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Ele cria perfumes. E diz: "O nariz não faz nada"

Diz que no mundo dos perfumes não há regras e que não é por misturar azul com amarelo que se tem verde. É um mestre perfumista, esteve em Lisboa e tem uma nova criação. Entrevista com Thierry Wasser.

Contraria a ideia do perfumista enfiado no laboratório a cheirar óleos essenciais no meio de fumos e vapores. Um dia está na Austrália, numa plantação de sândalo, no outro a passear nos campos de alfazema da Provença. Thierry Wasser viaja pelo mundo para se abastecer das matérias-primas que usa nos perfumes que ele próprio cria, de raiz. No final de fevereiro esteve em Lisboa pela primeira vez para apresentar a sua nova fragrância, Mon Guerlain. Vestido de fato e gravata, impecavelmente penteado e rendido aos azulejos da cidade, o perfumista suíço de 55 anos tem uma sensibilidade olfativa tão grande como o sentido de humor. Já se chamou a si próprio de “almirante da narina”, numa brincadeira com a palavra “marinha” que deita por terra séculos de uma certa aura de quem chama ao seu cargo le nez (o nariz).

Mestre perfumista na Guerlain desde 2008, o primeiro de quatro gerações sem o apelido da maison francesa, quis assinalar os 190 anos da marca olhando para a emancipação das mulheres que aconteceu “graças à luta das nossas tetravós”. E que continua a acontecer. Para escolher o que representa a mulher pegou em quatro ingredientes principais: alfazema, porque lhe transmite honestidade; jasmim-árabe, uma flor que viu nos cabelos e nos colares das mulheres na Índia; sândalo, porque permanece numa fragrância muito tempo e “representa a força de vontade associada às lutas feministas”; e baunilha, porque não há nenhum perfume da Guerlain que não a tenha na sua composição. Todos os ingredientes, assim como uma recriação da sua mesa de trabalho, aparecem no vídeo promocional da fragrância, o primeiro anúncio comercial dirigido pelo realizador Terrence Malick, com Angelina Jolie.

Thierry Wasser deve ser o único perfumista que diz que o nariz não faz nada. Diz também que explicar demasiado um perfume é “matar o sonho”, mas fala com gosto sobre a sua profissão.

A mesa de trabalho do perfumista. © Divulgação

Li que se diplomou em Botânica aos 20 anos. Nessa altura já estava a pensar estudar perfumaria? Porque há uma ligação entre plantas e perfumes.
De maneira nenhuma. É verdade que está escrito em todo o lado que tenho um diploma em Botânica, mas é um erro. A verdadeira versão tem muito menos prestígio, mas eu orgulho-me dela na mesma. Foi uma má tradução de um CV que fiz em Nova Iorque, em que substituíram a palavra francesa herboristerie por botânica. Botânica? “Pfff!” O que eu fiz foi trabalhar como aprendiz numa ervanária na Suíça, que é como uma drogaria.

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Como é que foi lá parar?
Fui expulso da escola quando tinha 15 anos. A minha mãe estava desesperada com as minhas más notas e desesperada para que eu arranjasse trabalho, e a vaga para um lugar de aprendiz na ervanária pareceu caída do céu. Mas esta história de ser perfumista não foi planeada. Por acaso, li numa revista um artigo sobre duas empresas que estavam a fazer perfumes em Genebra. Eu não sabia nada sobre o assunto. Não sabia o que eram “narizes” ou perfumistas, não fazia a mínima ideia como é que se fazia um perfume. Em última análise sabia que podia comprá-los, mas não que havia pessoas a inventá-los, a criá-los de raiz. Por isso fiquei intrigado. Através da Givaudan, que era uma dessas duas empresas, cheguei à escola de perfumaria que eles têm e fui apresentado ao diretor. Ao fim de uma hora de conversa, em que falámos sobretudo sobre música e pintura, ele perguntou-me: queres fazer um teste? Eu disse que sim, porque não? Sempre fui muito descontraído, o que me tem salvado até hoje e me salvou nesse dia, porque vi muita gente nervosa chumbar.

