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Charles McQuillan/Getty Images

Charles McQuillan/Getty Images

Meghan Markle. Uma afro-americana divorciada na corte de Isabel II /premium

Meghan Markle está prestes a tornar-se a primeira americana a entrar na família real britânica, depois de Wallis Simpson. Quem é a mulher que o príncipe Carlos vai levar ao altar?

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“Quem é a verdadeira Meghan Markle?” parece ser a pergunta a que todos os jornais — não só os britânicos — querem ver respondida por estes dias. Ex-atriz, afro-americana e divorciada. Uma pessoa magnética, hilariante e frontal, que deseja secretamente ser a nova “princesa do povo”, uma “Diana 2.0”. Mulher de carreira, habituada aos holofotes, de sorriso fácil e estilo invejável. Com uma família problemática. Polémica também. São muitas as formas de descrever a futura mulher do príncipe Harry, que durante anos foi um dos solteirões mais cobiçados do mundo. O sexto em linha de sucessão ao trono britânico está prestes a casar e a escolhida é a mulher do momento — em menos de 0,43 segundos, o motor de pesquisa Google encontra mais de 56 milhões de referências na internet associadas ao nome Meghan Markle.

Os estúdios e a “herança mista”

Meghan Markle nasceu a 4 de agosto de 1981, nos Estados Unidos. Filha de Doria Radlan, afro-americana e professora de yoga, e de Thomas W. Markle, realizador de ascendência holandesa e irlandesa, Meghan cresceu em Los Angeles e rapidamente se habituou às luzes das câmaras por causa do pai, que realizou séries como “General Hospital”. O estúdio chegou a ser a sua segunda casa. Ela mesmo o contou à Vanity Fair: “Todos os dias, depois da escola, durante 10 anos, estive no estúdio de ‘Married… with Children’, um sítio muito divertido mas um pouco perverso para uma menina com um uniforme de colégio católico crescer”. Os pais divorciaram-se quando Meghan tinha apenas seis anos e, apesar das controvérsias já protagonizadas pelo pai, continua relativamente próxima de ambos.

A adolescência da ex-atriz é marcada pela escola católica Immaculate Heart High e, como já antes se escreveu no Observador, Meghan deparou-se desde cedo com a discriminação racial. No sétimo ano, um questionário exigiu que escolhesse uma de quatro opções: “branca, preta, hispânica ou asiática”. Markle sentiu-se dividida entre as duas primeiras respostas e acabou por deixar essa parte do questionário em branco. Se fosse hoje, já saberia o que fazer. Não há muito tempo, a futura mulher do príncipe Harry discutiu a sua herança racial num artigo escrito para a revista Elle: “Embora a minha herança mista tenha criado uma zona cinzenta em torno da minha identificação, mantendo-me com um pé em ambos os lados da vedação, aprendi a aceitar isso”.

Aos 18 anos, entrou na Northwestern University, em Evanston, no estado do Illinois. Meghan foi a primeira pessoa da família a ter um curso universitário. E não se ficou por apenas por um. Em vez disso, optou por tirar duas licenciaturas: teatro e relações internacionais. A segunda levou-a até à embaixada dos Estados Unidos na Argentina, onde trabalhou. Anos depois, deu nas vistas durante uma festa e captou a atenção de um agente que lhe abre portas para o mundo da representação. Meghan interpretou personagens negras, caucasianas e hispânicas. No entanto, durante anos, as suas sardas foram alvo de “retoques” sempre que era fotografada.

Ben Birchall - WPA Pool / Getty Images

“Suits”. A série que lhe deu fama

A primeira aparição televisiva de Meghan Markle foi em 2002, quando a jovem atriz participou num episódio da série “General Hospital”, recorda a BBC. Seguiram-se papéis nas séries “CSI”, “Without a Trace” e “Castle” e, mais tarde, participações em alguns filmes com a marca de Hollywood: “É muito rock, meu!”, “Lembra-te de mim” e “Chefes . É também possível encontrá-la numa curta cena de “90210” (baseada na série com o mesmo nome do início dos anos 90), bem como em alguns filmes criados pela empresa norte-americana Hallmark.

https://www.youtube.com/watch?v=ckYCzgtr8MM

A série “Suits” não só levou Meghan para outro país durante vários anos, como lhe trouxe a fama. Meghan Markle, enquanto atriz, é conhecida por interpretar a personagem “Rachel Zane” na série canadiana, que começou em 2011. Este foi também o seu último papel, já que Meghan deixou a carreira, uma notícia que andou de mãos dadas com a informação de que “Rachel” não regressaria para a oitava temporada de “Suits”. Curiosamente, a história da sua personagem culmina com um casamento. Também aqui ela diz “Sim, aceito”.

https://www.youtube.com/watch?v=BPlqf0ld4Ag

O outro casamento

Este não é o primeiro casamento de Meghan Markle, que usou um vestido branco caicai, decotado e adornado por um cinco de brilhantes em tons bege em setembro de 2011, numa cerimónia descontraída que a uniu ao ator, produtor e gestor de talentos Trevor Engelson. Os dois conheceram-se em 2004 e, seis anos depois, ficaram noivos. O casamento — muito ao contrário do que acontecerá no sábado, dia 19 de maio — realizou-se em Ochos Rios, na costa norte da Jamaica, e a celebração terá estado inserida em quatro dias de férias com amigos. A cerimónia em si não terá durado mais do que 15 minutos e terminou na pista de dança.

