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Margarida Carriço

Margarida Carriço

Casa do Impacto: O futuro desenha-se com a educação

As desvantagens da desigualdade são cada vez mais evidentes e é o próprio futuro que exige inovação social. Para a Casa do Impacto, a educação é o melhor motor desta mudança.

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Falar na Casa do Impacto, o hub de empreendedorismo da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), é falar em mudança e capacitação com o fim de resolver problemas da sociedade. É por isso que, no Hub da SCML, a educação tem um lugar preponderante. A prová-lo, todas as startups fundadoras estão ligadas a este setor, o que também mostra a importância que este ecossistema atribui ao quarto Objetivo de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas, o ODS 4 – Educação de Qualidade. O Hub promove, assim, a capacitação através de um dos seus principais eixos de atuação, munindo os empreendedores de ferramentas (programas, workshops, mentoria e eventos) para que estes empreendam e criem impacto positivo na sociedade. Desde a sua criação que a Casa do Impacto investe nesta área, nomeadamente através dos programas +PLUS (500 mil euros/ano), Rise for Impact (empreendedores capacitam outros empreendedores) ou a iniciativa Projetos de Impacto (parcerias de financiamento).

Neste artigo apresentamos seis organizações que fazem parte do ecossistema de impacto da Casa e que, de uma maneira muito inovadora, capacitam pela educação. Uma característica transversal a todos estes projetos é um autentico ciclo virtuoso: estas organizações formam empreendedores, que frequentemente se tornam formadores e, assim, capacitam outros empreendedores. É a verdadeira educação de — e para — o impacto.

Não se trata de discutir nem de contrariar modelos educativos. Trata-se, isso sim, de implementar experiências de aprendizagem complementares à educação formal existente, ajudando o sistema a adequar a oferta formativa à realidade do mercado de trabalho e ao desenvolvimento da sociedade.

A educação de impacto é uma necessidade para hoje e para o futuro. Basta ver, por exemplo, o que enfrentam as pessoas com mais de 40 anos face ao desemprego, num mercado que dificilmente as reintegra. Ou aquelas que, após anos de experiência numa área profissional, decidem enveredar por outro caminho. Também é caso para se pensar nas profissões em vias de extinção que, segundo estudos são 50% das que conhecemos e de acordo com os dados da Deloitte Legal, ameaçam até mesmo os advogados (a previsão é que 39% das profissões jurídicas vão desaparecer até 2030). Para não falar naquelas que ainda não existem mas que estarão “na berra” daqui a 20 anos. Mas vamos passar ao concreto porque até 2030, só em Portugal, há 700 mil pessoas que terão de mudar de ocupação.

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A educação de impacto é uma necessidade para hoje e para o futuro. Basta ver o que enfrentam as pessoas com mais de 40 anos face ao desemprego, num mercado que dificilmente as reintegra.

Academia de Código
Decifrar uma carreira promissora

De um lado um setor em grande crescimento, com muitas empresas em transformação digital a precisar de programadores. Do outro, uma clara falta de profissionais disponíveis. A reunir esta visão, um conjunto de empreendedores que identificaram uma oportunidade e criaram a solução para o problema da skills gap na área da tecnologia. Assim surgiu a Academia de Código, a startups que tem estado a resolver problemas de pessoas e de empresas de todos os setores desde 2015 e um dos primeiros parceiros da Casa do Impacto.

Mudanças de vida

“A nossa primeira ideia foi descobrir o talento de pessoas vindas de outras áreas, sem qualquer experiência em tecnologia ou programação e ajudá-las a fazer uma mudança de vida e uma mudança de carreira”, explica João Magalhães, um dos fundadores e atual CEO da empresa. Ao mesmo tempo, ajudavam as empresas no seu inevitável processo de transformação digital disponibilizando profissionais devidamente capacitados.

