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Ainda não há fundos de investimento completamente isentos de comissões, mas essa possibilidade está cada vez mais próxima. Como neste caso: quando o Governo da Índia embrulhou várias privatizações num único instrumento, o Bharat 22 ETF, decidiu que o fundo teria de ser o mais barato possível. Este produto, que está cotado na bolsa de Bombaim desde novembro passado, deverá ter um custo de 0,0095% por ano. Investir no Bharat 22 é como participar na história do crescimento indiano, disse Neeraj Kumar Gupta, o secretário de Estado indiano com o pelouro da carteira dos ativos públicos. “Bharat” quer dizer “Índia” em hindi.

Mesmo nos mercados mais acessíveis aos investidores portugueses, os encargos dos fundos cotados na bolsa (conhecidos por exchange-traded funds ou, simplesmente, ETF) estão a descer. Na Europa ocidental e nos Estados Unidos da América, já há mais de 150 fundos que têm encargos anuais inferiores a 0,1% dos ativos administrados, segundo a base de dados da Bloomberg.

É o baixo custo dos fundos cotados que está a fazer explodir a indústria, que já gere quatro biliões de euros em todo o mundo, de acordo com a consultora ETFGI. “O mercado de ETF na Europa duplicou a cada cinco anos nos últimos 15 anos”, recorda Olivier Paquier, responsável pelo negócio dos fundos cotados da J.P. Morgan Asset Management na Europa continental. “A regulamentação mais recente [como a reformulação da diretiva relativa aos Mercados de Instrumentos Financeiros] tem ajudado os ETF, por ricochete, por serem produtos mais simples”, acrescenta.

Até onde podem baixar? Até zero… ou menos

Como a maioria dos fundos cotados replica índices simples, a sua administração é barata. Esse custo pode ser mais do que compensado pela receita dos empréstimos de títulos. Muitas das gestoras fazem esses empréstimos a instituições que necessitam dos títulos para fecharem negócios ou para apostarem na queda do preço. Por regra, esses empréstimos têm uma garantia em dinheiro ou noutros títulos superior a 100% do valor de mercado dos títulos emprestados. Além disso, quem pede emprestado paga uma taxa, que pode ser dividida entre a sociedade gestora e os investidores do fundo.

A BlackRock emprestou, em média, 4% da carteira do iShares Core S&P 500 ETF nos 12 meses terminados em março passado, recebendo garantias avaliadas em 110% do valor dos títulos emprestados. Essa atividade gerou uma receita equivalente a 0,01% da carteira do fundo. A taxa de encargos correntes do produto, que é o maior do género na Europa, é de 0,07%.

Derek Horstmeyer, professor de Finanças na Universidade de George Mason, na Virgínia norte-americana, defende que é uma questão de tempo até surgirem os primeiros fundos cotados sem comissões. “Parece completamente plausível que um fundo cotado de comissões zero seja apresentado dentro de dois anos”, escreveu o investigador no Wall Street Journal em fevereiro passado. “Até um fundo com comissões negativas — no qual o fundo paga ao investidor para investir — pode ser possível.”

“Não há um limite inferior no zero para as comissões”, confirmou ao Wall Street Journal, em 2016, Lee Kranefuss, o fundador da marca iShares, uma das primeiras no mercado dos fundos cotados de índice.

7 regras para escolher um fundo cotado

As comissões cobradas pelas sociedades gestoras não são necessariamente os encargos mais pesados para quem investe em fundos cotados de índice. Como são negociados na bolsa, os investidores têm também de suportar as comissões de transação cobradas pelos seus intermediários financeiros. É por isso que o mercado onde o fundo está disponível deve ser um dos critérios mais relevantes para selecionar o produto.

Conheça as 7 regras que usámos para eleger os fundos cotados que recomendamos mais à frente:

  1. Bolsa. Os custos de negociar na bolsa são normalmente mais baixos se o fizer em Lisboa. Depois, Amesterdão, Bruxelas e Paris são os destinos mais económicos. Por isso, regra geral, optamos por fundos cotados nestas quatro praças.
  2. Harmonizados. Os fundos registados na União Europeia seguem regulamentos semelhantes. Para os investidores, participar num fundo harmonizado é uma garantia que as sociedades gestoras seguem as mesmas regras que a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários procura que os fundos portugueses cumpram. Normalmente, os fundos estrangeiros harmonizados incluem na sua designação ‘UCITS’, as iniciais, em inglês, da diretiva que permite aos fundos harmonizados serem comercializados nos vários estados-membros.
  3. Replicação. Preferimos fundos que compram realmente os ativos, fazendo o que se chama de replicação física. A alternativa, a replicação sintética, consiste em investir através de instrumentos e contratos derivados. Embora possa ficar mais económica, a replicação sintética pode adicionar camadas de risco, nomeadamente o de contraparte.
  4. Índice de referência. Opte por índices muito conhecidos, como o MSCI World, o Euro Stoxx 50 ou o Standard & Poor’s 500. Se é um investidor de longo prazo, compre fundos que repliquem simplesmente o índice. Evite os fundos alavancados e os fundos que amortizam a volatilidade.
  5. Dimensão e liquidez. Procure fundos cotados de grande dimensão e com um elevado volume negociado por dia. Investir em fundos pequenos e com pouca liquidez reflete-se em piores negócios para os investidores.
  6. Dividendos. Se não precisa de um rendimento periódico, não invista em fundos que distribuem dividendos; prefira os que acumulam os rendimentos. Mesmo que precise de um rendimento periódico, não exclua os fundos sem distribuições: pode sempre vender na bolsa à medida que for precisando.
  7. Empréstimos. Se a maior parte do rendimento dos empréstimos de títulos for direcionada para os investidores, não descarte o fundo. Garanta que os empréstimos têm garantia.

Embora existam 5.461 fundos cotados em todo o mundo, são poucos os que cumprem os critérios anteriores. “Não é possível satisfazer todos os investidores”, concorda Olivier Paquier, da J.P. Morgan Asset Management, que listou os seus cinco primeiros fundos cotados europeus nas bolsas de Dublin, Frankfurt, Londres, Milão e Zurique.

Em breve, a lista de fundos que cumprem as regras mínimas recomendadas poderá aumentar: a Euronext comprou a bolsa de Dublin. Os produtos desse mercado serão integrados no livro central de ordens do grupo, o que pode querer dizer que poderão ser eventualmente transacionados pelos portugueses ao mesmo custo dos títulos de Amesterdão, Bruxelas e Paris. Todavia, embora seja um assunto prioritário para a administração da Euronext, ainda não há datas para a conclusão da operação.

A Euronext “ainda não comunicou qualquer alteração nem a integração desta bolsa [de Dublin] na estrutura ora existente, e que reúne Lisboa, Amesterdão, Paris e Bruxelas, pelo que alterações de preçário ainda não estão previstas”, observa João Queiroz, diretor da banca online do Banco Carregosa. A bolsa irlandesa inclui cerca de 250 fundos cotados de índice.

Escolha o intermediário mais barato

Se ainda não o faz, convença-se: negociar na bolsa através da Internet é muito mais barato. Um cliente da Caixa Geral de Depósitos que gaste 10 mil euros na bolsa parisiense paga 31,20 euros pela operação ao balcão em vez de 10,40 euros se usar o serviço de banca eletrónica.

A plataforma GoBulling Pro do Banco Carregosa é, de longe, a mais económica para investir em fundos cotados em Amesterdão e em Paris (excluímos as bolsas de Bruxelas e de Lisboa, porque os 14 fundos listados nesses mercados não cumprem as regras anteriores). Numa operação de compra ou de venda, esse banco cobra 5 euros. O encargo na concorrência é, em média, de 20,42 euros.

Mais barato não há
Analisámos os custos de negociação via Internet nas bolsas de Amesterdão e Paris nos 18 maiores intermediários que aceitam clientes particulares, de acordo com o montante custodiado.
Abaixo encontra os encargos dos intermediários mais económicos,
o que não quer dizer que as plataformas incluam na sua oferta os fundos em que quer investir.
Montante da ordem de bolsa Encargos sobre a transação via Internet
Intermediário mais barato Segundo intermediário mais barato
até 10.000€ GoBulling Pro
Banco Carregosa
5€
Caixadirecta
Caixa Geral de Depósitos
7,28€ (até 2.000€)
8,32€ (a partir de 2.000€)
a partir de 10.000€ Best Trading Pro
Best
0,08% do montante
(mínimo 10,40€)
Fonte: preçários das instituições financeiras a 9 de maio de 2018. Encargo inclui Imposto do Selo.

O Banco Carregosa também isenta os clientes do serviço GoBulling Pro das comissões sobre o pagamento de dividendos e da comissão de guarda de títulos. Normalmente, os concorrentes do Banco Carregosa cobram 2,5% do montante do dividendo recebido com um mínimo de 3 euros e 9 euros por trimestre pela guarda. A solução Best Trading Pro também dispensa os investidores destes encargos.

