O mito começa logo no nome, do qual a própria só terá tido conhecimento por completo aos 82 anos, quando foi fazer um documento de identificação pela primeira vez. Rosa Ramalho nasceu Rosa Barbosa Lopes, a 14 de agosto de 1888. O apelido Ramalho era, na verdade, uma alcunha herdada do pai, que se sentaria muitas vezes à sombra dos ramalhos (ramos frondosos) ao lado de casa, em Galegos de São Martinho, Barcelos. Está no livro Fui eu, quem é que havia de ser?, dedicado a esta figura maior da olaria e da arte popular em Portugal. Uma nova biografia ilustrada que se deparou, antes de mais, com enigmas e contradições.

“As peças são conhecidas, mas a vida da Rosa Ramalho está envolta em mistério”, conta a autora Rita Canas Mendes. “Muita coisa ficou na história oral, e na bibliografia que existe há muitas incoerências. Afinal, quantos filhos teve? Qual foi a feira em que foi descoberta? Não havendo muitos documentos, é fácil transformar em lenda, e a história dela é, de facto, incrível.”

Houve por isso “um trabalho de detetive” para pôr de pé estas 55 páginas, inseridas na coleção Grandes Vidas Portuguesas, editada pela Pato Lógico com a Imprensa Nacional para os primeiros leitores, e com ilustrações de Sebastião Peixoto. A primeira pista levou Rita ao Museu de Olaria de Barcelos, em julho de 2021, onde estava na altura a exposição “Rosa Ramalho, Escolhas de um Colecionador” – até 2 de abril de 2023 na Fundação D. Luís/Palácio da Cidadela de Cascais – e onde estão outras duas dezenas de peças da artista mais famosa do concelho, incluindo as primeiras, “quando ainda não se distinguia dos outros barristas”.

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