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18 de Maio de 2022 - Portugal, Lisboa, Palacete Gomes Freire. Segunda edição da Lisbon by Design, dedicada ao saber fazer tradicional português, com peças exclusivamente feitas em Portugal. FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR
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O produto das residências da associação Passa ao Futuro mostra-se num dos 12 ambientes circuláveis neste edifício na Rua Gomes Freire, em Lisboa. Ao fundo, a cadeira Pico, desenhada por Miguel Soeiro manufaturada por Fernando Nelas.

FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR

O produto das residências da associação Passa ao Futuro mostra-se num dos 12 ambientes circuláveis neste edifício na Rua Gomes Freire, em Lisboa. Ao fundo, a cadeira Pico, desenhada por Miguel Soeiro manufaturada por Fernando Nelas.

FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR

Lisbon by Design. Um palacete aberto ao saber fazer e ao saber comprar

Do atelier Daciano da Costa às artesãs de Portalegre, da criatividade mais pulsante ao melhor da tradição nacional. Este fim de semana, o Palacete Gomes Freire, em Lisboa, é uma montra do design.

Saber e arte, técnica e tradição, rasgo e setas apontadas ao futuro. Tudo isto é design, Lisbon by Design, com a vertente comercial a ocupar um lugar decisivo na equação. À segunda edição, de regresso ao Palacete Gomes Freire, esta montra para ver e comprar está aberta ao público sábado e domingo, entre as 10h00 e as 18h00 — quinta e sexta-feira, o acesso fica reservado a convites. E pelas várias assoalhadas desfila um encontro e mistura de materiais, gerações, estilos e processos, com contributos nacionais e internacionais, dos dedos experientes e calejados das artesãs alentejanas aos candeeiros de mármore custom made que vai querer ter na sala.

90% destas peças foram criadas de propósito para este momento, implicando vários meses de trabalho — muitas delas começaram a ser produzidas corria ainda o mês de setembro. No caso de Vasco Águas, aka Barbudo Aborrecido, arrancou no dia 1 de abril e os 45 seguintes foram dedicados a completar os exemplares que dão as boas vindas a quem chega — “Transformação II”, série de paisagem têxtil, vive do macramé, tecelagem, cordão e barbante de algodão, os materiais que já nos habituámos a ver em vários espaços públicos ou que seguem para sortudos domínios privados. Mais adiante, no cimo dos primeiros degraus, João Bruno Videira evoca Lourdes Castro, num jogo de luz e sombras fiel à herança da artista madeirense — é do cima da escadaria que nos acena “As Quatro Estações”, tapeçaria sobre cartão da autoria da madeirense, nessa ponte com a Manufactura de Tapeçarias de Portalegre, fundada em 1946, conhecida pela sua técnica própria. Já o Dodecaedro (2016) de Videira, que cresceu rodeado de lã, influenciado pela mãe, é uma escultura em forma de árvore em ferro e lã de Arraiolos, fio condutor, literalmente, de um trabalho tão singular quanto nacional, saído de mãos pacientes. “Estive cá o ano passado. Este ano, estas esculturas foram feitas de propósito para este espaço”, explica João, que jogou com as cores dos painéis e cujo cujo grosso do trabalho é personalizável segundo o gosto de quem pede: “tento perceber exatamente o que o cliente procura, de forma exclusiva”

A ideia da sombra, agora num jogo lunar disputado por Gezo Marques e José Aparício Gonçalves, é retomada já no andar de cima, revelando-se em todas as suas fases no espaço reservado à Oficina Marques. Por aqui, como sempre, nada se perde e tudo se transforma, com o aparente desperdício “a ganhar uma segunda vida” em esculturas e quadros monumentais. “Gostamos de celebrar a natureza e a vida mas também de contar historias sobre cicatrizes e imperfeições, algo que exploramos nas nossas peças”, descreve José. Da madeira à cerâmica de autor, o gabinete de curiosidades improvisado num dos salões segue os cinco pilares que sustentam as andanças no atelier do Bairro Alto: o mar, as plantas, o corpo, a fé e a cidade de Lisboa, resumidos na máxima “Tusa de Viver”.

