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Um ano após a morte de Odair Moniz, Edgar Cabral sente que pouca coisa mudou no bairro do Zambujal — e o que mudou, foi para pior. O presidente da Associação de Moradores acusa a PSP de ter entrado no bairro com shotguns e de revistar jovens com cerca de 20 anos no dia das eleições autárquicas, a 12 de outubro de 2025. “Tivemos a polícia aqui duas vezes. Vi os agentes com uma shotgun numa mão e a revistar jovens com a outra mão. Coisas inexplicáveis. As pessoas sentem medo. A comunidade tem sido paciente, mas é preciso calma e diálogo”, conta ao Observador enquanto caminha pelas ruas do Zambujal.
Na visão de Edgar, as operações policiais no bairro têm-se multiplicado nos últimos meses, o que considera ser uma forma de “perseguição e opressão à comunidade do Zambujal“. “A relação com a polícia é de muita tensão. Maior do que dantes. Eles vêm fazer revistas, encostam a comunidade à parede e nota-se que estão à espera que alguém faça algo ou acenda uma faísca para haver confusão”, lamenta o dirigente da associação.
O Observador pediu esclarecimentos à PSP sobre a alegada intensificação da atividade policial no bairro e a intervenção realizada no dia 12 de outubro, não obtendo resposta até à hora da publicação deste artigo.
Há um ano, o Zambujal deu origem a uma semana de intensos tumultos que partiram do bairro na Amadora e multiplicaram-se por dezenas de locais da zona da Grande Lisboa. Durante esses dias, e já depois de terem sido desviados autocarros da Carris e de um motorista da empresa ter ficado com queimaduras graves na sequência de um ataque com cocktail molotov, a onda de destruição e os confrontos com as forças de segurança espalharam-se, ao ponto de a situação ter ficado, em alguns momentos, praticamente fora de controlo.
Grupos de jovens incendiavam caixotes de lixo, carros, mobiliário urbano. Os bombeiros vinham, apagavam as chamas, a polícia garantia um perímetro de segurança. E, quase em simultâneo, o cenário repetia-se a cinco, 10 ou 20 quilómetros dali. Aconteceu uma e outra vez ao longo daquela semana que se seguiu à morte na Cova da Moura.
Agora, quando o tema da conversa passa a ser sobre Odair — e sobre o episódio que deu origem a esse caos de há um ano —, Edgar baixa a cabeça e o tom de voz fica seco. “As pessoas estão com dor, com mágoa, com tristeza. O Odair era um morador do bairro, uma pessoa pacata e trabalhadora que eu conhecia. Estava praticamente todos os dias com ele, que também ajudava na associação”, conta, sublinhando que durante os fins de semana, os dois amigos iam entregar pão e bolos aos idosos e aos jovens necessitados.
“O sentimento das pessoas mudou”: o medo da polícia e o silêncio dos moradores
É mais uma segunda-feira no bairro do Zambujal, município da Amadora. Os moradores saíram para o trabalho e as crianças estão na escola. Mas há um silêncio no ar. Há exatamente um ano, o Zambujal acordava sobressaltado com a notícia da morte de Odair Moniz, de 43 anos, morador e dono de um pequeno café que era um dos pontos de encontro da vizinhança. Morreu numa operação policial na Cova da Moura, em circunstâncias ainda contestadas pela comunidade. Agora, na véspera do julgamento do agente acusado — começa esta quarta-feira, logo de manhã —, o bairro responde à questão: o que mudou, afinal, desde a morte de Odair, conhecido pela família e amigos como “Dá”?
Na zona mais industrial, entre as oficinas, a farmácia, os cafés e os pequenos negócios de imigrantes, Edgar Cabral vai argumentando na conversa com o Observador, enquanto cumprimenta quem passa, que no bairro as pessoas são honestas e trabalhadoras. “Temos aqui os estufadores, a farmácia, a área dos cafés, a loja do chinês, vários restaurantes, oficinas, creche para as crianças… É uma zona multicultural, temos todo o tipo de pessoas que faz aqui o seu negócio e tem corrido bem”, descreve, acrescentando que “ninguém falta ao respeito a ninguém, fazem o seu trabalho, [têm] o seu ganha-pão”.
Entre os cafés e as pequenas lojas está um homem de 64 anos que não esquece o que aconteceu em outubro de 2024. Sentado numa cadeira no exterior do café “Os da Graça”, Silva Pereira, antigo comerciante e hoje reformado após um AVC, desabafa que não se sente seguro: “Não há mais segurança, não há videovigilância, nada. O sentimento das pessoas mudou, claro que sim. Antes, eu via a polícia e sentia-me seguro. Hoje em dia tenho mais medo da polícia do que de outra pessoa qualquer“.