Não menospreze a importância de minimizar as comissões: se, em vez de optar pelo GoBulling Pro, escolher um intermediário que cobre o dobro na negociação e 9 euros pela guarda de títulos, ao fim de 20 anos de aplicações trimestrais terá perdido cerca de 2.400 euros em comissões, assumindo uma rentabilidade anual de 7%.

É possível, no entanto, encontrar intermediários estrangeiros mais baratos do que o Banco Carregosa. A holandesa Degiro, que procura clientes portugueses, é uma das mais económicas: uma vez por mês, os investidores não pagam a comissão de bolsa nas operações sobre alguns fundos cotados. A corretora cobra anualmente 2,50 euros pelo acesso a cada bolsa de valores (excluindo a lisboeta).

Investir em fundos para o longo prazo

Procurámos os melhores fundos cotados de ações para investir numa perspetiva de longo prazo. Embora os fundos cotados possam ser negociados ao longo do dia, não recomendamos estratégias de curto prazo. Também não recomendamos fundos exóticos, como os especializados em setores ou pequenas nações, os fundos de mercadorias ou os chamados “fundos inteligentes”, que seguem índices construídos seguindo algumas métricas, como rácios bolsistas. Podem ser soluções interessantes para alguns investidores, mas não para a maioria.

A maioria dos investidores de longo prazo deve preferir um fundo de ações mundiais, como o iShares Core MSCI World UCITS ETF, gerido pela BlackRock. Por um encargo anual de 0,20% da carteira (20 euros por cada 10 mil euros investidos), tem acesso a uma lista de mais de 1.600 ações de empresas localizadas nos mercados mais desenvolvidos. A carteira fica, naturalmente, enviesada para as mais valiosas firmas mundiais, como Apple, Microsoft, Amazon.com, Alphabet e Facebook. Os títulos norte-americanos absorvem agora 60% do património do fundo.

Se desejar que os EUA pesem menos na sua carteira, pode combinar um fundo de ações europeias (como o Lyxor Core Euro Stoxx 300 (DR) UCITS ETF) e outro de japonesas (como o iShares Core MSCI Japan IMI UCITS ETF). A zona euro e Japão são as principais regiões económicas dos mercados desenvolvidos a seguir aos EUA.

Nove fundos de ações cotados para começar a investir
Estes fundos estão entre os mais líquidos nas bolsas Euronext. A replicação é física, embora, por vezes,
seja de uma forma otimizada, isto é, os fundos não detêm diretamente uma pequena parte
dos ativos do índice de referência. Nenhum distribui dividendos.
ISIN Fundo Rentabilidade anualizada Classe de risco Taxa de encargos correntes Bolsa
1 ano 3 anos 5 anos
Fundos de ações do mundo
IE00B4L5Y983 iShares Core MSCI World UCITS ETF 4,44% 5,79% 11,34% 5 0,20% Amesterdão
LU1437016972 Amundi Index MSCI World UCITS ETF DR 4,16% n.a. n.a. n.a. 0,18% Paris
Fundos de ações dos EUA
IE00B5BMR087 iShares Core S&P 500 UCITS ETF 5,17% 8,43% 14,54% 5 0,07% Amesterdão
LU1437017863 Amundi Index S&P 500 UCITS ETF DR 4,66% n.a. n.a. n.a. 0,15% Paris
Fundos de ações da zona euro
LU0908501058 Lyxor Core Euro Stoxx 300 (DR) UCITS ETF 4,57% 5,74% 10,90% 6 0,07% Paris
IE00B53L3W79 iShares Core Euro Stoxx 50 UCITS ETF 0,92% 2,57% 8,57% 6 0,10% Amesterdão
Fundos de ações do Japão
IE00B4L5YX21 iShares Core MSCI Japan IMI UCITS ETF 8,23% 5,98% 9,39% 6 0,20% Amesterdão
Fundos de ações de mercados emergentes
IE00BKM4GZ66 iShares Core MSCI EM IMI UCITS ETF 8,40% 3,81% n.a. 6 0,25% Amesterdão
IE00B469F816 SPDR MSCI Emerging Markets UCITS ETF 8,93% 3,94% 6,11% 6 0,42% Paris
Fonte: Bloomberg a 10 de maio de 2018. Classe de risco, entre 1 (baixo) e 7 (alto), baseado no desvio-padrão das rentabilidades semanais de 5 anos. n.a. = não aplicável.

