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epa08939614 (FILE) US President Donald J. Trump (R) and Brazilian President Jair Bolsonaro (L) walk down the Colonnade to hold a joint news conference in the Rose Garden of the White House in Washington, DC, USA, 19 March 2019. Bolsonaro, a right-wing nationalist who earned the nickname the 'Trump of the Tropics,' met with President Trump for bilateral negotiations and a joint press conference. The presidency of Donald Trump, which records two impeachments, will end at noon on 20 January 2021.  EPA/MICHAEL REYNOLDS *** Local Caption *** 55069012
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MICHAEL REYNOLDS/EPA

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Trump deu "pontapé de saída" para campanha no Brasil. Ameaças foram presente político para Lula ou favorecem Bolsonaro?

Trump ameaçou tarifas em troca do fim do julgamento de Bolsonaro, mas Lula não cedeu. Sentimentos nacionalistas anti-Trump podem beneficiar o PT, mas crise económica pós-tarifas ajudaria Bolsonaro.

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Eleito no final da década de 2010, foi Presidente durante quatro anos, mas falhou a reeleição para um candidato à sua esquerda. Alegou que tinha sido vítima de fraude eleitoral, os seus apoiantes invadiram a sede do poder legislativo e acabou acusado pela Justiça de ter tentado um golpe de Estado. A descrição pode aplicar-se a dois líderes do continente americano: Donald Trump e Jair Bolsonaro. Agora, Bolsonaro tenta repetir uma vez mais a fórmula de Trump: ver-se livre das acusações criminais que pairam sobre ele e conquistar um segundo mandato.

Nesse sentido, o antigo Presidente brasileiro iniciou junto do Presidente norte-americano uma campanha para conseguir o seu apoio na luta contra a justiça. Na segunda-feira, Bolsonaro viu os seus esforços recompensados, depois de Donald Trump ter recorrido às redes sociais para exigir o fim do julgamento, que considerou “uma caça às bruxas”. Dois dias depois, o chefe de Estado norte-americano repetiu a exigência, desta vez, numa carta dirigida ao atual Presidente. Porém, a carta enviada a Lula da Silva não continha apenas essa exigência: no mesmo texto, Trump anunciou a aplicação de taxas de 50% às importações brasileiras.

O líder dos Estados Unidos já tinha enviado cartas para negociar acordos comerciais mais favoráveis a Washington a outros chefes de Estado. Contudo, o texto dirigido a Brasília tinha um tom muito mais político que qualquer outro. No que toca ao Brasil, Trump não exige apenas novos termos nas relações comerciais entre os dois países, mas o fim do julgamento de Bolsonaro e ainda das regras impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a várias redes sociais norte-americanas.

"Politicamente, isto foi um presente para o governo brasileiro, num momento em que a administração está na corda bamba. Isto pode ser um momento-chave, uma reviravolta na campanha no próximo ano."
Responsável anónimo do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Brasil

As ameaças vindas da Casa Branca geraram duas reações muito distintas dentro do Brasil. Bolsonaro agradeceu ao “ilustre Presidente e amigo” por ser um “exemplo de fé e resiliência”, enquanto Lula da Silva firmou uma postura combativa e prometeu uma resposta “de acordo a Lei da Reciprocidade Económica do Brasil”. Segundo a CNN, a resposta de Lula foi a primeira vez que um país ameaçou responder na mesma moeda às tarifas impostas por Trump desde que este regressou à presidência. Pessoas próximas do Presidente brasileiro foram mais longe e mostraram-se confiantes de que um confronto com Trump pode acabar por ser positivo para Lula.

“Politicamente, isto foi um presente para o governo brasileiro, num momento em que a administração está na corda bamba. Isto pode ser um momento-chave, uma reviravolta na campanha no próximo ano”, avaliou um responsável do Ministério dos Negócios Estrangeiros ao Washington Post. Vários analistas brasileiros partilham a opinião de que, se Lula jogar as suas cartas corretamente, poderá aproveitar as ameaças de Trump a seu favor nas urnas.

Mas outras leituras destacam as dificuldades que as tarifas irão, quase inevitavelmente, causar na economia brasileira, algo que o campo bolsonarista poderá utilizar a seu favor nas eleições de 2026. Em ambos os casos, a campanha eleitoral passa a depender de uma terceira pessoa, além dos dois candidatos. “Acho que foi Trump quem deu o pontapé inicial na campanha presidencial brasileira“, resume Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais na Fundação Getulio Vargas, nas suas redes sociais.

