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Quando percebeu que o Presidente da República decidira renovar por mais 15 dias o estado de emergência e a proibição de circular no país, a 2 de abril, o chef Ljubomir Stanisic telefonou a um conhecido seu, que é irmão de um polícia, a pedir-lhe ajuda. É, pelo menos, a convicção do Ministério Público que, na acusação do processo Dupla Face, diz que o empresário da restauração queria ir de Lisboa para a sua segunda casa em Grândola, passar a Páscoa com a irmã e com a mãe, mas, com as restrições impostas, temia ser intercetado numa operação policial.

Na altura, o país estava parado. Os restaurantes só podiam vender em self service, só os serviços essenciais estavam a funcionar e com apertadas restrições. Ainda nesse dia, pouco passava das 20h00, João, o conhecido do chef, ligou ao irmão a dar-lhe conta disso. Desconhecia, porém, que o agente da PSP estava a ser investigado num âmbito de um processo por tráfico de droga e que as suas chamadas estavam a ser escutadas por alguém — cujas funções também não foram interrompidas neste período.

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