volante e a passar uma portagem, ainda que sem qualquer referência sobre o local onde foram recolhidas.

Tal como a PSP, a GNR também foi mobilizada para uma verdadeira operação de caça ao homem comandada pela PJ. As primeiras informações davam conta de que o suspeito estaria em Penafiel, o que acabaria por não ser confirmado, segundo avançou o Destacamento Territorial local ao Observador. Ainda assim, a Guarda manteve-se no terreno e atenta a sinais que pudessem levar à descoberta do paradeiro do homem que se suspeitava que pudesse estar a tentar fugir do país.

Horas depois, e 300 quilómetros a sul do local do homicídio, as suspeitas das autoridades foram confirmadas: o carro em que o alegado autor do homicídio tinha fugido estava estacionado perto do Aeroporto de Lisboa e o homem já estava a tentar passar o controlo de fronteiras da PSP, onde acabaria por ser ‘barrado’ pelos agentes, no momento em que tentava entrar num voo.

Um agente da Polícia de Segurança Pública observa um avião da TAP, no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, 15 de abril de 2025.  JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

JOSE SENA GOULAO/LUSA

Bombeiros encontraram corpo na sala e outra vítima com ferimentos no quarto de banho

Alertados por uma chamada para o 112, os Bombeiros Voluntários de S. Mamede de Infesta percorreram em marcha de urgência as centenas de metros que separam o quartel da Rua Padre José Pinho. Os cinco bombeiros mobilizados foram acompanhados por duas ambulâncias de emergência médica — seria ainda acionada uma VMER do Hospital de São João.

A primeira equipa a chegar ao local, conta ao Observador o comandante Gilberto Gonçalves, encontrou a jovem na sala, ensanguentada, com ferimentos de faca, e em paragem cardiorrespiratória. De imediato, foram iniciadas manobras de Suporte Básico de Vida e Suporte Avançado, mas o óbito da mulher, de nacionalidade portuguesa e com 25 anos, foi declarado no local.

Quase em simultâneo, a segunda equipa encontrou, na casa de banho da casa, a segunda vítima num estado semelhante: com ferimentos de faca e ensanguentando. Ainda assim, os ferimentos deste jovem de 23 anos, atual companheiro da ex-namorada do suspeito, eram menores e foi possível transportá-lo com vida para o Hospital São João.

Já no local, a PSP confirmou que os ferimentos tinham sido provocados  “com recurso a arma branca” e constatou que o suspeito teria fugido num carro, que os vizinhos diziam ser o da jovem que morreu esfaqueada. A PSP comunicou o caso ao Ministério Público e deu conhecimento à Polícia Judiciária.

Apesar de os moradores da Rua Padre José Pinho relatarem idas constantes, nos últimos tempos, do suspeito à casa das vítimas, os bombeiros garantem que não conheciam qualquer historial de violência naquela habitação, quando o agora agressor ainda mantinha contactos com a mulher assassinada — os vizinhos também não referem qualquer episódio de violência entre os dois. Ao Observador, o Ministério Público confirmou que não tinha conhecimento de queixas de violência doméstica entre os dois.

▲ A casa, em São Mamede de Infesta, onde Ana Rita foi encontrada morta

Avó ouviu gritos e perguntou: “Está tudo bem?” Ana Rita não respondeu e, depois de pedir ajuda, apareceu morta

A casa onde tudo aconteceu permanece intacta. Ana Rita vivia junto à estrada. No andar de cima vivia a avó. Era assim já há muito. Naquela rua, que no final da tarde desta segunda-feira viu o horror, já não há marcas de violência, não há marcas de um homicídio bárbaro que assombrou São Mamede de Infesta.

Está silêncio. Ouvem-se os latidos espaçados dos cães, que estranham o movimento inusitado. Pelas janelas das casas, os vizinhos vão vendo quem passa, ainda sem acreditar no cenário que ali se desencadeou.

