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A importância da educação para todos é uma ideias destacadas pelos organizadores. Na foto, o médico e artista Fola David
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A importância da educação para todos é uma ideias destacadas pelos organizadores. Na foto, o médico e artista Fola David

TOMÁS SILVA/OBSERVADOR

A importância da educação para todos é uma ideias destacadas pelos organizadores. Na foto, o médico e artista Fola David

TOMÁS SILVA/OBSERVADOR

As "receitas" das Conferências do Estoril para um mundo melhor

Finda a 8.ª edição das Conferências do Estoril, o que fica de dois dias intensos de trabalho e debate? Segundo os organizadores, algumas ideias fortes que fazem jus ao mote inicial: reumanizar o mundo

No final da sua vida, o escritor e ensaísta italiano Italo Calvino escreveu um conjunto de conferências a que deu o título Seis Propostas para o próximo milénio,  mas morreu em 1985, antes que a Internet mudasse e acelerasse o mundo de formas que ele não poderia sequer imaginar. Sem um horizonte temporal tão longo, as Conferências do Estoril querem, no entanto, fazer amadurecer algumas das principais ideias de futuro que surgiram nos dias 1 e 2 de Setembro, na Nova School of Business and Economics, sede do evento desde 2019.

Pedro Oliveira

TOMÁS SILVA/OBSERVADOR

O poder da educação

Para o diretor desta escola, Pedro Oliveira, a primeira dessas ideias de futuro é “a própria importância de fóruns como este, em que sentamos à mesma mesa cientistas, académicos, políticos, empresários e ativistas empresariais. Estamos num mundo muito polarizado, muito dividido, e este tipo de diálogos é mesmo muito importante”, diz ao Observador.

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Mas, como professor e diretor de um estabelecimento de ensino, Pedro Oliveira não podia deixar de destacar a importância da educação. “Recordo varias palestras, como a do Luís Cabral, que sublinhou o papel da educação informal, que passa também pelo cuidado. Na realidade, a educação começa quando os miúdos começam a ouvir as primeiras palavras e há milhões que nem sequer ouvem muitas, o que tem um grande impacto no seu desenvolvimento.” O dean da Nova SBE está, no entanto, muito consciente de que, nas nossas sociedades, apesar da consagração constitucional dos direitos do cidadão, nem todos partem do mesmo ponto: “O ensino superior é uma super-droga, que tem um efeito muito benéfico em quem tem o privilégio de o frequentar. Mas falei em privilégio de propósito”. E concretiza: “Como vimos também nestas Conferências, não partimos todos do mesmo sítio. Hoje só chegam à universidade alunos excecionalmente bons. Estão a ficar para trás outros muito bons, mas o que me preocupa mais são aqueles que nem sequer se candidatam porque ficaram pelo caminho. E muitas vezes ficaram para trás porque não tiveram condições financeiras para terem bom aproveitamento ou equacionarem a possibilidade de frequentar o ensino superior”.

O que fazer nestes casos? Pedro Oliveira considera que “temos de estar atentos e dar acesso, o acesso ao ensino superior tem de ser massificado“. E dá o exemplo de  Hugo, o jovem cabo-verdiano que, em vários momentos, subiu ao palco das Conferências para tocar piano. “Houve um colega meu que o ouviu tocar muito bem durante os trabalhos preparatórios das Conferências e foi saber quem era. Percebeu que era um jovem sem estudos formais de música, de uma família com problemas financeiros, mas que queria muito tocar piano. E fê-lo muito bem”.

Para reparar os efeitos das desigualdades sociais no acesso ao ensino superior, Pedro Oliveira defende um programa de bolsas de estudo: “Aumentámos em 56% o apoio a bolsas, este ano demos mais de um milhão e meio  de euros em bolsas de mestrado, o que corresponde a 400 bolsas”. O que, em seu entender não basta: “Temos um bom programa de bolsas, mas sabemos que as estamos a dar a quem já tem condições para chegar ao ensino superior.”

Das conclusões saídas destas Conferências, destaca ainda “a importância de se abraçar a Inteligência Artificial, mas garantindo que é o ser humano que está no palco”: “Tem de ser algo que nos facilite a vida e que não nos torne ainda menos sociáveis”.

Helena Canhão

FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR

A relação com a tecnologia

Helena Canhão, diretora da Nova Medical School, que este ano se associou pela primeira vez à iniciativa, está em sintonia com esta conclusão: “Estou convencida de que saíram daqui ideias muito importantes mas o que eu destacaria mais é o call to action, o imperativo de agir. As questões relacionadas com as desigualdades, com a pobreza que pode ter vários níveis: a falta de acesso à educação, a falta de acesso à saúde, a necessidade de nos ligarmos mais uns aos outros e de nos escutarmos.”

Mas Helena Canhão realça também a importância dada aos desafios do futuro: “Como vamos tirar partido da tecnologia sem que ela nos domine e tome decisões importantes por nós (embora também tenhamos de reconhecer que nos facilita muitas tarefas quotidianas)? No entanto, essa facilidade deveria proporcionar-nos tempo extra para fazermos outras coisas e, na verdade, só nos sentimos pressionados para fazermos as coisas cada vez mais depressa”.

Miguel Pinto Luz

TOMÁS SILVA/OBSERVADOR

A necessidade de um novo contrato eco-social

Associado a estas Conferências do Estoril desde a primeira edição, em 2009, Miguel Pinto Luz esteve na abertura do evento, na manhã de dia 1, e voltou ao palco, no dia 2, para debater com o italiano Ezio Mazzini o problema do isolamento nas cidades de hoje, onde a solidão é uma espécie de pandemia social pós-pandemia de Covid. Por isso, o vice-presidente da Câmara de Cascais afirma que a primeira “grande ideia saída destas Conferências é a necessidade de um novo contrato eco-social, com as partes a restabelecerem a confiança entre eleitores e eleitos. O mundo e a sociedade precisam disso”.

A outra ideia que destaca é a prioridade dada ao restabelecimento de relações de proximidade: “Num mundo altamente digitalizado, importa que voltemos a investir num contacto epidérmico entre os seres humanos”. Miguel Pinto Luz sublinha ainda, como terceira grande ideia “a aposta na educação e na juventude, desde à pré-educação ao ensino superior. Estando nós numa escola não poderia ser de outro modo”.

Este artigo faz parte de uma série sobre as Conferências do Estoril, evento de que o Observador é media partner. Resulta de uma parceria com a Nova Medical School, Nova School of Business and Economics e a Câmara Municipal de Cascais. É um conteúdo editorial independente.

 
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