E o Thierry passou.
Devo-me ter saído muito bem porque eles ofereceram-me um lugar na escola, de imediato. Éramos três alunos, sendo que nessa altura ainda não sabia no que me estava a meter. Mas passado um mês ou dois levei as mãos à cabeça e pensei: não acredito que me estão a pagar para fazer isto, é maravilhoso. Tinha 20 anos e percebi que me ia divertir imenso. Foi há 35 anos, tinha razão.

"Não é porque se mistura azul e amarelo que se obtém verde. No mundo dos perfumes não há regras, tanto podemos obter verde como laranja ou vermelho. É por tentativa e erro, o tempo todo."

O que é que se aprende numa escola de perfumaria?
Existe um programa mas a abordagem às matérias-primas é bastante pessoal e subjetiva. Como é que se recorda um aroma? Quando se tem uma imagem, como no caso do limão, da rosa, do jasmim ou da alfazema, podemos associá-la. Mas quando estamos a falar de álcool fenetílico ou de acetato de linalila, não há imagem nenhuma. É aí que entram as anotações pessoais, as memórias, as associações. Quando se percebe: é alfazema mas não é alfazema, é mais magro, mais fresco, mais frutado… Aí torna-se acetato de linalila. E depois deste acetato de linalila se tornar uma referência, podemos passar ao ingrediente seguinte.

Portanto, durante o primeiro ano estudamos as matérias-primas, e depois começamos a misturá-las. E não é porque se mistura azul e amarelo que se obtém verde. No mundo dos perfumes não há regras, tanto podemos obter verde como laranja ou vermelho. É por tentativa e erro, o tempo todo. É por isso que ao criar um perfume, e mesmo que se tenha uma ideia clara do que se quer desde o início, quando se chega a uma fórmula em laboratório, muitas vezes acaba-se com um resultado diferente da ideia inicial, e é preciso fazer 50, 100, dois mil ensaios até as duas coisas casarem.

Com as primeiras misturas começamos a criar acordes simples, como rosa com lírio-do-vale, por exemplo, e depois de dominar essa área começamos a estudar os grandes perfumes. Eu tive de refazer um Shalimar, mas sem a fórmula, por isso é preciso cheirar, misturar, experimentar, até se chegar a qualquer coisa parecida com um Shalimar, ou um Chanel nº 5, ou um Air du Temps. Daí passamos para as nossas próprias criações e ao fim de quatro anos de formação já devemos estar aptos para trabalhar com um mestre perfumista, observá-lo e crescer acompanhando-o nos seus projetos.

Alguns perfumes criados por Thierry Wasser

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  • Addict, Christian Dior
  • Fuel for Life for Her, Diesel
  • Quand Vient La Pluie, Guerlain
  • Hypnose, Lancôme
  • Idylle, Guerlain
  • Aqua Allegoria: Flora Nymphea, Guerlain
  • Man absolute, Jil Sander
  • La Petite Robe Noire, Guerlain
  • L’Homme Ideal, Guerlain

Em tudo isso é preciso usar sempre o nariz. Em França até preferem a palavra “nez”, nariz, a perfumista. É interessante porque é como se resumissem uma profissão a um órgão humano.
Eu odeio essa designação. É horrível. Em França dizem sempre “o nez da Guerlain”. Mas não sabem que por trás do nariz, eventualmente, há um cérebro? Porque criar perfumes é uma experiência espiritual. O nariz não faz nada, é uma ferramenta que ajuda a medir o progresso na formulação da fragrância. É uma ferramenta, não é o destino final. A viagem começa com uma ideia, e quando essa ideia ganha uma forma física, dentro de um frasco, foi porque foi preciso jogar com tudo o que está na cabeça para chegar a esse resultado. E entre esses dois momentos — a ideia e o resultado final — o nariz está lá simplesmente para medir os progressos ou os insucessos. Mas chamarem-me nariz… Faz parte do vocabulário, eu percebo, mas é muito desagradável.

É surpreendente que diga isso.
Sim, mas já alguém se lembrou de chamar “pés” ao Usain Bolt? Ou “mãos” a um pianista? [risos]

Creio que no fundo está-se a elogiar o facto de ter uma espécie de catálogo no nariz.
Não, ele está aqui [aponta para a cabeça]. Como aprendemos no primeiro ano da escola de perfumaria, tem tudo a ver com a memória. Está tudo no cérebro.