18 de Maio de 2022 - Portugal, Lisboa, Palacete Gomes Freire. Segunda edição da Lisbon by Design, dedicada ao saber fazer tradicional português, com peças exclusivamente feitas em Portugal. FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR 18 de Maio de 2022 - Portugal, Lisboa, Palacete Gomes Freire. Segunda edição da Lisbon by Design, dedicada ao saber fazer tradicional português, com peças exclusivamente feitas em Portugal. FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR 18 de Maio de 2022 - Portugal, Lisboa, Palacete Gomes Freire. Segunda edição da Lisbon by Design, dedicada ao saber fazer tradicional português, com peças exclusivamente feitas em Portugal. FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR 18 de Maio de 2022 - Portugal, Lisboa, Palacete Gomes Freire. Segunda edição da Lisbon by Design, dedicada ao saber fazer tradicional português, com peças exclusivamente feitas em Portugal. FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR

Da esq. para a dta., Vasco Águas (aka Barbudo Aborrecido), Mircea Anghel, Felipa Almeida e Henriette Arcelin, e João Bruno Videira.

FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR

Ao longo de 12 ambientes diferentes, é possível circular por cada divisão do palacete de forma descontraída. A cada sala o seu criador, exceto quando se trata de colaborações entre dois nomes, numa confluência extra de técnicas. “Esta é uma apresentação sobre criatividade, artes e design. Tudo é um bom investimento, são peças únicas, mas reproduzíveis em contexto de atelier. A maioria recorre a técnicas tradicionais mas também temos novos designs. Têm que ver a Fábrica de Portalegre, é incrível.”, recomenda Julie de Halleux, a belga que escolheu Portugal para viver e alimentar o gosto pelos interiores e pelo design, e que em 2021 lançou a Lisbon by Design, também neste endereço da Rua Gomes Freire.

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É no coração do primeiro andar que se mostra a criação do romeno Mircea Anghel, o fundador da Cabana Studio, fixado desde 2019 na Herdade da Barrosinha, no Alentejo, naquela que é provavelmente a mais volumosa das estrelas desta companhia. Entre as técnicas de trabalhar a madeira e os métodos de tratamento orgânico, é a vez do papel de jornal servir como matéria para esta estrutura branca que acompanha as reflexões sobre o estado do mundo — a começar pelo seu clima. “É curioso como nos tornamos otimistas sobre o ambiente apenas porque estamos a destruir menos do que estávamos a destruir. Somos um animal muito otimista. Esse background levou-nos a usar o papel de jornal como material.”, enquadra Mircea, habituado a trabalhar muito material orgânico, madeira e ainda o mármore, cujo pó aqui acaba por embrulhar esta criação. “Apesar de querermos desenvolver um processo muito upcycling, há técnicas que não são muito ecológicas; criámos algum desperdício”, acrescenta, apontando para outra conclusão retirada da abafada temporada em Alcácer do Sal, de onde surgiu este projeto. “Somos preocupados com o ambiente mas somos pobres a tomar decisões a curto prazo para fazer algo positivo sobre isso. Este trabalho reflete isso. Gostamos da ideia de pureza que esconde toda esta confusão por detrás.”

O Jardim da Analora e a herança de Daciano da Costa

Um oásis verde, azul e otimista, distante de preocupações de maior, porque uma injeção de alegria também é essencial neste percurso. Que é como quem diz um autêntico jardim cuidado pela galeria Analora. E neste Lisbon by Design são quatro os jardineiros, perdão, os artistas representados por Anne-Laure Pilet. A tapeçaria de Vanessa Barragão, a cerâmica de António Vasconcelos LapaAlmerinda Gillet e ainda o trabalho em gesso de Iva Viana recriam este ambiente verdejante onde apetece repousar.

“O conceito é o jardim. Queria que toda a gente seguisse este conceito, que fosse muito colorido, alegre, que trouxesse uma boa vibe do país e que revelasse esse respeito pelo ambiente. Sigo o mesmo espírito na minha galeria mas ali predomina o branco. Neste caso, é tudo muito colorido”, explica Anne-Laure, que recentemente abriu portas na Rua de São Bento. As indicações cromáticas foram seguidas à risca pelo conjunto de nomes representados. “Não usei branco porque quando o coral está branco é sinal de que estão a morrer devido ao aquecimento global. Aqui quis as flores, a primavera, uma ideia de felicidade a alegria”, aponta Vanessa Barragão, com uma peça em estreia absoluta, para apreciar numa das paredes.