Se quiser adicionar uma pitada de mercados emergentes à sua fortuna, invista num fundo especializado. O iShares Core MSCI EM IMI UCITS ETF tem quase dois mil títulos espalhados maioritariamente pela China, Coreia do Sul, Taiwan, Índia, Brasil e África do Sul. Note que muitos fundos de ações mundiais, como o iShares Core MSCI World UCITS ETF, não incluem exposição aos mercados emergentes.

Cuidado com os fundos de obrigações

A procura dos investidores por fundos cotados de obrigações está em alta. “O crescimento [da indústria] nos últimos cinco anos foi essencialmente nos fundos de obrigações e nos fundos alternativos”, observa Olivier Paquier, da J.P. Morgan Asset Management.

É, no entanto, necessária alguma cautela na seleção de fundos cotados de obrigações. “Os investidores que procuram poupar alguns pontos-base nas comissões de gestão ao optarem por gestão passiva [em fundos de obrigações] podem enfrentar custos muito mais altos na rentabilidade”, concluiu Matthew Chaldecott, especialista da Allianz Global Investors, num estudo recente da sociedade gestora de ativos. “Não é possível replicar os retornos dos índices, mesmo depois de ajustar pelas comissões. Os problemas são particularmente graves nos mercados menos líquidos, como o da dívida de alto rendimento ou os mercados emergentes”, exemplifica Chaldecott.

Se quiser investir em fundos cotados de obrigações, escolha não só um fundo muito transacionado mas também cujos títulos em carteira sejam muito líquidos. É o caso da série de fundos Lyxor EuroMTS, que aplicam o património em dívida pública da zona euro com diferentes prazos. Por exemplo, o Lyxor EuroMTS 10-15Y Investment Grade (DR) UCITS ETF investe em títulos da zona euro que se vencem entre 10 e 15 anos, incluindo 1,86% em Obrigações do Tesouro português. Alemanha, Espanha, França e Itália são os principais emitentes dos ativos nas carteiras destes fundos.

Fundos de obrigações económicos e populares
Nenhum destes fundos cotados de obrigações distribui dividendos aos investidores.
Em vez disso, reinvestem todos os juros recebidos.
ISIN Fundos Rentabilidade anualizada Classe de risco Taxa de encargos correntes Bolsa
1 ano 3 anos 5 anos
LU1437024729 Amundi Index Barclays Global Agg 500M UCITS ETF DR -5,14% n.a. n.a. n.a. 0,10% Paris
LU1437018598 Amundi Index J.P. Morgan EMU Govies IG UCITS ETF DR 2,04% n.a. n.a. n.a. 0,14% Paris
LU1650487413 Lyxor EuroMTS 1-3Y Investment Grade (DR) UCITS ETF -0,40% -0,15% 0,39% 2 0,17% Paris
LU1650488494 Lyxor EuroMTS 3-5Y Investment Grade (DR) UCITS ETF 0,34% 0,65% 1,71% 2 0,17% Paris
LU1287023003 Lyxor EuroMTS 5-7Y Investment Grade (DR) UCITS ETF 1,08% 1,23% 3,03% 3 0,17% Paris
LU1287023185 Lyxor EuroMTS 7-10Y Investment Grade (DR) UCITS ETF 2,40% 2,16% 4,39% 3 0,17% Paris
LU1650489385 Lyxor EuroMTS 10-15Y Investment Grade (DR) UCITS ETF 3,46% 2,05% 5,92% 4 0,17% Paris
LU1287023268 Lyxor EuroMTS 15+Y Investment Grade (DR) UCITS ETF 5,21% 2,03% 7,43% 5 0,17% Paris
FR0012538148 Lyxor Ultra Long Duration Euro Govt FTSE MTS 25+Y (DR) UCITS ETF 7,18% 1,94% n.a. n.a. 0,10% Paris
Fonte: Bloomberg a 10 de maio de 2018. Classe de risco, entre 1 (baixo) e 7 (alto), baseado no desvio-padrão das rentabilidades semanais de 5 anos. n.a. = não aplicável.

Se não deseja investir numa maturidade específica, opte pelo Amundi Index J.P. Morgan EMU Govies IG UCITS ETF DR. O seu índice de referência não tem qualquer restrição quanto à data de vencimento dos títulos de dívida pública da zona euro incluídos. Atualmente, a maturidade dos ativos está, em média, perto de oito anos.