Maria Silva é uma destas vizinhas. Mora mesmo em frente àquela casa branca onde vivia Ana Rita. Custa-lhe a falar, ainda que os detalhes estejam tão presentes e as imagens teimem em não sair da cabeça. A vizinha da frente “ouviu tudo desde o início”. “ Começou por volta das 19h30. Estava a tratar do jantar e ouvi uns barulhos muito estranhos. Pareciam coisas a cair, como se estivessem a atirar coisas para o meio do chão. Vim cá fora e até olhei para cima a ver se era trovoada”, conta ao Observador.

Ao constatar que não era do mau tempo, Maria Silva pensou depois que poderiam ser “carrinhas que recolhem velharias e que atiram com as coisas” e que fosse essa a explicação para todo aquele barulho. Mas não era. E houve outro pormenor que a fez descartar a hipótese de ser essa a razão para aquele tumulto: os cães ladravam demasiado alto e “de maneira diferente”. Foi só quando saiu porta fora que teve a confirmação.

Uma vizinha diz que viu Ana Rita aparecer à janela, com sangue no peito, a pedir ajuda. “Veio por trás dela, agarrou-a e puxou-a para trás e fechou a janela”, conta ao Observador.

“Não havia ninguém na rua” exceto “Dona Maria” – a avó de Ana Rita – e Maria Silva. “Vim cá fora e vejo a avó da menina a bater nas persianas e a perguntar-lhe ‘Rita, está tudo bem? O que se passa? Estás bem?’ Vi aquilo e fui ter com ela, perguntei o que se passava. Ela (avó) não sabia, mas disse que ia chamar a polícia”, explica, revivendo cada segundo do desespero daquela avó e da amiga de longa data.

Ainda sem perceber ao certo o que se passava, ligaram então para a polícia. Mas, conta Maria Silva, seria preciso “mais de meia hora” para que chegassem até ali. Durante esta espera, que pareceu infinita, Maria Silva lembra o momento de terror, que apenas ela presenciou. “Depois de chamar a polícia, a avó foi lá acima, porque tinha o fogão ligado. Eu estava aqui sozinha e a persiana abriu-se. E a Rita veio à janela. Estava sem força nenhuma, o peito estava todo vermelho de sangue. Ela não gritou. Só disse ‘AJUDA!’”, recorda Maria Silva, de lágrimas nos olhos.

Foram apenas uns segundos. Assim que a vizinha da frente leu aquele pedido de socorro nos lábios da jovem de 25 anos, o agressor apercebeu-se, “veio por trás dela, agarrou-a e puxou-a para trás e fechou a janela”. Maria Silva ficou uns segundos em choque. Pensa agora no que poderia ter feito. Mas, naquele momento, o pânico tomou conta dela, foi vencida pelo medo do que poderia acontecer-lhe caso interferisse. Quando conseguiu recompor-se, foi ter com a avó e explicou o que viu. Mas era tarde demais.

▲ A casa, em São Mamede de Infesta, onde Ana Rita foi encontrada morta

Namorado da vítima salvou-se ao trancar-se na casa de banho. “Já vi muitas coisas na televisão, mas nada assim”

A vizinha da frente entrou em sua casa apenas por uns segundos e, quando voltou a sair, depois com o ex-namorado de Ana Rita a sair pela porta da frente de casa. “Vi-o passar. Nem ia a correr. Meteu-se no carro dela e fugiu”, descreve ao Observador.

Pouco depois da fuga, a avó de Ana Rita apareceu de novo na rua a dizer que “a neta estava morta”. A vizinha da frente tentou reconfortá-la, garantiu que “não” era assim. A avó de Ana Rita suplicou-lhe que fosse lá dentro ver como estava a neta. A vizinha admite que lhe faltou a “coragem”. Em vez disso, chamou o marido. Foi ele quem prestou os primeiros socorros ao companheiro da vítima para estancar alguns dos ferimentos. O jovem, garante Maria Silva, salvou-se porque se fechou na casa de banho. “Ele acabou por se trancar na casa de banho. O meu marido viu o corpo da Ana Rita e ouviu gemer da casa de banho. Foi aí que entrou e viu aquela cena. E a faca estava lá”, conta.