Depois de sair da escola de perfumaria Givaudan, Thierry Wasser trabalhou na Firmenich, uma empresa suíça de perfumes, de onde saiu para se juntar à Guerlain, em 2008. © Henrique Casinhas/Observador

Quando deu exemplos dos ingredientes que começou por estudar na escola, disse que conseguia fazê-los corresponder a uma imagem real, e falou na alfazema. Mas há pouco, quando estava a apresentar o novo perfume aos jornalistas, disse que associa a alfazema a qualidades como a sinceridade e a honestidade. Esta é uma segunda leitura?
Sim, porque há duas narinas, a esquerda e a direita. [risos]. Mais uma vez, tem a ver com o cérebro. O cérebro reconhece a alfazema, mas há diferentes graus de óleos de alfazema. É aí que nos tornamos mais precisos no nosso conhecimento desta matéria-prima. Mas quando falo da emoção que a alfazema me desperta, não tem nada a ver com a sua própria identidade, é um segundo nível. Eu cheiro e reconheço: ok, alfazema. Isso é analítico. Mas depois a minha outra parte do cérebro acrescenta: uau, sinceridade, verdade, honestidade… Isso não é racional, é emocional, é o efeito que desperta. E anda-se sempre de um lado para o outro, o tempo todo.

Com todos os ingredientes?
Em última análise, sim. Quando comecei a comprar jasmim-árabe para o perfume Samsara, não estava emocionalmente envolvido porque estava a comprá-lo para o meu antecessor, Jean-Paul Guerlain. Sabia o que era o jasmim-árabe, mas quando me interessei verdadeiramente e fui à Índia comprá-lo, vi que essas flores são usadas nos cabelos das mulheres, colocadas em colares e oferecidas em templos ou em casamentos, e aí fiquei verdadeiramente interessado. A flor começou a falar comigo, passou a ser também uma expressão social. E toda a imaginação que coloco em torno desta variedade específica de jasmim não tem nada a ver com o facto de o reconhecer quando o vejo ou quando o cheiro. Ou seja, existe a dimensão da fantasia e existe a parte analítica, factual e precisa.

"Criar perfumes é uma experiência espiritual. O nariz não faz nada, é uma ferramenta que ajuda a medir o progresso na formulação da fragrância. É uma ferramenta, não é o destino final." 

Acredita que a pessoa que compra o perfume e que o borrifa em casa tem noção dessas duas dimensões? Ou só quer cheirar bem?
Não sei. Acho que o consumidor não chega a esse nível de detalhe. Ou ama ou odeia, ou o perfume fala com ele ou não fala. É por isso que há sempre o perigo de explicar uma fragrância. Ao explicar mata-se o sonho.

De que forma?
Explicar demasiado faz com que o perfume se torne sobretudo num produto funcional onde é preciso justificar cada gesto. É como explicar todas as pinceladas de um quadro, e eu sou contra isso. Prefiro deixar que as pessoas usem a sua imaginação quando descobrem uma fragrância. Se eu digo que este novo perfume é um manifesto feminino, e este é o nosso eixo de comunicação, estou a evidenciar uma afirmação política que não tem nada a ver com o perfume em si. Quando comecei a criar esta fragrância tinha a imagem de uma mulher na minha cabeça, mas será que precisa dessa informação para gostar ou não gostar do aroma? Não tenho a certeza.

Normalmente como é que nasce um perfume?
Aqui a minha ideia foi celebrar o nosso aniversário, foi muito simples. O raciocínio foi mais ou menos: 190 anos de beleza, beleza feminina, o retrato de uma mulher. Mas no caso de La Petite Robe Noire, houve um conceito antes da fragrância, o chamado “vestidinho preto”. Eu estava a anos-luz de inventar uma coisa assim! Foi a Ann Caroline [Ann Caroline Prazan, diretora de marketing da Guerlain] que me apresentou o conceito e eu fiquei completamente baralhado. Disse-lhe que ela era louca, que esse não era conceito que se desse a um perfume. Mas depois achei muito curioso uma casa de beleza, que nunca fez outra coisa senão beleza, apropriar-se de um ícone de moda. E isso acabou por despoletar a minha imaginação. Mas aí tinha outra questão: a que cheira o preto? A chá? O chá é preto. A cereja pode ser preta, o alcaçuz é preto, o patchouli é escuro, o cumaru é escuro… Por isso tinha cinco materiais com que brincar. E normalmente arranca assim, com ingredientes que é preciso combinar.