18 de Maio de 2022 - Portugal, Lisboa, Palacete Gomes Freire. Segunda edição da Lisbon by Design, dedicada ao saber fazer tradicional português, com peças exclusivamente feitas em Portugal. FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR 18 de Maio de 2022 - Portugal, Lisboa, Palacete Gomes Freire. Segunda edição da Lisbon by Design, dedicada ao saber fazer tradicional português, com peças exclusivamente feitas em Portugal. FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR 18 de Maio de 2022 - Portugal, Lisboa, Palacete Gomes Freire. Segunda edição da Lisbon by Design, dedicada ao saber fazer tradicional português, com peças exclusivamente feitas em Portugal. FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR 18 de Maio de 2022 - Portugal, Lisboa, Palacete Gomes Freire. Segunda edição da Lisbon by Design, dedicada ao saber fazer tradicional português, com peças exclusivamente feitas em Portugal. FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR

Algumas das peças presentes. A instalação luminosa da Luumi Handmade, os novos puffs do Estado Bruto, o elogio ao azulejo na Objectismo de Nuno Lopes Cardoso; e as cerâmicas da Flores Textile Studio.

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E de repente, não é preciso sair do lugar para escutar os ecos de natureza. Se acusar cansaço nas pernas, pode mesmo confiar num convidativo repouso graças aos bancos de António — mas cuidado com a louça. “Tenho feito muita coisa para espaços abertos, jardins. Está integrado nas minhas viagens, nas coisas que vi, nas raízes e plantas. O trabalho nem sempre corre como gostamos, mas corre”.

Correr muito, correr mundo. Para a fundadora, não é fácil fechar o elenco de cada edição, com os desafios no processo de scouting. País fora, há pelo menos alguns critérios que foram essenciais para Julie. “A escolha [destes artistas] é o resultado de muito trabalho, é preciso conhecer muita gente. Sou curiosa, gosto de viajar, de visitar os estúdios e ateliers. Fiz uma seleção e quis investir na parte da produção. Algumas pessoas são ótimos artistas mas não estão tão focados no mercado. Vamos receber muitos estrangeiros, nacionais e quero dar a oportunidade de encomendarem peças. Foi importante na minha seleção: estas pessoas deviam ser capazes de vender, de escoar os produtos. Quis talentos já bem conhecidos e nomes novos”.

Na sala vizinha, sob um só projeto, essas duas qualidades casam na perfeição. Por um lado, um inconfundível nome do modernismo português, por outro o sangue novo que, chegado aos 50 anos, decidiu dar fôlego renovado ao atelier paterno, reaproximando criações icónicas do design dos desejos contemporâneos. O splash colorido com que se é recebido bebe das formas trabalhadas pelo mestre Daciano da Costa (1930-2005), sintonizadas com presente e futuro. “Acreditamos que podemos alargar o seu legado e o da cultura portuguesa. Em 2013, decidi que que devia manter o estúdio e estudei a possibilidade de reedições“, recorda Inês Cottinelli, uma das filhas do criador que cruzou fronteiras e registos, entre a arte efémera, a vertente industrial e os grandes projetos de interiores.

Liderando a mais recente encarnação do atelier, os tapetes na parede casam com os tons das cadeiras que se reinventam, entrando em cena outros objetos de menores dimensões. “Por exemplo, temos aqui pela primeira vez a coleção Penta, do hotel Penta, o design gráfico usado em tapetes, dos anos 70; também a coleção Alvor, do hotel Alvor, de que Daciano ficou a cargo das áreas comuns”, apresenta Inês.

É assim que temos em estreia as cadeiras Alvor em tons como verde, laranja e azul, usadas por Daciano quando se inspirou nos barcos dos pescadores. Depois ainda Pratica, um sistema de estantes com cores, numa ponte com o papel que o designer teve no contexto industrial. E por fim ainda uma coleção de cerâmica, para uma incursão no mobiliário mas também na decoração.