Afinidades políticas e redes sociais: os interesses de Trump no Brasil

Em março de 2025, Eduardo Bolsonaro anunciou que tinha tirado uma licença do seu lugar no Congresso brasileiro e que estava a viver nos Estados Unidos, a partir de onde ia passar a trabalhar junto da administração norte-americana para que pedisse amnistia dos acusados pelo Ministério Público brasileiro de envolvimento na tentativa de golpe de Estado e aplicasse sanções a Alexandre de Moraes, juiz do STF e relator do processo. No mês seguinte, em entrevista ao Washington Post, Jair Bolsonaro admitiu que estava à espera de uma reação de Trump sobre o caso uma vez que ele é “muito mais poderoso”.

A tão desejada reação só chegou esta semana, mas o terceiro filho de Jair Bolsonaro não se escusou de colher os louros da sua persuasão junto da administração norte-americana. “A carta do Presidente dos Estados Unidos apenas confirma o sucesso na transmissão daquilo que viemos apresentando com seriedade e responsabilidade”, escreveu, num comunicado enviado aos media brasileiros.

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▲ Bolsonaro e Trump têm uma "fórmula" política semelhante — e bem-sucedida

BRENDAN SMIALOWSKI/AFP via Getty Images

Nas mensagens deixadas esta quarta-feira nas respetivas redes sociais, Bolsonaro (pai) e Trump deixaram elogios mútuos e vincaram a “amizade” que os une e que remonta aos seus primeiros mandatos. Mas o interesse de ambos na sua relação atual parece ir muito além da amizade desinteressada.

O interesse de Bolsonaro é fácil de compreender. Tal como o próprio afirmou, Trump é “mais poderoso”, pelo que o seu pronunciamento sobre o julgamento tem mais peso. Ao mesmo tempo, Trump é a prova de que a “fórmula” que tem seguido é bem-sucedida. Foi por esse mesmo motivo que, em novembro do ano passado, antigos membros da administração bolsonarista celebraram a reeleição de Donald Trump: “Isso anima-nos no Brasil, quem acredita nestas políticas de ideário conservador, até porque mostra que há viabilidade eleitoral nela“, declarava à data Ernesto Araújo, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros de Bolsonaro.

Já o interesse de Donald Trump parece ter mais camadas. Lourival Sant’anna, jornalista e analista da CNN Brasil, considera que existe uma “afinidade muito grande” na esfera política e que o apoio a Bolsonaro permite ao chefe de Estado norte-americano apresentar-se como “um defensor da democracia” e dar “substância à sua causa”. Para além da questão ideológica, Sant’anna destaca ainda a importância das redes sociais. Isto porque a administração norte-americana as utiliza como palco para chegar aos eleitores.

Neste sentido, os bloqueios temporários no Brasil tanto do X de Elon Musk como da Truth Social de Donald Trump — ambos ordenados no passado por Alexandre de Moraes — não foram bem recebidos pelo Presidente, que classificou as medidas como “um ataque insidioso aos Direitos de Liberdade de Expressão Fundamentais dos Americanos” e ainda como “ordens de censura SECRETAS e ILEGAIS”, na sua carta a Lula da Silva. Mas o interesse tem uma terceira camada, a mais visível na carta: os interesses económicos.

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▲ Moraes é responsável pelo processo contra Bolsonaro e o bloqueio do X e da Truth Social no Brasil

AFP via Getty Images

O défice brasileiro que Trump quer “aproveitar” para “pressionar” Brasília

Uma principais traves-mestra da segunda administração Trump são as relações comerciais com a comunidade internacional, que procura moldar através da imposição de tarifas. Mas esta não é a primeira vez que o líder norte-americano recorre a esta ferramenta. No final de 2019, o então ainda Presidente anunciou um aumento das taxas de importação sobre o aço e alumínio brasileiros, para os 25%. À data, o Presidente brasileiro era o seu aliado Bolsonaro, mas a Casa Branca declarou que até “os parceiros têm de seguir as regras do jogo”.

Seis anos depois, a estratégia volta a ser mesma. Na carta a Lula, Trump declara que a relação comercial entre os dois países está “longe de ser recíproca”. A declaração é verdadeira, mas não na direção implicada por Donald Trump. Na verdade, o Brasil teve um défice de 6,8 mil milhões de dólares nas trocas comerciais com os Estados Unidos em 2024, segundo dados dos censos norte-americanos citados pela CNN. Na sua resposta, o chefe de Estado brasileiro acrescenta que as estatísticas dos EUA “mostram um excedente de 140 mil milhões de dólares no comércio de bens e serviços com o Brasil ao longo dos últimos 15 anos”.