A anos-luz das tiaras da família real britânica, Markle ficou-se por um discreto fio dourado e uma pulseira no mesmo tom, enquanto o noivo optou por uma camisa e umas calças brancas. Os convidados assumiram a mesma descontração na atitude e no guarda-roupa. Fotografias do casamento, recentemente divulgadas pela imprensa internacional, mostra o então casal e amigos a fazer jogos na areia, uma realidade particularmente distinta do que sucede já este sábado.

O casamento de Meghan com Engelson durou menos de dois anos. Os dois divorciaram-se em agosto de 2013, sendo que a distância é apontada como a grande causa do fim da união. À data, Meghan já filmava a série “Suits”, em Toronto, no Canadá. Trevor escolheu permanecer em Los Angeles.

No mais recente livro assinado por Andrew Morton, o biógrafo da princesa Diana, o autor sugere que Meghan Markle não tem receio de terminar relações e escreve que a ex-atriz da série “Suits” deixou o ex-marido desamparado, acabando inesperadamente a relação — o livro relata que a futura mulher de Harry devolveu por correio a aliança de casamento e o anel de noivado. O ex-marido, por sua vez, está a aproveitar a onda do momento e, depois de um absoluto silêncio sobre a vida privada com Meghan, está a produzir uma sitcom televisiva sobre um homem cuja ex-mulher casa com um membro da realeza britânica.

Christopher Furlong/Getty Images

A família que causa escândalo constantemente

O pai já não a vai levar ao altar. Será o príncipe Carlos a fazê-lo, depois de muita especulação em torno deste detalhe. Thomas Markle esteve para ir ao casamento. Tanto ele como a ex-mulher e mãe de Markle, Doria Ragland, receberam convites formais para o grande dia e tinham determinados papéis a desempenhar, até que Thomas foi apanhado a encenar fotografias para um paparazzi.

Aos 73 anos, o pai da ex-atriz contou ao site TMZ que sofreu um ataque cardíaco, mas que, ainda assim, mantinha a intenção de ir ao casamento. Afinal, Thomas Markle só não vai estar presente no enlace por não querer envergonhar a filha e a família real, ele que já assegurou que nunca quis magoar Meghan quando fez o acordo com um fotógrafo para tirar fotos de si próprio a preparar-se para o casamento. Thomas disse ainda que teve uma razão para o fazer e que o dinheiro não foi o principal motivo — queria apenas melhorar a sua imagem pública.

Esta não é a primeira vez que a família de Meghan Markle a embaraça. Recentemente, o futuro cunhado do príncipe Harry escreveu-lhe uma carta, onde se lia que o melhor mesmo era não casar. “Não é demasiado tarde. A Meghan Markle não é, obviamente, a mulher certa para ti”.

“Faz-me confusão como tu não vês a verdadeira Meghan, que hoje todo o mundo já vê. (…) Que tipo de pessoa é que se aproveita do próprio pai até ele entrar em bancarrota e depois se esquece dele no México, quando está falido, em grande medida por causa das dívidas que ela própria contraiu?”, pergunta-se Thomas, apontando que depois, “quando foi altura de lhe pagar de volta, ela esqueceu-se do próprio pai como se nunca o tivesse conhecido”, lia-se na carta escrita pelo meio-irmão de Meghan, Thomas Markle Jr.

Ainda na passada terça-feira foi notícia que a família de Meghan Markle aterrara no aeroporto de Heathrow, em Londres, mesmo não estando convidada para o casamento. Ao que tudo indica, os Markle vão comentar a cerimónia para um canal americano.

A feminista e o anúncio controverso

Numa altura em que o movimento feminista continua a ganhar força, Meghan Markle é uma feminista que conseguiu lugar na corte da rainha Isabel II, a mulher de 92 anos que dedicou toda a vida à coroa britânica.

“Estou orgulhosa por ser mulher e por ser feminista”, disse num evento organizado pelas Nações Unidas. Em 2015, Markle foi convidada a subir ao palco para falar de igualdade de género. Num discurso muito aplaudido, a ex-atriz recordou como, aos 11 anos, ficou indignada com um anúncio de detergentes da multinacional Procter & Gamble. “Quando tinha apenas 11 anos, sem saber e acidentalmente, tornei-me numa defensora dos direitos das mulheres. Na minha terra natal, em Los Angeles, um momento crucial mudou a minha noção do que é possível. Estava na escola a ver um programa de televisão e apareceu um anúncio com o seguinte slogan: ‘As mulheres de toda a América estão a lutar contra panelas e frigideiras gordurosas'”, recordou.