18 de Maio de 2022 - Portugal, Lisboa, Palacete Gomes Freire. Segunda edição da Lisbon by Design, dedicada ao saber fazer tradicional português, com peças exclusivamente feitas em Portugal. FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR 18 de Maio de 2022 - Portugal, Lisboa, Palacete Gomes Freire. Segunda edição da Lisbon by Design, dedicada ao saber fazer tradicional português, com peças exclusivamente feitas em Portugal. FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR 18 de Maio de 2022 - Portugal, Lisboa, Palacete Gomes Freire. Segunda edição da Lisbon by Design, dedicada ao saber fazer tradicional português, com peças exclusivamente feitas em Portugal. FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR 18 de Maio de 2022 - Portugal, Lisboa, Palacete Gomes Freire. Segunda edição da Lisbon by Design, dedicada ao saber fazer tradicional português, com peças exclusivamente feitas em Portugal. FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR

Gezo Marques e José Aparício Gonçalves (Oficina Marques); Astrid e Fátima com Helena e Fátima (Passa ao Futuro); António Vasconcelos Lapa; e Inês Cottinelli (Atelier Daciano da Costa)

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A singularidade da estética, o impacto das mesas e aparadores e, claro, o tradicional azulejo ocupam um lugar de relevo na pequena boutique improvisada que replica parte do recheio da galeria Objectismo, do arquiteto Nuno Lopes Cardoso. Enquanto isso, num dos recantos próximos, o Flores Textile Studio convida a uma pausa — seja para testar os originais puffs de cerâmica ou para imaginar o resultado final da sua tapeçaria de sonho. Nada melhor que trocar duas ou mais palavras com Emma Pucci e Valentina Pilia, as fundadoras da loja e showroom instalada na Praça das Flores, em Lisboa, que reproduzem uma confortável sala de estar. “Temos aqui uma tapeçaria com técnica de Arraiolos, com um desenho cheio de símbolos nacionais, e puffs únicos. Também as cerâmicas”. Tudo feito especificamente para esta feira, em parceria com artesãos, sublinha Julie.

Para mais assentos com impacto redobrado (ou quem sabe um candeeiro de mesa?) entre em modo multidisciplinar com os cicerones João Passanha e Hugo Félix, os arquitetos ao leme deste Estado Bruto que aqui apresenta novidades de mobiliário, como o EB12, o Travertino ou o Onix, os nomes dos protagonistas em destaque. “Estamos a apresentar esta nova coleção de candeeiros, é um trabalho gradual. gostamos de desenvolver algumas peças para os nossos projetos de arquitetura. E adoramos colaborações, destaca João”. “Convidamos artistas a trabalhar connosco muitas vezes”, acrescenta Hugo. “No nosso estúdio adoramos combinar peças vintage que colecionamos e as que criamos”. Preferia outra forma? As medidas não encaixam com o pretendido? Sem problema. “Adoramos desenhar diferentes formas de sofás. Se pretender um outro material, outro tipo de mármore, outras dimensões, tudo é personalizável, porque cada casa é irrepetível”, remata.

18 de Maio de 2022 - Portugal, Lisboa, Palacete Gomes Freire. Segunda edição da Lisbon by Design, dedicada ao saber fazer tradicional português, com peças exclusivamente feitas em Portugal. FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR

Julie de Halleux, a mentora do Lisbon by Design.

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Os anos 50 do século XX e a era dourada dessa aliança entre cerâmica, mobiliário e decoração guiam a Lapa Collective, cujas peças de iluminação são também visíveis nas paredes do palacete, mal atacamos o piso superior, vindos do  átrio. Estúdio de design e plataforma de curadoria, foi lançada em 2021 por Cecile Casablancas, que trocou Miami e Nova Iorque por Portugal. É aqui que tem desenhado e produzido peças únicas. “Há muita cerâmica mas também muito têxtil, como o motivo do bordado de Castelo Branco no abajur do candeeiro”, mostra, lembrando ainda as influências vulcânicas, marinhas, e a paisagem e a historia portuguesas neste “cruzamento de influências”.

