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O cenário de “dois papas” no Banco de Portugal (BdP) tem fim à vista. Mário Centeno, ex-governador e atual consultor da administração, assinou um acordo para abandonar o Banco de Portugal e vai reformar-se, uma notícia que foi conhecida na sexta-feira passada. |
Em dezembro, o governador Álvaro Santos Pereira explicou que Centeno estava a gozar de um “período de cooling off“, previsto na lei, após cinco anos à frente do BdP. Um ‘arrefecer’ que agora se transformou em algo diferente, com Mário Centeno, de 59 anos, a assinar um acordo para uma reforma antecipada. O antigo governador, quadro do Banco de Portugal desde 1995, teve 20 anos de trabalho efetivo nesta entidade — 15 anos como economista e cinco como governador. Mas, ao que o Observador apurou, terão contado quase 35 anos para o cálculo da reforma. |
“A aposentação é uma questão administrativa”, desdramatizou Centeno em entrevista ao Diário de Notícias. O ex-governador está de partida, mas não quer ficar parado. Afirmou que o “futuro está em aberto”, mas que pretende “continuar a pensar e a trabalhar exatamente como fazia antes”. “Aliás, a melhor demonstração disso é exatamente estar aqui, nos Estados Unidos, na universidade. Portanto, assim vai continuar”, disse a partir de Miami, nos EUA. |
Deste lado do Atlântico, a reforma de Centeno promete continuar a ser tema de conversa nos próximos tempos. O Parlamento aprovou esta quarta-feira uma audição a Álvaro Santos Pereira a propósito da reforma do antecessor, um requerimento apresentado pelo Chega. |
A (outra) reforma. Negociações do pacote laboral tiveram “atitude diferente”, mas ainda há “muita pedra a partir” |
Há exatamente uma semana foi anunciada uma reunião entre a ministra do Trabalho, as confederações patronais e a UGT. Uma reviravolta que ressuscitou as conversações sobre o pacote laboral. |
Terminada a reunião, logo na segunda-feira, a UGT declarou que o Governo adotou uma “atitude diferente” e falou em “vontade de todas as partes” negociarem. Um cenário bem diferente da semana anterior. |
Ainda assim, nem todos ficaram satisfeitos. A CGPT até levou manifestantes para o Ministério do Trabalho, mas continuou sem lugar à mesa de conversações. Tiago Oliveira, secretário-geral da CGPT, queixou-se de ser recebido por “assessores”, assegurando que a confederação “não se está a pôr à margem, está a ser afastada”. |
O primeiro-ministro foi questionado, no debate quinzenal, sobre a ausência da CGTP. “Não excluímos ninguém da negociação da legislação laboral, mas também não fazemos exercícios de cinismo negocial.” Montenegro falou sobre “posições negociais que são de tal maneira tão inconciliáveis que não devem ter sequência”. E reiterou que o Governo “fará tudo, mesmo tudo, esgotará todas as possibilidades” para haver um acordo na concertação social. |
Mais apoios para enfrentar escalada dos preços dos combustíveis, IVA Zero não é para já |
Passaram duas semanas desde que os ataques ao Irão adicionaram uma camada de instabilidade à situação já tensa no Médio Oriente. Mantém-se o bloqueio do Estreio de Ormuz, uma via marítima crucial para o petróleo e gás. No fim da semana passada, o Governo anunciou mais uma descida do imposto petrolífero, numa tentativa de mitigar os aumentos dos combustíveis no arranque desta semana. |
O tema da subida dos preços marcou a agenda desta quarta-feira no Parlamento. Luís Montenegro foi ao debate quinzenal, durante a tarde, para transmitir que a situação tem de ser gerida com “equilíbrio e sentido de responsabilidade” e anunciar apoios, como o aumento da comparticipação da botija de gás solidária e reembolsos no gasóleo profissional. |
Na botija solidária, o valor de apoio aumenta dez euros, passando para os 25 euros nos próximos três meses. Maria da Graça Carvalho, a ministra do Ambiente, já tinha admitido a possibilidade de aumentar este apoio às famílias. |
O primeiro-ministro anunciou ainda um mecanismo extraordinário para o gasóleo profissional, num desconto adicional sob a forma de reembolso de dez cêntimos por litro, também durante os próximos três meses. A medida é dirigida às transportadoras de passageiros e de mercadorias, com um limite de 15 mil litros por veículo. Ficou ainda a promessa de uma terceira medida para limitar os preços em situação de crise energética. Luís Montenegro explicou que está a ser preparada e que será levada ao Conselho de Ministros desta quinta-feira. |
Antes do anúncio do primeiro-ministro, Manuel Castro Almeida, na audição regimental, explicou que o executivo está “atento e vigilante” à subida de preços. Mas, no que toca ao consumo, afastou o regresso de medidas para o cabaz alimentar, como a aplicação do IVA Zero. É uma “boa possibilidade em certas circunstâncias”, como foi o caso da guerra na Ucrânia. Mas o Governo afasta, para já, recorrer à medida. |
Castro Almeida disse durante a audição que as duas semanas de conflito ainda não representam tempo suficiente para que se verifiquem alterações estruturais na economia portuguesa. Uma ideia que já tinha referido em entrevista ao Observador. |

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A EMPRESA |
Tem 12 fábricas em Portugal e Espanha, fatura mais de mil milhões de euros e emprega mais de 2.500 pessoas. É de lá que sai a marca mais vendida pelo retalho alimentar em Portugal. “A Mimosa vende mais do que a Coca Cola”, diz a administração da Lactogal. A celebrar 30 anos, a dona não só da Mimosa como também de marcas como a Vigor ou Matinal, vive um momento de transformação. Há três décadas, quando foi criada através da fusão de três cooperativas rivais, todo o leite transformado nas fábricas do grupo era vendido como leite líquido. Desde então, o mercado mudou tanto que esse valor caiu para metade. |
Hoje, a Lactogal investe 50 milhões de euros por ano na transformação da sua indústria, para que possa produzir, por exemplo, leite e proteínas em pó, um mercado em franca expansão. O grupo é líder na produção de leite, bebidas lácteas, natas e manteiga. Mas com o “novo ciclo”, que já leva três anos e 150 milhões de euros de investimento, a Lactogal quer agarrar uma parte do mercado que ainda não domina: a produção de queijo e iogurtes. Para isso, já comprou a centenária marca de queijos Santiago e firmou uma parceria com um grupo espanhol. Este ano, o maior desafio será superar a ‘invasão’ de produtos importados, nomeadamente queijo e manteiga. São sobretudo ‘made in USA’ e chegam a preços tão baixos que estão a causar “uma das maiores crises” que o setor do leite já viu. |
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