Chamei a Ann Caroline e mostrei-lhe: olha este pequeno acorde, é o preto. Mas precisava de mais, e perguntei-lhe: esse vestido, que textura é que tem? É de seda? Lã? Algodão? Veludo? Ela olhou para mim como se eu estivesse louco. Não sabia. Mandei-a embora. Mas como já tinha o preto, que é uma cor pesada, percebi que queria que a textura fosse leve. E aí nasceu toda a estrutura floral do perfume: o jasmim e sobretudo a rosa da Bulgária, que é uma flor tão leve que quase dança. É assim que um conceito se transforma num perfume ou, no caso de Mon Guerlain, que um perfume se transforma num conceito. Não há regras.

Deu o exemplo de uma cor e de diferentes tipos de tecidos. Tudo tem um cheiro?
Não. Isso é algo que está presente na memória cultural de cada um. Associamos coisas de forma a poder explicá-las. Se eu disser que vou fazer uma textura pesada ou leve num perfume, o que é que isso significa? Ninguém percebe. Mas se usar um vocabulário com que os outros se possam relacionar, como veludo, lã, algodão ou seda [vai levantando as mãos no ar cada vez mais alto, para transmitir a ideia de leveza], depois é minha função saber que se estiver a falar de seda devo escolher um floral leve, e se estiver a falar de veludo vou buscar a baunilha e procurar uma nota ainda mais escura do que a do preto. Falar de aromas é sempre algo muito complicado. Se a Ann Caroline me diz que o perfume tem de ser mais molhado, eu tenho de perceber o que é que essa palavra significa para ela.

Costuma viajar pelo mundo para se abastecer dos ingredientes que usa e acompanhar as suas produções. É algo de que faz questão?
Faz parte do meu trabalho. O meu antecessor, Jean-Paul Guerlain, já o fazia, e é algo exclusivo da marca, porque não há mais ninguém a fazê-lo. Para além de desenvolver novas fórmulas com a equipa em Paris, supervisiono o trabalho na fábrica — vou lá uma vez por semana, quando não estou a viajar — e, de forma a alimentar a fábrica, tenho de me assegurar que conseguimos ter as matérias-primas de que precisamos e fazer o chamado sourcing. Já era responsabilidade do perfumista da geração anterior — eu não inventei nada — mas para mim fortalecer rotas quando elas são instáveis, como acontece com a madeira de sândalo, ou criar novas rotas quando elas não existem, como no caso da baunilha — a baunilha é sempre de Madagáscar, mas neste novo perfume temos uma variedade do Tahiti que cresce na Papua-Nova Guiné — é uma forma de não dar um tiro no pé. Porque se não me conseguisse abastecer das matérias-primas que eu próprio escolhi para o meu perfume, seria isso que estaria a fazer. Está tudo ligado. De tal forma que o fornecimento pode influenciar a fórmula de um perfume.

Dê-nos um exemplo.
Neste momento é impossível adquirir madeira de sândalo, por isso como é que eu acabei de introduzir sândalo num novo perfume? Porque encontrei um fornecedor gigante e sustentável na Austrália. Se não o tivesse encontrado, esse ingrediente não estaria na fragrância.

E nestas viagens há também algum trabalho de pesquisa para descobrir novos ingredientes?
Às vezes, sim. Por vezes até são as próprias pessoas que dizem “tenho isto” ou “tenho aquilo”. Pode ser uma nova extração, o que é impressionante, mas aí tenho de assegurar quantidades, e geralmente elas não existem. Porque as pessoas acham que só por terem conseguido produzir três gotas de algo que cheira maravilhosamente bem, nós vamos querer saltar-lhe em cima. Eu digo: três gotas? Está bem, mas vou precisar de três milhares de milhões de gotas, consegue arranjá-las? E ficamos por aí. É por isso que ser um perfumista com ideias, e ao mesmo tempo um fabricante racional, obriga a um diálogo constante em que uma coisa influencia a outra.