O trabalho de Cecile encontra-se nesta assoalhada com as peças numeradas e assinadas de Tomaz Viana, que já completou trabalhos para projetos como o restaurante Belcanto, de José Avillez, ou o hotel São Lourenço do Barrocal. Formado na Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva, é no detalhe da marcenaria que mora a perfeição do design e a ambicionada patina, que salta de geração em geração. “Tenho tentado desenvolver o meu design e técnicas, procurando extrair a elegância das peças, de cada encomenda, tudo é aplanado manualmente por mim.”

Ria Formosa, calçada portuguesa e uma passagem para o futuro

Para mais um périplo pelo país, uma descida ao Algarve. “Apanhei estas conchas da praia ao longo de anos com as minhas filha. Um dia tínhamos que fazer algo com isto”, recorda sobre o projeto a curadora Felipa Almeida, que nesta edição da Lisbon by Design colabora com a artista Henriette Arcelin. O ponto de partida é uma pequena montra no centro com o produto de muitas jornadas à beira mar na região sul. O resultado está à vista em toda a sala, espelhando a riqueza artesanal portuguesa, e correspondem à interpretação de Henriette da sua Ria Formosa. Por um lado, a pintura, por outro um tapete de Arraiolos e outro de Portalegre (com alusões à obra de Le Corbusier ou Sonia Delaunay, entre o recurso a mais de uma centena de cores entre milhares de possibilidades, para uma empreitada que chegou a durar 500 horas.), e ainda um painel de azulejaria, fruto da residência de dois meses na fábrica da histórica Viúva Lamego. Destaque também para os pratos de cerâmica criados pela artista Maria Emília Araújo.

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Emma Pucci e Valentina Pilia (Flores Textile Studio), Tomaz Viana, João Passanha e Hugo Félix (Estado Bruto), e Vanessa Barragão.

FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR

Ao lado, faz-se a síntese com outros tempos, aproveitando um saber-fazer que olha de frente para o presente e o que aí vem. Logo à entrada, a cadeira “Pico”, desenhada por Miguel Soeiro manufaturada por Fernando Nelas. Ao fundo da divisória, a “Cama de Ópio” de Marco Sousa Santos. Fatima Azzahra Durkee, que em 2016 fundou a Passa ao Futuro com Astrid Rovisco Suzano, é a guia de serviço. Ao duo empenhado na documentação do artesanato português e na preservação do património cultural intangível, juntam-se Fátima e Helena, que ajudaram a concretizar a manta que pende ao fundo da divisória, e cujo contributo se estende também a uma peça que pode ser vista no recanto da Flores Textile Studio. “Aqui veem o resultado da seleção de peças de várias residências. A ideia é que os designers venham e conheçam os artesãos e que através deste encontro haja uma cooperação. Nunca é chegar com um esboço e pedir para fazerem algo. A experiência da técnica e do material é importante. Entrando no mercado conseguimos valorizar a sua arte e passar às gerações seguintes”, confia Durkee.

Da rua para dentro de portas, do chão para as artes decorativas. Em fevereiro de 2020, a escassa distância da explosão da pandemia em Portugal, Edward Schilling mudou-se de Los Angeles, onde era diretor criativo da galeria Ralph Pucci para Lisboa. De imediato apaixonou-se por um dos ex-líbris da cidade, a calçada portuguesa, algo que “nunca tinha visto aplicado a cerâmica”. Foi assim que nasceu, em colaboração com o ceramista Pedro Pacheco, da Arte Factory, em Nanadouro, a coleção “Pedra”, composta por sete vasos, todos eles ligeiramente diferentes, fruto do trabalho manual.

É tempo de nos despedirmos desta casa e apagar as luzes, mas nada tema porque mesmo desligados os candeeiros Luumi Handmade (feitos quase sempre por encomenda), suspensos no teto, mantêm a sua vocação decorativa e jamais passarão despercebidos. “É a primeira vez que apresento o meu trabalho numa feira. Tentamos usar materiais orgânicos com uma inspiração contemporânea”, resume Helena Imaginário, que divide os crédito com outro eborense, Hélder Cavaca. A lua e a natureza também são referências, bem como o universo vintage. A peça em questão é feita de lã, linho, e, como todos os convidados anteriores, emite luz apropriada ao século XXI.

Lisbon by Design, Rua Gomes Freire, 98, Lisboa. Sábado e domingo, das 10h00 às 18h00.

 
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