A formação na Academia de Código é exigente, intensiva e imersiva. Os alunos – com idades entre os 18 e os 55 anos, e com diversas experiências e formações, (cerca de 50% não têm licenciatura) — são selecionados segundo a motivação, o gosto pela tecnologia e o talento que possa fazer deles bons programadores e profissionais realizados. Para se capacitarem, passam 14 semanas num bootcamp de programação onde aprendem, experimentam, sonham, desanimam, recuperam o fôlego e acabam o curso com um novo emprego, uma nova vida e uma nova carreira. A intervenção da Academia de Código não se limita a formar programadores (junior software developers). A escola tem uma relação bem construída com o mundo empresarial e promove a colocação direta dos seus alunos, com uma taxa de empregabilidade superior a 90% muitas vezes em empresas de referência.

Tudo começou em 2015 e, desde então já passaram mais de 1000 alunos por bootcamps em Lisboa, Porto, Aveiro, Fundão, Açores, Cabo Verde e possibilidades de novas aberturas em breve. Não há limites geográficos para a realização destas experiências de aprendizagem e, a contribuir para a possibilidade de as realizar em qualquer país estão os formadores que já foram alunos e, portanto, conhecem a formação, o processo de mudança — também a nível emocional e psicológico – e a própria profissão. Foi uma forma de resolver hoje, um problema que é de hoje.

Os alunos da Academia de Código passam 14 semanas num bootcamp de programação onde aprendem, experimentam, sonham, desanimam, recuperam o fôlego e acabam o curso com um novo emprego.

Preparar os empregos do futuro

Mas João Magalhães e os seus sócios também pensaram nas gerações que estão agora a chegar ao ensino básico e criaram a Ubbu com a visão de capacitar as crianças do 1.º ao 6.º ano do Ensino Básico para o mercado de trabalho que vão encontrar daqui a 15 ou 20. O facto é que o futuro vai ser ainda mais digital do que hoje. A Ubbu foi criada em 2015, com um projeto piloto em parceria com a Universidade Nova, a Universidade de Aveiro, a Fundação Gulbenkian e a Câmara Municipal de Lisboa durante 18 meses. Sucesso comprovado: o impacto foi medido e mostrou as mais valias da Ubbu. O passo seguinte era conseguir uma forma de levar este ensino a todas as escolas do país e a tecnologia cumpriu o seu papel: uma plataforma online passou a permitir que escolas, municípios ou governos introduzissem estas competências no currículo escolar. A versão mais atualizada segue as tendências criadas pela pandemia e permite que, de uma forma mais lúdica, também os pais possam conduzir esta aprendizagem em casa. Hoje mais de 20 mil crianças estão a desenvolver as suas competências para o futuro com a Ubbu, tanto em Portugal como noutros países e para tal, contaram com o apoio da SCML e da Casa do Impacto.

A Ubbu é uma das  startups investidas através de um Título de Impacto Social da Portugal Inovação Social (PIS), no âmbito da iniciativa “Projetos de Impacto” da Santa Casa da Misericórdia e do Banco Montepio, que financia projetos de inovação social em áreas prioritárias de políticas públicas. O projeto Ubbu – code literacy Lisboa vai responder aos problemas sociais da exclusão digital, do insucesso e abandono escolar e do desemprego jovem através da capacitação dos professores e do ensino da Ciência da Computação e da programação nas escolas públicas do 1º e 2º ciclo do ensino básico.

Impulso
Fazer com que tudo seja possível

Quer mudar de profissão, tem uma ideia de negócio mas falta-lhe a capacitação, o capital e a coragem? Foi para si que João Duarte criou a Impulso em 2018. O fundador explica que “somos uma comunidade de pequenos empreendedores e pequenos negócios que prosperam através da colaboração.” Como objetivo de ajudar pessoas no desemprego ou em subemprego a criarem os seus negócios, a Impulso assenta em dois eixos: o primeiro é um programa de Ignição com a duração de quatro meses. Começa com dois meses de programa imersivo, em grupos com 10 a 12 participantes, durante o qual o empreendedor vê o seu projeto passar de uma ideia a um produto em validação no mercado. Para conseguir que esta transformação aconteça em tão pouco tempo, a Impulso adaptou todas as metodologias do mundo das startups e da gestão de negócios aplicando-as a um público que não tem conhecimentos empresariais.