▲ Embora seja descrito como um "tranquilo", a comunidade afirma que é um bairro "esquecido"
Enquanto Silva Pereira fala, passa na rua outro morador. Junto a um minimercado explorado por cidadãos de origem asiática, João Figueira, também de 64 anos, é abordado pelo Observador. Recorda a noite trágica em que Odair foi morto pelas autoridades. “Nessa noite não dormi. Ardeu um autocarro, arderam caixotes do lixo. Tinha o meu carro à porta e só pensava: não é medo, é receio de ver as minhas coisas estragadas”, relata. Para Figueira, “as pessoas calam-se porque é difícil. Fala-se mais no café que ele tinha ali”.
Edgar Cabral expressou, também, uma forte indignação em relação à forma como o episódio da morte de Odair tem sido tratado pelos meios de comunicação social e pelas autoridades. Afirma que sente “sempre alguém a alimentar este caso”, denunciando o que considera ser a propagação de informações falsas. “Nós somos a minoria, nós somos os pobres, nós somos os pretos, nós somos os indianos, nós somos os brasileiros. Somos a parte mais inferior e o sistema, neste caso, está a trabalhar para desculpar aquilo que foi feito“, diz, pedindo responsabilização, porque “não há desculpa” para o que foi feito.
“Isto tem tudo a ver com André Ventura, que incentivou a polícia a agir de forma errada”
Ainda sentado no café “Os da Graça”, Silva Pereira fala pausadamente, lembrando o homem “trabalhador” e “pai de família” que era Odair Moniz e acusa, ainda, dois agentes de terem mentido ao alegarem que viram uma faca debaixo do corpo da vítima quando a foram levantar: “Ainda por cima [o agente da PSP] teve dois comparsas que mentiram, dizendo que ele [Odair] tinha uma faca debaixo do corpo. Tudo mentira. O bairro está ansioso para o julgamento, queremos justiça. Mataram um homem inocente”, afirma ao Observador. O bairro do Zambujal espera, agora, por respostas. O sexagenário reitera que quer saber o que vai acontecer “a quem fez aquilo ao Odair”.
Mais dois polícias constituídos arguidos no caso da morte de Odair Moniz
Para o reformado de 64 anos, há também um responsável maior pelo clima de desconfiança: “Isto tem tudo a ver com o André Ventura, que incentivou a polícia a agir de forma errada, a bater, [que esteve] a incentivar o ódio. A polícia está toda do lado dele”, acusa.
Na altura, o presidente do Chega manifestou-se contra a constituição como arguido do agente da PSP que baleou Odair na Cova da Moura, argumentando que o país deveria estar grato ao polícia pelo “trabalho que fez de parar um criminoso que estava disponível com armas brancas para atacar polícias, que estava disponível para desobedecer à sua ordem e à sua autoridade, que estava disponível para pôr em causa a ordem pública”.
André Ventura disse, ainda, que o Governo e o primeiro-ministro, Luís Montenegro, deveriam agradecer ao agente da PSP e dar “um sinal político” de que está “incondicionalmente ao lado das autoridades, incondicionalmente ao lado da polícia”. É verdade que Odair resistiu às ordens da polícia: primeiro, pôs-se em fuga, não obedecendo a uma ordem da equipa da PSP que circulava junto ao bairro da Cova da Moura; depois, acelerou pelo bairro dentro, abalroando vários carros que ali estavam estacionados; depois, já fora do carro, resistiu a novas ordens os dois elementos da PSP que o tentavam deter; por fim, acabou baleado com dois disparos. Mas, segundo a acusação do Ministério Público que hoje começa a ser avaliada em tribunal, não é verdade que Odair tivesse tentado agredir os PSP’s com uma arma branca — ou que estivesse, sequer, na posse de uma “faca” ou de um “punhal”.
O “café do Dá”, o mural em homenagem e a falta de apoios do Estado a um “bairro esquecido”
A memória de Odair resiste. Para Edgar Cabral, o nome do homem de 43 anos continua no boca-a-boca. Nos dias de descanso, ao sábado e ao domingo, familiares e amigos reúnem-se nos cafés do bairro e lembram-se de Odair. “Estamos aqui, bebemos um copo, ouvimos música, lembramos sempre do “Dá”, que em crioulo é dado, é uma pessoa que se dá às pessoas. A alcunha era o Dá”, explica ao Observador o dirigente da Associação de Moradores do Zambujal, sublinhando que “o que dói mais é [ouvir] as crianças que vão ao café perguntar por ele”.
“As crianças perguntam por ele. Às vezes vão ao café e pedem gomas, mas o Dá já não está para lhes dar. Dói explicar-lhes que ele fez uma viagem longa, que não volta mais”, confessa Edgar, emocionado. O café — o “Café do Dá” — abre agora apenas alguns dias por semana, gerido pela família. Era uma segunda renda de Odair, local onde se faziam almoços, petiscos ou cachupa. Era o ponto de encontro de todos. Agora funciona só às vezes, mas o nome ficou.