Este cenário leva alguns especialistas a declarar que Donald Trump se está meramente a aproveitar de uma questão económica favorável a Washington para pressionar o Brasil a ceder noutros aspetos — aliás, as ameaças ao Brasil tiveram como ponto de partida a mesma carta que foi enviada a outros Estados. “Trump não está fazendo tudo isso porque gosta de Bolsonaro, é uma questão geopolítica. Tem questões de fundo, económicas e está-se aproveitando disso: usar o caso Bolsonaro para pressionar o Brasil”, comentou o jornalista e cientista política Leonardo Sakamoto.

"A melhor atitude seria não responder de maneira política às provocações sendo feitas por Trump nessas questões e tentar procurar abrir uma conversa técnica, porque há nessa carta uma certa abertura à negociação se o Brasil quiser baixar algumas das tarifas aplicadas aos Estados Unidos."
Tony Volpon, antigo diretor do Banco Central do Brasil

No entanto, é este mesmo cenário que leva alguns especialistas a recomendar uma “abordagem estratégica” para lidar com as ameaças de Trump. Neste campo, conta-se o antigo diretor do Banco Central do Brasil, Tony Volpon, que considerou que a situação é “injusta” para o Brasil, mas que a liderança brasileira não deve responder de “maneira emotiva”.

China a 34%, Brasil a 10%: tarifas de Trump não afetaram todos os países da mesma forma. Porquê?

“A melhor atitude seria não responder de maneira política às provocações feitas por Trump nessas questões e tentar procurar abrir uma conversa técnica, porque há nessa carta uma certa abertura à negociação se o Brasil quiser baixar algumas das tarifas aplicadas aos Estados Unidos”, argumentou, em declarações à CNN Brasil. A leitura parte do facto de que, antes de a administração Trump ter desencadeado uma guerra comercial, as tarifas impostas pelo Brasil às importações norte-americanas eram mais altas do que as tarifas de Washington aos produtos brasileiros. Porém, a primeira resposta de Lula parece indicar que Brasília irá fazer exatamente o contrário.

A resposta “nacionalista” a Trump que pode inverter a impopularidade de Lula

“Soberania, respeito e a defesa inabalável dos interesses do povo brasileiro são os valores que guiam a nossa relação com o mundo”. É assim que Lula da Silva termina a mensagem deixada esta quarta-feira nas redes sociais, em resposta à carta enviada por Donald Trump. A declaração faz eco de uma outra declaração, que o Presidente brasileiro fez na segunda-feira, quando afirmou que “o mundo mudou”. “Não queremos imperadores. Somos nações soberanas. Se ele pensa que pode impor tarifas, outros países também têm o direito de impor tarifas“, declarou no encerramento da cimeira dos BRICS, sem mencionar diretamente o homólogo norte-americano.

As declarações de Lula ao longo da semana parecem ditar o tom para a resistência brasileira à pressão económica de Trump. Porém, ainda que uma guerra comercial possa sair cara ao Brasil, o inverso pode acontecer à campanha de reeleição de Lula, apontam especialistas. No mês de junho, as sondagens mostravam uma queda da taxa de aprovação do Presidente para os 28%, ligeiramente do mínimo recorde que alcançou em fevereiro, de 24%. Já a taxa de brasileiros que desaprovam a presidência de Lula chegou aos 40%.

Apesar de ainda ser demasiado cedo para perceber o impacto da postura combativa de Lula nas sondagens, Stephen McFarland, antigo embaixador norte-americano em múltiplos países da América Latina, ressalva que, historicamente, intervenções e pressões estrangeiras, principalmente norte-americanas, estimulam um sentimento nacionalista na região. “Os brasileiros vão ficar extremamente ofendidos — será contraproducente para o que Trump está a tentar fazer comercialmente com o Brasil. Haverá uma reação nacionalista forte que, ironicamente, vai beneficiar Lula, porque será difícil para os oponentes de Lula aplaudirem alguém que está a tentar humilhar o Presidente brasileiro”, avaliou ao Politico.

epa12215743 Brazilian President Luis Inacio Lula da Silva speaks during the opening ceremony of the 10th Annual Meeting of the New Development Bank, at the Fairmont Hotel in Copacabana, Rio de Janeiro, Brazil 04 July 2025.  EPA/ANDRE COELHO

▲ Lula já demonstrara a sua resistência a Trump na cimeira dos BRICS

ANDRE COELHO/EPA

A “ofensa” do povo brasileiro fez-se sentir em pouco tempo. Esta quinta-feira, o perfil de Donald Trump na rede social Instagram chegou a bloquear temporariamente os comentários às suas publicações depois de uma onda de comentários com emojis da bandeira do Brasil e críticas ao Presidente norte-americano. “Quem manda no Brasil somos nós!” e “Brasileiros têm uma regra, não lambemos botas dos americanos!”, pode ler-se entre as centenas de comentários em várias publicações.