Reduzir tempo e dinheiro

Desta forma, acelera a validação do negócio e reduz, ao máximo, os custos e o tempo. Conhecimento do mundo dos negócios e criatividade são dois trunfos que, associados, a um diálogo próximo e encorajador, têm surpreendido empreendedores e feito nascer negócios. Importante é não só a validação pelo empreendedor mas também o feedback, não só do facilitador Impulso ao empreendedor mas também de todos os elementos do grupo que podem tornar-se clientes ou parceiros de negócio.

Preparar o crescimento

Depois desta experiência de imersão, vem o segunda fase ou eixo, cujo foco é a capacitação e o fortalecimento dos negócios. São dois meses de acompanhamento individual adaptado às necessidades específicas de cada negócio. Nesta fase, é disponibilizada uma plataforma digital — a Expansão — com várias componentes que ajudam estas empresas a reduzir custos e a tornarem-se mais competitivas para angariarem mais clientes. Ou seja: o Impulso é mesmo um grande impulso para os pequenos negócios mais tradicionais. O programa termina com o Trade Show, um evento de exposição dos negócios ao público e à comunidade de empreendedores e parceiros.

70% dos empreendedores que recorrem à Impulso são mulheres e a maioria (80%) são desempregados. A média de idade é de 43 anos, sendo que muitos estão na casa dos 50 e poucos anos, não conseguem regressar ao mercado de trabalho. No entanto, são altamente qualificadas e têm muita experiência, o que os faz ter ideias muito estruturadas que, com o apoio da Impulso conseguem passar ao papel e singrar no mercado.

Parcerias para chegar a todos

Consciente que, ao dirigir-se à população maioritariamente desempregada podia inviabilizar a sua atuação, a Impulso tem um modelo de negócio que se adapta a todas as realidades. Graças a parcerias com empresas, fundações ou parceiros sociais, o empreendedor pode pagar 100%, 25% ou mesmo nada pela formação. A esse propósito, João Duarte lembra que “estamos muito focados na nossa própria sustentabilidade, mas não queremos deixar ninguém de fora e ganhámos muita robustez quando, em 2019, entrámos na Casa do Impacto, pelo próprio ecossistema que, por si, promove as sinergias e os contactos entre empresas e financiadores, entre outros”. Manter a sua atividade parece ser uma necessidade e para Portugal, quanto mais não seja dadas as características do seu tecido empresarial. Composto sobretudo por pequenas e médias empresas (99,9% do mercado), sendo que destas, 96% são microempresas (menos de 10 colaboradores). Por outro lado, o desemprego de pessoas entre os 45 anos e a idade da reforma torna ainda mais pertinentes as organizações como a Impulso. A este propósito, João Duarte lembra um empreendedor que lhe disse uma vez: “Há 20 anos que tinha esta ideia e nunca acreditaram em mim”. Foi preciso chegar à Impulso para ver a ideia passar à prática.

A Impulso é uma das startups investidas através do instrumento “Parcerias para o Impacto” da iniciativa Portugal Inovação Social (PIS) no âmbito da iniciativa “Projetos de Impacto” da Santa Casa da Misericórdia e do Banco Montepio, que financia a criação, desenvolvimento ou crescimento de projetos de inovação social, em formato de cofinanciamento com investidores sociais.

“(..)somos uma comunidade de pequenos empreendedores e pequenos negócios que prosperam através da colaboração.”
João Duarte, Impulso

Spot Games
Estimular a vontade de aprender

Criar impacto em escolas de intervenção prioritária, onde o absentismo, o abandono e o fraco aproveitamento são a regra, foi o primeiro objetivo de Francisco Miranda, Engenheiro Industrial ,e Joana Lopes, psicomotricista, para criarem a Spot Games. Ambos tinham experiência em contextos escolares difíceis e perceberam que, quando há motivação intrínseca, a falta de outros fatores de incentivo como a pressão familiar ou a perspectiva de carreira, não prejudicavam o interesse pela aprendizagem. Era esta a transformação que queriam. Corria o ano de 2018 quando entraram para a Casa do Impacto. Nesse ano realizava-se a primeira edição do programa de aceleração Rise for Impact que ganharam, o que lhes conferiu escalabilidade e notoriedade.