Se quiser um fundo menos concentrado em dívida pública e na zona euro, eleja o Amundi Index Barclays Global Agg 500M UCITS ETF DR. A exposição a dívida pública é superior a 60%, mas maioritariamente fora da zona euro. Embora seja mais diversificado (tem cerca de 2.200 títulos diferentes na carteira), não é menos arriscado do que a maioria dos fundo do quadro anterior. Além de investir em segmentos do mercado obrigacionista mais voláteis, está exposto ao risco cambial.

Seja socialmente responsável com os seus fundos

Se está a passar o seu património para fundos indexados, pondere selecionar soluções socialmente responsáveis. “Todos os investidores, institucionais e privados, deveriam dedicar parte do tempo a estudar este tipo de metodologias [socialmente responsáveis] e ponderar se podem incluir na carteira”, defende Pedro Coelho, responsável pela distribuição de fundos de índice da UBS na Ibéria.

As vantagens dos fundos indexados socialmente responsáveis não se restringem em alinhar o património com os valores pessoais. “Investir em estratégias deste tipo não retirará qualquer rentabilidade”, resume Pedro Coelho, que conversou com o Observador antes de uma conferência organizada pelo Best sobre este tema. “Há também uma volatilidade inferior. Não muito, mas inferior”, acrescenta.

Embora um fundo cotado que replique um índice socialmente responsável seja muito mais barato do que um fundo tradicional — o F&C Responsible Global Equity A EUR, o melhor de gestão ativa, tem encargos sete vezes superiores a alguns fundos de índice —, são ligeiramente mais caros do que os fundos de índice sem qualquer filtro. Pedro Coelho estima que a taxa de encargos correntes aumenta entre 0,10 e 0,15 pontos percentuais ao optar-se por um fundo cotado socialmente responsável.

Em alternativa ao iShares Core MSCI World UCITS ETF, que investe em ações dos mercados desenvolvidos, o investidor poderia eleger o UBS ETF MSCI World Socially Responsible UCITS ETF: após os filtros de indicadores socialmente responsáveis, a carteira é reduzida para um quarto dos títulos (de 1.600 para cerca de 400 ações) e os encargos anuais sobem de 0,20% para 0,38%.

Infelizmente, há poucos fundos cotados de índices socialmente responsáveis que respeitam os melhores critérios de seleção para investidores portugueses. O UBS ETF MSCI World Socially Responsible UCITS ETF, por exemplo, está apenas listado nas bolsas de Frankfurt e de Zurique, onde é mais caro fazer negócios.

Responsáveis mas pouco transacionados
Estes são os fundos socialmente responsáveis mais interessantes para os investidores portugueses.
O primeiro investe em ações dos EUA. O segundo aplica numa carteira de ações dos mercados desenvolvidos,
exceto de fabricantes de armamento. O terceiro concentra-se na Europa. Nenhum distribui dividendos.
ISIN Fundo Rentabilidade anualizada Classe de risco Taxa de encargos correntes Bolsa
1 ano 3 anos 5 anos
LU1291103338 BNP Paribas Easy MSCI KLD 400 US SRI UCITS ETF 5,19% n.a. n.a. n.a. 0,30% Paris
LU1291108642 BNP Paribas Easy MSCI World ex Controversial Weapons UCITS ETF 3,61% n.a. n.a. n.a. 0,25% Paris
IE00B52VJ196 iShares MSCI Europe SRI UCITS ETF EUR 2,39% 1,51% 7,71% 5 0,30% Amesterdão
Fonte: Bloomberg a 10 de maio de 2018. Classe de risco, entre 1 (baixo) e 7 (alto), baseado no desvio-padrão das rentabilidades semanais de 5 anos. n.a. = não aplicável.

Um dos problemas dos fundos socialmente responsáveis é a difícil comparação entre produtos, porque os critérios das sociedades gestoras podem ser díspares. A Comissão Europeia está atenta. A Europa “precisa de um sistema de classificação tecnicamente robusto para estabelecer clareza de mercado sobre o que é ‘ecológico’ ou ‘sustentável’”, lê-se no relatório final da equipa de especialistas nomeada pela Comissão para estudar como aprofundar as finanças sustentáveis.

Um das recomendações à Comissão Europeia foi a introdução de rótulos, de adesão voluntária pelas sociedades gestoras, que guiariam os investidores no mercado dos fundos socialmente responsáveis. Essa medida foi classificada como a mais urgente: a Comissão quer introduzir legislação até ao final do próximo mês de junho de 2018.

David Almas é analista financeiro independente registado na CMVM com o número oito. O autor trabalha subordinado ao Código Deontológico dos Jornalistas. O autor detém unidades de participação do iShares Core MSCI World UCITS ETF.