Os prédios comprados à Segurança Social abaixo do custo de mercado até podem ter sido um bom negócio para os cofres de Lisboa, mas as contas finais mostram que a autarquia liderada por Fernando Medina irá gastar, em alguns casos, cerca de 400 mil euros por cada casa destinada ao arrendamento acessível. O Estado pagará parte desse valor e, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência, abre-se a janela do financiamento a 100% a fundo perdido. A famosa ‘bazuca’ pode assim ajudar a pagar estas casas.

No número 106 da Avenida da República vão ser criadas apenas quatro casas com tipologia T4. O custo? Somando a reabilitação à aquisição são mais de 376 mil euros por cada casa. Parte desse valor terá comparticipação a fundo perdido ao abrigo do programa 1.º Direito, que veio substituir o antecessor Prohabita. Mas não é caso único. Duas portas ao lado, vão ser reabilitadas 21 casas, cada uma com um custo total final de mais de 318 mil euros. A pouco mais de um quilómetro, no número 48 da Avenida Visconde Valmor serão reabilitadas 22 casas, por cerca de dois milhões de euros. Somando o custo de aquisição do prédio, cada casa ficará em média por cerca de 316 mil euros.

Sobre o porquê de custos tão elevados, a autarquia justifica ao Observador que “a reabilitação é sempre mais cara que a construção, especialmente neste caso em que se trata também da reconversão de prédios de escritórios para o uso habitacional.” A “resiliência sísmica”, que a autarquia tem sempre em conta nas construções que adjudica, também terão ajudado a encarecer as obras.

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