Passaram muitas horas a ouvir professores e alunos para desenhar as soluções. Adicionalmente, foram juntando uma equipa de designers, economistas, psicólogos e professores, entre outros, que davam os seus contributos para a criação dos jogos e a sua introdução nas escolas com que trabalhavam.

Os resultados não tardaram a aparecer e os Spot Games foram ganhando adesão por professores e alunos. Inicialmente desenhados para contextos mais difíceis — o meio onde a startup pretende criar impacto —, hoje os jogos são usados em todos os tipos de escolas, tanto públicas com privadas. Cerca de 10 mil alunos já aprendem com estas ferramentas.

Alojados numa plataforma, os jogos lançam desafios e, para os resolver, os alunos têm de recorrer uns aos outros, a professores de várias disciplinas, ao meio ambiente. Interessam-se pelas matérias e percebem o sentido das mesmas, respondendo à velha pergunta “Para que serve isto?”. Independentemente do seu aproveitamento escolar anterior, um aluno pode ter um rendimento excelente num jogo e umas das grandes vantagens é o seu caráter instrumental: o professor dá a aula com ele, que está perfeitamente integrado nas matérias dadas. Os alunos querem resolver os jogos o que muda totalmente a abordagem nas aulas. São eles que procuram os professores, em vez de serem os docentes a terem de os motivar, o que é mais um ponto a favor do Spot Games e assim a Startup cumpre a sua Missão: garantir o acesso ao ensino de qualidade em todas as escolas e a todos os alunos, motivando-os e promovendo a sua superação pessoal. Os alunos estarão felizes a aprender e este é um passo grande para a inclusão.

Depois da passagem pelo Rise for Impact a Spot Games desenhou o projeto Gamezone Lisboa, que tem como principal objetivo a mitigação do défice de competências de português e matemática de alunos com baixo estatuto socioecómico. Este projeto recebeu investimento da SCML/Casa do Impactoatravés de um Título de Impacto Social, no âmbito da iniciativa “Projetos de Impacto”.

MyPolis promove participação e gera envolvimento cívico dos jovens

A MyPolis começou a ser pensada quando Bernardo Gonçalves era presidente da Associação de Estudantes da sua faculdade. Tinha sido eleito, tinha apresentado um programa mas não conseguia atrair o interesse dos outros alunos. Era uma democracia sem participação.

Mais tarde, a trabalhar como consultor digital, Bernardo não se esquecera daquela dor, por assim dizer, e pensou que poderia valer a pena explorar a hipótese de criar um instrumento que permitisse, por exemplo, que os autarcas e demais decisores políticos conseguissem auscultar os seus munícipes e, do mesmo modo, que os cidadãos pudessem contactar e fazer propostas aos decisores eleitos. Formou uma equipa multidisciplinar e criou o conceito com o modelo de negócios que viu validado por várias entidades que promoviam concursos e distinguiam a ideia com os seus apoios. Passou à fase de solidificação da ideia e, neste momento, a plataforma tem mais de 4500 utilizadores.

A MyPolis beneficiou, ainda, da passagem pelo programa de aceleração da Casa do Impacto – Rise for Impact e hoje, dois anos volvidos, participa no programa de investimento do Fundo +PLUS, através do qual irá receber apoio financeiro e capacitação durante 3 anos.

Participar na democracia

A Mypolis é um plataforma de democracia participativa que permite que o cidadão comum crie uma proposta para melhorar a sua cidade ou concelho e fazer chegar essa proposta ao decisor local. A plataforma faz a ligação entre ambos, muitas vezes através de assembleias digitais de cidadãos com a participação de políticos, gerando parcerias de implementação.