Existe uma flor maravilhosa na Índia chamada “champaca”. Houve uma altura em que a variedade vermelha era usada em perfumes, mas hoje em dia as quantidades são tão pequenas que eu não me atreveria a utilizá-la. O perfumista em mim tem pena, o fabricante sabe que tenho razão. Outro exemplo: o vetiver é uma planta endémica da Índia, cresce em Tamil Nadu, no sul, mas não a produzem, compram-na no Haiti ou em Java. Agora temos um programa na Índia para produzir óleo de vetiver. Começámos com dez gotas de óleo, agora já temos 200 e temos um objetivo de fazer alguns milhares.

Tem algum ou alguns ingredientes de culto?
Sim. Tenho estado obcecado com a rosa da Bulgária há alguns anos, mas agora encontrei esta pequena história de amor no jasmim-árabe, e este fornecedor de sândalo… Não sei o que é ser um marido infiel mas digamos que a rosa da Bulgária continua cá, como se me tivesse casado, mas o jasmim-árabe e o sândalo não me saem da cabeça.

"Explicar demasiado um perfume faz com que ele se torne sobretudo um produto funcional onde é preciso justificar cada gesto. É como explicar todas as pinceladas de um quadro, e eu sou contra isso. Prefiro deixar que as pessoas usem a sua imaginação quando descobrem uma fragrância." 

Trabalha numa maison com quase 190 anos e tem uma tradição a respeitar, mas qual diria que é a sua assinatura?
Quem me dera saber. Estou na pior posição possível para determinar qual é o meu estilo. Antes de mais, acho que não tenho um estilo, sou muito versátil. Se cheirar Idylle, a minha primeira fragrância na maison de perfumaria, lançada em 2009, e Mon Guerlain, verá que existe uma grande diferença. Acho que essa evolução reflete tudo o que aprendi na Guerlain sobre fornecimento e produção. Portanto o meu estilo, se é que lhe podemos chamar assim, mudou. Mas sempre fui bastante exuberante ou barroco, por oposição a outras casas de perfumaria, como a Hermès, que têm o estilo minimalista dos haikus japoneses. E esse estilo mais ornamentado é também, eu diria, o da própria maison.

Como é que conheceu Jean-Paul Guerlain?
Através de um amigo comum que trabalhava na Firmenich, onde eu também estava na altura. Conhecemo-nos num jantar, o Jean-Paul levou o Yorkshire e pediu uma cadeira para o cão. Foi um jantar de três horas, conversámos sobre vários dos seus amigos, porque muitos deles tinham sido meus mentores na escola da Givaudan ou na Firmenich, e percebi que éramos muito parecidos, no sentido em que somos muito diretos — a roçar o mal-criado. Por isso gostámos imediatamente um do outro.

Quanto tempo é que demorou até ir trabalhar para a Guerlain?
Esse jantar foi no verão de 2007 e eu entrei em junho de 2008. Portanto pouco menos de um ano.

O mais recente perfume de Thierry Wasser entre dois dos seus ingredientes: alfazema da Provença e baunilha. © Divulgação

Quantos perfumes é que já criou, tem ideia?
Não sei, muitos.

E sabe algum de cor? Ou isso é impossível?
Não, é perfeitamente possível. Há perfumistas, como o Jacques Cavallier, que está na Louis Vuitton, que têm uma memória extraordinária e conseguem recitar a fórmula dos seus perfumes de cor. Eu não consigo. É para isso que existem os computadores.

Está tudo escrito. E tudo no cérebro, não no nariz.
[risos]. Uma vez fui dar uma entrevista a um programa de rádio, era uma entrevista ao vivo, e o jornalista perguntou-me: “Chamam-lhe o nariz. E você, como é que se considera?”. Em francês a palavra “narina” e “marinha” dizem-se quase da mesma maneira, só muda a primeira letra, por isso eu respondi-lhe: “Não gosto dessa história do nariz. Não sou o nariz. Sou o almirante da narina.”

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