Vizinhos, que relatam cenário bárbaro, dizem que atual namorado da vítima só sobreviveu porque se trancou na casa de banho. Alegado homicida terá conseguido concretizar o crime sem ser notado pelos moradores.

Era um “cenário indescritível”. Explica que “já viu muitas coisas na televisão, mas nunca nada assim”. E adianta que não foi só ela a ter esse pensamento. “Estava aí um agente que comentou com um colega que nunca tinha visto coisa igual. Para um agente da autoridade dizer isto…”

Lá dentro, “estava tudo destruído”. Passava mais de meia hora desde que a avó de Ana Rita tinha chamado as autoridades ao local. Foi só depois de muita espera e de um desencadear de acontecimentos – que permitiu a fuga do homicida – que chegaram os meios de socorro.

[Um jovem polícia é surpreendido ao terceiro dia de trabalho: a embaixada da Turquia está sob ataque terrorista. E a primeira vítima é ele. “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto uma embaixada em Lisboa e esta execução sumária no Algarve abalou o Médio Oriente. É narrada pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Ouça o terceiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E ouça o primeiro episódio aqui e o segundo aqui]

Mas há um detalhe na narrativa que não faz muito sentido para Maria Silva. “Eles têm dois cães de raça. E são perigosos. Eles às vezes até choram. E ontem não ladravam. Ladrava a minha e o da vizinha. Não sei se lhes deu alguma coisa, só sei que eles não ladravam. Até parece impossível”, conta entre suspiros.

Para esta vizinha não há duvidas: foi tudo planeado. “Ele soube escolher tudo. Foi tudo ao pormenor. Ele escolheu de propósito uma hora calma. Como era fim de tarde e com este calor, não abrimos as portadas. Só abrimos já quando o sol não está”, reflete Maria Silva, sublinhando que, por terem tudo fechado, houve vários vizinhos que não se aperceberam imediatamente do que estava a acontecer.

▲ A rua onde Ana Rita vivia com o novo namorado — e onde chegou a viver com o suspeito do homicidio

Vizinhos relatam relação entre vítima e homicida sem conflitos: “Até era um rapaz pacato”

Teresa (nome fictício) não se apercebeu do que estava a acontecer praticamente à porta de sua casa. Mas, pensando bem no assunto, e juntando as peças do puzzle, explica ao Observador que já sentia um movimento estranho por ali. “Antes de tudo acontecer, dias antes, eu vi o indivíduo aqui no meu muro. Cheguei do trabalho e estava ele ali de braços cruzados. E estava escondido naquela árvore que tem ali. Eu até pensei que ele me queria roubar o cão”, relata com alguma ingenuidade.

Acontece que aquele muro, onde o suspeito se encontrava debruçado, tinha vista privilegiada para a casa de Ana Rita. Estaria ali já a delinear uma estratégia e a “tomar conta” da jovem de 25 anos, pensa Teresa ao olhar agora para trás. Todavia, os momentos estranhos vividos ali vão mais além. “No dia seguinte, o outro senhor, o atual namorado da moça [Ana Rita], passou aqui na rua dentro do carro e ele veio a correr atrás dele a pé”, recorda a vizinha, ao Observador.

Nada podia prever o que viria a acontecer pouco tempo depois. Teresa não se apercebeu logo da situação que aconteceu no número 53. “Estava em casa. Mas estava nas traseiras, na minha lavandaria. Aqui não se ouve nada. Só soube disto quando a minha vizinha me veio chamar e me disse”, conta, ainda incrédula.

Vizinhos acreditam que suspeito ainda tinha as chaves de casa da vítima, com quem terminou relacionamento "há um mês e tal". Apesar de reconhecerem que era um rapaz "pacato", relatam várias idas, agora tidas como suspeitas, às redondezas desde o fim da relação.