Para incentivar ainda mais à participação, a plataforma tem uma componente de gamificação em que os cidadãos ganham pontos à medida em que participam. Esses pontos podem ser transformados em prémios e têm níveis de cidadania associados em que o participante começa como estreante de cidadania e pode chegar a estrela da Polis.

Criar cultura participativa nas escolas

A plataforma também aparece em contexto escolar, no âmbito do programa Mypolis nas escolas, que já está em 24 estabelecimentos por todo o país. O objetivo é transformar as salas de aula em academias de participação, criando um espaço para que os alunos saibam quem são os decisores locais e possam intervir. Muitas vezes os jovens não estão treinados para este tipo de exercício e a Mypolis procura promover competências como pensamento crítico, a capacidade de analisar o território e tentar identificar um problema a resolver, o trabalho em equipa, o respeito pelas opiniões contrárias, enfim, um programa completo a ser implementado pelos professores de cidadania e desenvolvimento que pode durar de 4 a 10 aulas e, no final, os alunos são desafiados a criar uma iniciativa de transformação o seu concelho ou na comunidade escolar. É a cereja em cima do bolo e normalmente é feito em equipa e culmina numa assembleia digital em que apresentam essas iniciativas a decisores políticos locais. Para os alunos é a primeira vez que contactam de perto com um decisor político, o que lhes dá uma percepção completamente diferente da que tinham anteriormente. Percebem que é uma pessoa normal, que ri, é simpática e quer resolver problemas, os problemas dos cidadãos. Possivelmente isto abre a brecha necessária para que, no futuro, se sintam á vontade para contactar com os decisores políticos e apresentem propostas positivas e bem estruturadas que façam sentido para a comunidade.

Um dos objetivos da MyPolis é transformar as salas de aula em academias de participação, criando um espaço para que os alunos saibam quem são os decisores locais e possam intervir

Skoola
A música como polo de união

Lisboa vai ter uma nova academia de educação não formal através da música com lançamento previsto para o início de abril, que vai dar que falar no meio musical e no setor da educação. Criado por Mariana Duarte Silva, é uma evolução do Acorde Maior, que esta empreendedora e o marido lançaram em 2018 e já é um exemplo de educação não formal bem sucedida e com impacto na inclusão social.

Mariana Duarte Silva viveu em Londres onde trabalhou em produção de festas e management de artistas de música. Quando voltou para Lisboa, decidiu trazer o projeto do Village Underground, um espaço de coworking para indústrias criativas e eventos que abriu em 2014. Mariana e o marido, DJ e produtor musical, trabalharam o espaço, realizaram eventos e, quatro anos depois, constataram que o momento de lançar o Acorde Maior estava próximo. Faltava-lhes apenas algum know-how em projetos educativos com música e mais tempo, para uma disponibilidade em full time. Mas rapidamente apareceu José Crespo, nada mais nada menos do que a pessoa certa. José trabalhara, justamente, em projetos deste tipo, na Guildhall School of Music and Drama, pertencente ao Barbican Center de Londres, uma referência cultural daquela cidade. A somar às competências, José tinha uma grande vontade de realizar um projeto de música na comunidade em Portugal. Já nada faltava. Encontraram os primeiros patrocinadores, aos quais se juntou a Casa do Impacto, e foi lançado o Acorde Maior. A tornar este caminho ainda melhor, José Crespo trouxe outros três facilitadores portugueses que tinham estudado na Guildhall em Londres, a escola de formação por excelência para este tipo de projeto. Melhor impossível.