▲ Exterior do "Café do Dá", no centro do bairro do Zambujal
Durante a conversa com o Observador, Edgar passa pelo mural inaugurado no passado sábado com os rostos de Odair Moniz, Mauro e Carlos Reis, perdidos em circunstâncias trágicas. “As pessoas do mural são pilares aqui do Bairro do Zambujal. O Mauro, por exemplo, trouxe a dança e dava oportunidades aos jovens para subirem ao palco e para ir com ele aos shows. Era muito bom”, explica. Relativamente a Carlos, que morreu em 2003, Edgar conta que “foi um caso de polícia em que abateram, trataram mal a família. Quase tudo igual ao que aconteceu com Odair”.
▲ Murais em homenagem aos moradores do Zambujal que morreram e deixaram uma marca no bairro
Silva Pereira, Edgar Cabral e João Figueira confirmam que os moradores acolheram bem a ideia do mural. “Inicialmente, era só para ser do Odair Moniz, mas depois tivemos de acolher as outras pessoas para o mural ter vida. Eles estão cá. Eles estão a dizer ‘nós estamos no mural e estamos com vocês‘. Enquanto comunidade, temos de estar mais unidos. Vai ser uma semana muito difícil”, diz Edgar.
Para o dirigente da Associação de Moradores deste bairro, “o crime foi racial”. “Assassinar assim uma pessoa não pode ser. E o pior é que não vemos mudança. Tivemos presidentes, deputados aqui, promessas, mas nada avançou. Está tudo igual: lixo por todo lado, falta de iluminação, árvores por cortar, prédios sem portas nem vidros. É um bairro esquecido”.
No coração do Zambujal, Teresa Alvarenga, de 61 anos, observa as ruas vazias com um olhar visivelmente triste. Não trabalha por motivos de saúde e sente-se esgotada porque vive sem apoio do Estado. “As casas estão em más condições e as entidades não fazem nenhuma intervenção“, reclama. O bairro, na visão de quem aí vive, precisa de iluminação durante a noite nas ruas, de câmaras de vigilância e de civismo, tanto da comunidade como da polícia. “O bairro precisa de mais respeito, de paz”, lamenta a sexagenária ao Observador.
▲ Os moradores do bairro queixam-se da falta de condições das casas e da sujidade nas ruas
E é neste mesmo bairro “tranquilo” que Sónia, feirante, regressa do trabalho pela madrugada. “Desde que me lembro que vivo cá. Gosto. Sinto-me segura. Sinto-me no meio dos meus, porque acabamos por ser uma família”, diz, enquanto fuma um cigarro à porta do café “Cantinho da Tina”, descartando qualquer sensação de insegurança: “Eu venho à rua a qualquer hora, inclusive quando chego do trabalho por volta das 3, 4, 5 da manhã, porque o meu trabalho é noturno”.
Sónia reconhece, porém, que o julgamento que se aproxima deixa a comunidade inquieta. “Acho que o pessoal se sente um bocadinho reticente em falar, porque o Zambujal é atacado por todas as frentes. Tudo é considerado bandido. O Odair, por exemplo, fez para que crianças de rua não estivessem tanto tempo livres. Chamava-as: ‘Olha, limpa esta parede, olha, limpa este vidro’. Coisas que elas conseguiam fazer e enquanto isso não estavam na rua. Ele só queria ajudar”.
Relativamente à relação entre os moradores do bairro e a polícia, a feirante diz que é tranquila e depende sempre de cada situação. “A polícia vem cá, entra e sai, mas claro, depende da situação. Se for chamada por algo mais complicado, há sempre situações desagradáveis para a própria polícia. Sou a favor de uma super esquadra aqui no bairro”. Questionada sobre se isso não agravaria tensões, Sónia responde ao Observador que uma esquadra no Zambujal seria benéfico: “No meu ponto de vista não atrapalhava em nada. Se calhar não havia tanto conflito. Eles [polícia] têm de mostrar autoridade, [e os moradores] têm de respeitar a autoridade”.
A 14 de janeiro de 1986 um acontecimento muda o rumo da campanha das presidenciais: a inesperada agressão a Soares na Marinha Grande. Nas urnas, o socialista e Zenha lutam por um lugar na segunda volta frente a Freitas. A “Eleição Mais Louca de Sempre” é o novo Podcast Plus do Observador sobre as Presidenciais de 1986. Uma série narrada pelo ator Gonçalo Waddington, com banda sonora original de Samuel Úria. Pode ouvir aqui, no Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir o primeiro episódio aqui, o segundo aqui e o terceiro aqui.]
