A pandemia de Covid-19 começou na cidade de Wuhan, na China, em dezembro de 2019. A 2 de março de 2020, a então ministra da Saúde, Marta Temido, anunciou o primeiro caso de Covid-19 em Portugal. Três anos depois continuam a circular nas redes sociais várias teorias sobre a prevenção, combate e transmissão do vírus.

Voltou a ser partilhada recentemente no Facebook uma publicação antiga com a mensagem de um alegado médico infecciologista que revela “um fator importante” para prevenir a infeção por Covid-19: “Beber água de 15 em 15 minutos.” No texto pode ler-se que “manter a garganta sempre húmida” permite que o vírus, quando entra na boca, “desça até ao estômago sendo depois eliminado pelo suco gástrico”. Caso contrário, defende-se na publicação, o vírus pode entrar diretamente nos pulmões e provocar a morte.

Miguel Castanho, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e investigador do Instituto de Medicina Molecular (IMM), em resposta ao Observador, esclarece que a ingestão de água “é importante para manter uma bioquímica e fisiologia corporal equilibrada e saudável”. Mas não existe “qualquer nexo de causa/efeito” entre a frequência com que se bebe água e a maior ou menor probabilidade de infeção por SARS-CoV-2. 

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

O novo coronavírus transmite-se através de pequenas gotículas projetadas pela tosse ou espirros da pessoa infetada. O suco gástrico tem um pH muito ácido, “suficiente para matar algumas bactérias, mas não todas”, acrescenta Miguel Castanho. No entanto, ressalva o especialista, “o SARS-CoV-2 é um vírus e não um bactéria”, não sendo eliminado no estômago, como sugere a publicação.

O professor e investigador do IMM lembra, ainda, que “a forma mais fácil de prevenir a infeção passa pelo uso máscara, evitar proximidade com indivíduos infetados e promover a circulação do ar”, principalmente nos espaços fechados. É portanto errado dizer que beber água de 15 em 15 minutos previne a infeção pelo vírus que dá origem à Covid-19. 

É verdade que beber água contribui para uma vida mais saudável e a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda mesmo aos adultos sedentários a ingestão de 2,2 litros de água por dia (para as mulheres) e 2,9 litros (no caso dos homens). Já os adultos com uma atividade diária particularmente acentuada devem beber 4,5 litros de água por dia. Mas o facto de contribuir para uma melhor condição de saúde não significa que a ingestão de água elimina vírus como o SARS-CoV-2.

Conclusão 

Não existe qualquer indício científico de que a ingestão de água previna a infeção por SARS-CoV-2. A mensagem partilhada nas redes sociais não tem qualquer fundamento ou fonte fidedigna que sustente esta teoria, como disse ao Observador o professor Miguel Castanho.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook

IFCN Badge