Eram cursos de uma semana com aulas todos os dias das 9 às cinco em que se inscreviam jovens de todos os tipos e, juntos, exploravam criativamente tudo o que se relaciona com música, aprendendo, assim, processos de exploração criativa. Os 30 alunos eram de vários bairros sociais de Lisboa e não sabiam nada sobre música mas o espectáculo que montaram, segundo Mariana, podia ter acontecido em qualquer palco de qualquer cidade do mundo. A ligação entre os alunos e com os professores foi muito forte e as amizades que se criaram entre alunos de bairros diferentes mostrava-se intensa. No fim do terceiro curso, os professores estavam felizes com o resultado mas quiseram fazer ainda melhor: chamar jovens de outros meios, para criar diversidade social. Foi quando a Casa do Impacto entrou no projeto e ajudou a cumprir esse objetivo com a realização de mais duas edições do Acorde Maior. O Acorde Maior dava, então, as suas notas mais maduras e no final das cinco edições, ao ver o impacto tão positivo de juntar jovens tão diferentes, Mariana Duarte Silva percebeu que era preciso dar uma dimensão maior ao projeto. Fez a formação do Rise for Impact onde aprendeu a tornar o negócio sustentável e conseguiu apoios que vão permitir o lançamento, no início de abril, de uma academia aberta todo o ano, em que jovens de todas as idades e proveniências vão poder trabalhar juntos e conviver através da música. Mais tarde, o projeto obteve financiamento através da iniciativa Projetos de Impacto e deu-se o impulso que faltava. Se valoriza ou quer conhecer este projeto mantenha-se atento a partir de dia 6 de abril ou, para saber informações desde já, contacte mariana@vulisboa.com

IES – Pela relevância da economia social

Carlos Azevedo passou de professor de economia na Universidade Católica para empreendedor quando, alguns anos depois de criar o IES – Social Business School, identificou a necessidade de uma dedicação a full time. Estávamos em 2008 e objetivo era dar relevância à economia social, um tema de que praticamente não se falava. “Começamos por mapear o setor no país. Começamos em 2009 e, em 2015, tínhamos certificado 157 empreendedores sociais “, conta Carlos. E lembra a realidade que encontraram: de um lado empreendedores com dificuldade em fazer crescer os seus projetos e, de outro, Organizações mais tradicionais que faziam pequenas inovações mas com vários problemas na sua gestão. Foi altura de pensar em programas de formação dirigidos às iniciativas que tinham certificado  de forma a causar impacto e resolver os problemas. Hoje o IES tem 10 mil alumni e programas de formação a decorrer em vários países, sempre em prol das organizações de impacto e do impacto das organizações. Além de capacitar empreendedores — que muitas vezes também se tornam formadores — o IES colabora com grandes empresas, como a Galp e a EDP, nos seus projetos de novos negócios com geração de impacto e é o parceiro do Banco Europeu de Investimento para a capacitação dos 15 finalistas anuais do Social Innovation Tournament que decorre rotativamente em Portugal, na Eslovénia e na Estónia.

Capacitados também capacitam

Ao iniciar uma startup, os custos têm de ser reduzidos ao mínimo e ainda não se sabe ao certo o rumo que aquele projeto vai tomar. Por isso, um empreendedor começa por ter múltiplas funções. A certa altura, precisa de especialização e, muito frequentemente, de desenvolver novas capacidades de gestão. É aí que entre o IES, com os seus programas específicos e a sua estrutura capilar que lhe permite estar em todos os pontos do globo, principalmente desde que, no ano passado, digitalizou os seus programas de formação.

A maior parte dos formadores são antigos alunos, o que já se tornou característico da economia social: os capacitados também capacitam e, neste caso, formam a comunidade do IES, onde dos empreendedores aos formadores, passando por pessoas que criam negócios ou querem mudar de vida, já são, em média, 2000 alunos por ano.

“O que nós queremos é trazer talento, que esse talento faça acontecer e, que, ao ganhar estrutura, o empreendedor consiga ter a visão e consiga gerir as múltiplas dimensões de uma organização híbrida”, diz Carlos Azevedo. E conclui dizendo que “entre o conhecimento e o desenvolvimento de skills, o IES será sempre o complemento de toda a formação que a pessoa possa ter”.

“O que nós queremos é trazer talento, que esse talento faça acontecer e, que, ao ganhar estrutura, o empreendedor consiga ter a visão e consiga gerir as múltiplas dimensões de uma organização híbrida”
Carlos Azevedo, IES
 
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