Mulher de Odair Moniz considera que desacatos na Grande Lisboa “não expressaram o sentimento da família”
A morte de Odair Moniz gerou uma forte contestação nas ruas, com desacatos violentos em vários pontos da Grande Lisboa. Uma das zonas mais afetadas foi Alfragide, onde se situa o bairro do Zambujal e onde, aliás, vivia também Odair.
António Paulo, presidente (agora reeleito) da Junta de Freguesia de Alfragide, lembra este período tenso, classificando os desacatos como “tristes incidentes”, e assegura ao Observador que foram “pessoas de fora” que causaram os distúrbios no Zambujal.
O presidente da Junta de Freguesia reforça a visão positiva que tem sobre os moradores, reiterando que as pessoas do Zambujal são pacíficas. Diz, também, que conhece a mulher de Odair Moniz e que ela não concordou com os desacatos que se desenrolaram depois da morte do marido: “A mulher de Odair, inclusive, achou que aqueles incidentes e aquelas manifestações que se fizeram não eram adequadas para fazer valer a imagem de Odair e tão pouco elas expressaram o sentimento da família”.
Relativamente à forma como a Junta de Freguesia, em consenso com a Câmara, tem intervindo no bairro, António Paulo afirma que tem reunido com as associações que existem no bairro, procurando sensibilizá-las para um trabalho comunitário — algo que Edgar, o presidente da Associação de Moradores do bairro, contradiz.
O autarca local descarta, no entanto, qualquer responsabilidade no que diz respeito ao reforço de segurança no dia do julgamento do agente da PSP que atingiu mortalmente Odair, marcado para quarta-feira, dia 22. “Não tenho qualquer intervenção nem possibilidade de dizer às forças da autoridade para agirem desta ou daquela maneira. Portanto, isso é um problema que nos ultrapassa”, sublinha.
Julgamento da morte de Odair Moniz adiado por baixa médica de advogado
“Temos de esperar pela decisão dos tribunais e não estar a priori a pensar em cenários que possam acicatar os ânimos das pessoas, mas espero que não se volte a repetir o que aconteceu no passado”, conclui António Paulo.
O Observador, entretanto, apurou junto de fonte ligada à Comarca de Lisboa Oeste que já foi pedido um reforço de segurança para evitar eventuais tumultos. O polícia que está acusado da morte de Odair Moniz começou a carreira em 2022 e está, neste momento, suspenso de funções. Vai responder em tribunal pelo crime de homicídio. Para o Ministério Público, o agente sabia que “a conduta de disparar, por duas vezes, a curta distância do corpo de Odair era apta a atingir o corpo deste”.
“Forças de segurança precisam de conhecer as dinâmicas locais”. OSCOT defende revisão profunda do recrutamento e formação da PSP
O Zambujal não é só memória. É também um espelho de um país que ainda tenta entender o que falhou. Francisco Rodrigues, presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT), afirma ao Observador que, passado um ano, “ainda não se fez o balanço final”, mas já é possível dizer que “não se viu grande mudança do ponto de vista da segurança”.
Para o investigador — que acompanha de perto estes fenómenos —, o problema é estrutural: “Não se modificou a forma de intervenção nestas zonas, onde seria necessário um policiamento mais próximo, mais conhecedor da comunidade. Continuamos a atuar como se todas as realidades fossem iguais”. Francisco Rodrigues defende um modelo de policiamento comunitário, que envolva diálogo e confiança: “As forças de segurança precisam de conhecer as dinâmicas locais e trabalhar com as pessoas, não contra elas”.
“Também é preciso pensar nos próprios polícias, nas condições em que trabalham e nos instrumentos que têm. O caso do Odair mostra isso mesmo: a PSP ainda depende quase exclusivamente da arma de fogo como último recurso. Se existissem instrumentos não letais, como o taser, talvez aquele desfecho pudesse ter sido evitado“, defende Francisco Rodrigues. Na análise do OSCOT, há uma falha dupla de formação e de equipamento. As forças de segurança não têm meios adequados para responder a incidentes de forma proporcional e isso aumenta o risco tanto para os polícias como para os cidadãos.
Questionado sobre a recente onda de violência na Grande Lisboa, com várias pessoas baleadas em poucos dias, o presidente do OSCOT considera que é “uma triste coincidência”, mas não descarta que os dados anuais revelem “um aumento preocupante da criminalidade grave e violenta”.
Três pessoas baleadas em menos de quatro horas na Amadora. Foram todas hospitalizadas
“Temo que o próximo relatório anual de segurança interna traga a confirmação de que os crimes de homicídio e o uso de arma de fogo voltaram a subir”. Para o investigador, este é o momento de repensar o modelo de segurança e a altura para o Governo refletir sobre como está a recrutar, formar e equipar os jovens para as forças de segurança, nomeadamente da PSP. “É preciso uma revisão profunda da estratégia nacional, que inclua não só mais meios, mas também mais humanidade na forma de agir”, conclui.