Ana Rita e o suspeito foram em tempos namorados. De acordo com Laurinda Silva, uma outra vizinha, a relação tinha terminado há pouco tempo. “Eles só acabaram há um mês e tal. Porque eu vi-o, num dia em que vinha do trabalho, com um saco às costas a andar por aí em diante. E pensei: ‘Este já vai recambiado’” revela.

Este recente desfecho leva Laurinda Silva a admitir que, provavelmente, o suspeito ainda “teria as chaves da casa”. Durante o relacionamento, conta a vizinha, o homem “entrava e saía a qualquer hora, mesmo sem ela [Ana Rita] estar”. O ex-companheiro era, de acordo com os relatos dos vizinhos, funcionário numa empresa de distribuição de refeições e, por isso, explica Laurinda Silva, era habitual ver “chegar a mota” ali à rua.

Ainda durante o namoro, nunca houve registo de qualquer comportamento mais alterado. “Ele até era um rapaz com um ar educado, pacato. Passava aqui às vezes e dava uma saudação”, lembra a vizinha. A calmaria do homem ter-se-á transformado com o fim da relação.

Passava pouco mais das duas e meia da manhã quando a vizinha – que não conseguia dormir – veio à janela e viu retirarem o corpo de Ana Rita. As ruas estavam cheias de vizinhos, de elementos das forças de segurança e bombeiros, mas em pouco tempo ficaram desertas. Hoje, cada uma daquelas pessoas vive com uma imagem daquele momento de horror que jamais esperaram viver. Naquela rua pacata, o silêncio é agora mais ensurdecedor que nunca.

A maior parte dos controles de embarque do aeroporto Humberto Delgado em Lisboa, está a funcionar, registando-se às 10h00, dez voos cancelados e uma longa fila para a recuperação de bagagem perdida, 29 de abril de 2025. TIAGO PETINGA/LUSA

TIAGO PETINGA/LUSA

Conduziu mais de 300 quilómetros e foi detido no check-in do aeroporto. Queria regressar ao Brasil

Desde que o suspeito se pôs em fuga, as informações sobre o seu possível paradeiro foram esmiuçadas pela Polícia Judiciária, focada na missão de encontrar aquele que se acreditava ser o responsável por um homicídio consumado e outro na forma tentada.

Ao volante do Citroën da vítima mortal, que estava estacionado junto à casa da jovem, o suspeito ter-se-á dirigido num primeiro momento para a empresa onde trabalha, ainda no concelho de Matosinhos, avançou o Jornal de Notícias. Ainda com as mãos ensanguentadas, confessou o crime e referiu a intenção de apanhar o comboio para o Marco de Canaveses. Porém, não o chegou a fazer.

Em vez disso, continuou a fuga em direção a Lisboa, tendo sido apanhado por uma câmara de videovigilância, conforme revela uma imagem divulgada pela Rádio Regional, que os vizinhos da vítima dizem ter sido captada em Penafiel. O jornal regional indica que as autoridades tiveram conhecimento de que o sinal do telemóvel do suspeito teria sido detetado na zona de Penafiel, algo que a GNR também não confirmou.

O plano do suspeito estava delineado e passava por viajar de avião, a partir do Aeroporto Humberto Delgado, para o seu país de origem, o Brasil. Estacionado o carro, e já com passagem comprada, seguiu para o aeroporto.

Como se de uma viagem normal e de um passageiro em circunstâncias banais se tratasse, tentou fazer o check-in. Mas os seus dados pessoais — numa altura em que já estava na mira das autoridades — deixaram a polícia em alerta. Como revelou o Observador ao final da manhã desta terça-feira, os agentes aperceberam-se de que tinham diante deles um fugitivo, com o nome já inserido no sistema informático da PSP, e intercetaram-no, antes de ser formalizada a detenção por parte da PJ.

Uma vez que a investigação está a cargo da Diretoria do Norte, os inspetores deslocaram-se do Porto a Lisboa para conduzirem o suspeito de volta àquela cidade, onde o brasileiro de 26 anos deverá ser ouvido pelo juiz para que lhe sejam aplicadas as medidas de coação.

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