“Dois rapazes da minha turma disseram: ‘Pois, é aí que as mulheres pertencem, à cozinha’. Lembro-me de me sentir chocada, zangada e muito magoada. Alguma coisa precisava de ser feita. Então, fui para casa e contei ao meu pai o que aconteceu e ele encorajou-me a escrever cartas. Foi o que fiz e escrevi às pessoas mais poderosas de que me lembrei. A minha versão de 11 anos pensou: ‘Se quero mesmo que alguém me oiça, então, vou escrever uma carta à primeira-dama’.” Markle mandou cartas escritas na primeira pessoa para a primeira-dama à época, Hillary Clinton, para a jornalista Linda Ellerbee e para o fabricante em questão. Houve resposta de todos os lados e a fabricante acabou por alterar o slogan discriminatório.

“Mudaram o slogan de ‘Mulheres por toda a América estão a lutar contra panelas e frigideiras gordurosas’ para ‘Pessoas por toda a América’. Foi nesse momento que percebi a magnitude das minhas palavras, com apenas 11 anos”.

No final de fevereiro, já em 2018, Markle aproveitou um evento da Royal Foundation para dar mais fôlego ao movimento feminista. “É interessante que, quando se fala de empoderamento feminino, se diga que é preciso ajudar as mulheres a encontrar uma voz. Não acho que as mulheres tenham de encontrar a sua voz. Acho que já a têm, apenas têm de se sentir empoderadas para a usar”, disse então. Falando ainda dos movimentos “Time’s Up” e “Me Too”, a ex-atriz declarou que se vivem momentos “únicos” e que todos têm de “continuar a apoiar as mulheres”, já que isso pode “fazer uma enorme diferença”.

Chris Jackson/Chris Jackson/Getty Images

A ex-atriz que nunca será princesa

Os príncipes já não se casam com princesas, escreve o El País num artigo apostado em decifrar Meghan Markle. O mesmo jornal, que enfatiza a carreira da ex-atriz, especula que, se estivesse viva, a princesa Diana ficaria orgulhosa da escolha do filho mais novo — a ex-modelo Naomi Campbell pensa o mesmo. Na verdade, Meghan Markle está longe do perfil de mulher idealizado para a monarquia britânica, que nos últimos anos tem sabido modernizar-se e acompanhar a flexibilidade que o século XXI trouxe consigo. Longe vão os tempos das regras rígidas que obrigaram um rei a abdicar da coroa. Sim, porque falar de Meghan Markle é falar também de Wallis Simpson, a americana divorciada que roubou o coração de Henrique VIII e deixou um povo sem monarca.

Andrew Morton, o jornalista que fez a polémica biografia de Diana com recurso a entrevistas exclusivas na primeira pessoa, já disse que “Harry está tão obcecado por Meghan como Henrique estava por Wallis Simpson”. As semelhanças são muitas, mas há uma diferença significativa a assinalar. Se Henrique era o rei, Harry dificilmente o será: é o sexto na linha de sucessão ao trono e, a não ser que uma tragédia terrível se abata sobre a família real, nunca sentirá o peso da coroa britânica.

https://twitter.com/ITJob_NY/status/994694535392313344

Meghan não é a primeira americana a casar com um membro da família real. Tão pouco é a primeira atriz a fazê-lo. Se em 1937 Wallis Simpson casava com Henrique para espanto (e escândalo) de meio mundo, anos depois Grace Kelly contraía matrimónio com Rainier III, príncipe do Mónaco, em abril de 1956. Mas o que em tempos poderia ser inaceitável ou extraordinário é comum: na Noruega, Dinamarca, Suécia e Espanha os herdeiros não estão casados com membros da nobreza. Nem a rainha da Holanda cedeu a essa tentação. O Reino Unido é o próximo a juntar-se à lista. O momento em que a noiva entra de vestido branco na capela St. George, em Windsor, está aí ao virar da esquina.

Apesar do privilégio de se juntar à família real, Meghan Markle nunca será princesa. De acordo com as regras da monarquia britânica, o direito a usar esse título antes de um nome aplica-se apenas aos que nascem na família real. Após o casamento, a ex-atriz norte-americana terá o título “Sua Alteza Real, Princesa Henry de Gales”, que pertence a Harry (o príncipe nasceu Henry Charles Albert David), sendo que é esperado que receba ainda o título de duquesa de Sussex, ducado que está vago desde o século XIX. Os futuros filhos do casal serão “lords” ou “ladies”, mas não príncipes ou princesas, a menos que a rainha intervenha — coisa que aconteceu aquando a primeira gravidez de Kate Middleton. Talvez a rainha também intervenha a favor dos futuros filhos de Harry e Meghan, que casam já a 19 de maio sob o olhar atento de milhões. Não que isso impeça as pessoas e a imprensa internacional de a chamar, carinhosamente, “Princesa Meghan”.

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