Rafael Cortez, cientista político e consultor de risco político, também argumenta que fazer frente a Trump trará recompensas políticas, tomando como exemplo as eleições recentes na Austrália e no Canadá em que os partidos progressistas conseguiram recuperar de desvantagens nas sondagens através da construção de uma campanha anti-Trump. “Quem é adversário de Trump no plano local ganha quando Trump e os demais líderes conservadores se manifestam acerca de temas domésticos“, elabora, à BBC.

No entanto, Cortez reconhece que o efeito no Brasil poderá ser menos intenso, dada a polarização a que o país assiste, fruto da consolidação de um novo grupo de eleitores no campo bolsonarista. Ainda assim, acredita que os votos no centro se irão aproximar de Lula e que isso será suficiente para levar o atual Presidente a uma nova vitória nas urnas. “Ou seja, não é uma revolução, mas é um efeito que pode ser suficiente para reverter [as sondagens]”, vaticina.

[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 8.º e último episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui, o quarto aqui, o quinto aqui, o sexto aqui e o sétimo aqui]

“A culpa é do Lula!”. A narrativa coesa do campo bolsonarista

Donald Trump até pode ter posto a bola a rolar na campanha presidencial brasileira de 2026. “Mas a questão é saber se o governo tem perna para chutar a bola dentro do golo”, declara Creomar de Souza à BBC. O cientista político brasileiro acredita que os ganhos políticos de Lula não são automáticos: o Presidente tem de os saber capitalizar, através de uma “resposta organizada, uníssona” algo que, argumenta, o Partido dos Trabalhadores (PT) não tem sido capaz de fazer com sucesso.

Por oposição, a narrativa do campo bolsonarista parece estar perfeitamente estudada, avançou uma fonte da próxima da família Bolsonaro à CNN Brasil. O primeiro passo foram os agradecimentos do apoio norte-americano a Trump. O segundo são pedidos de retirada das tarifas. Neste sentido, o papel de Eduardo Bolsonaro é visto, novamente, como essencial — e, em último recurso, a sua consolidação como herdeiro do pai fará dele o candidato ideal para a corrida do próximo ano, caso o julgamento do antigo Presidente decorra como previsto e este continue a estar impedido de se recandidatar ao cargo. Neste caso, os Bolsonaro passariam a apresentar-se como “responsáveis por evitar o pior cenário para a indústria”, elaborou a mesma fonte.

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▲ O campo bolsonarista vê em Milei um exemplo a seguir para lidar com Washington

AFP via Getty Images

Mas ainda antes de Jair ou Eduardo se terem pronunciado, um outro Bolsonaro, Flavio, já disparava o primeiro tiro. “Parabéns Lula, você conseguiu ferrar o Brasil!”, escreveu o filho mais velho do antigo Presidente nas redes sociais, numa publicação em que acusou Lula de “anti-patriotismo sem limites” e de ter “raiva dos brasileiros”. Ao longo das horas seguintes, foram várias as publicações que transmitiram o mesmo sentimento: o Presidente, com a sua “bravata” contra Trump, é “culpado” pela aplicação das tarifas.

Já Eduardo Bolsonaro recorreu às redes sociais para não só agradecer a Trump, mas para para pedir ao “povo brasileiro” que também o faça, e Jair Bolsonaro declarou o seu “respeito e admiração pelo Governo dos Estados Unidos”. No entendimento da família, o Presidente norte-americano estar a lutar pela ilibação de Jair Bolsonaro é sinal de que está a lutar pela democracia no Brasil. “Essa caça às bruxas – termo usado pelo próprio presidente Trump – não é apenas contra mim. É contra milhões de brasileiros que lutam por liberdade e se recusam a viver sob a sombra do autoritarismo”, continuou o antigo Presidente numa publicação deixada já na quinta-feira.

A ideia repete-se nas publicações de vários antigos ministros e funcionários da administração Bolsonaro, que acusam Lula de ter posto “a ideologia acima da economia” e lamentam que agora os brasileiros sintam as “consequências” dessa postura combativa.

Para os bolsonaristas, a solução para lidar com as tarifas de Trump está mesmo ao lado, na Argentina, onde o ultraliberal Javier Milei negociou acordos de comércio com Washington. “Argentina, sim, tem um Presidente que luta por seu povo!“, escreveu Flavio Bolsonaro. Se a carta de Trump foi mesmo o pontapé de partida para as eleições brasileiras de 2026, o vencedor poderá estar no campo que conseguir provar como se pode ser “patriota” na relação com Washington: através da resistência desafiadora de Lula ou da colaboração obediente de Bolsonaro?

Notícia atualizada na sexta-feira às 11h30 com as declarações de Jair Bolsonaro e os comentários de brasileiros nas publicações de Donald Trump

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