Após mais de 2 meses de bloqueio da nossa economia, devido às necessárias medidas de contenção da contaminação da Covid-19, parece que começamos a tentar recuperar a atividade no nosso país. É uma grande notícia!

De modo a recuperar a atividade comercial, e tentar ainda “salvar” o ano (ou até mesmo a sua existência), as empresas precisam de manter e reforçar todas as suas ferramentas de gestão de risco, nomeadamente no que se refere ao Seguro de Crédito. Esta ferramenta é um apoio fundamental à economia circular onde vivemos, sendo necessária para as exportações, mas também para o mercado interno.

No entanto, nas últimas semanas assistimos a uma forte redução de limites concedidos por parte das Seguradoras de Crédito, estando também elas a implementar o seu plano de contingência. Mas ainda não assistimos a uma reação por parte do Estado.

O pacote de apoio europeu que deverá ser reforçado com €15.000 milhões de apoio a fundo perdido à recuperação económica, virá complementar o apoio já existente à liquidez das empresas através de financiamento. Serão muito boas notícias, sobretudo quando comparamos com a reação dos Estados na anterior crise financeira. No entanto, continuamos sem ter, em Portugal, um apoio ao Seguro de Crédito, complementando a capacidade das Seguradoras de Crédito, com transferência de risco para o Estado.

Infelizmente, neste aspeto, não comparamos bem com o resto da Europa, em que vários países já atuaram. A título de exemplo, podemos destacar as medidas implementadas pela Alemanha no passado dia 2 de abril, através de um instrumento de resseguro prestado pelo Estado às Seguradoras de Crédito, em que este assume 65% dos potenciais prejuízos até €500 milhões e 100% a partir de desse montante, com um limite máximo de €30.000 milhões.

A contrapartida para o Estado Alemão é receber 65% dos prémios de seguro, e o objetivo desta intervenção é assegurar a permanência dos limites de crédito atribuídos pelas seguradoras, tanto para mercado interno como internacionais, evitando problemas de liquidez das empresas.

Estamos a falar de medidas tomadas há dois meses atrás, o que, numa situação de emergência económica como a que vivemos, é muito tempo. Logicamente que os valores em causa se aplicam à Alemanha, pelo que, para Portugal, os valores seriam sempre outros.

Pelas informações que obtivemos (até à data de preparação deste artigo), o Governo decidiu, há cerca de um mês, dedicar €1.000 milhões a este tema, mas continua em negociações com as seguradoras sobre a forma de aplicar este montante. O valor em causa não é elevado, mas seria um começo de apoio ao Seguro de Crédito e uma ferramenta crucial para a economia local e uma alavanca de competitividade para os exportadores.

Hoje, as empresas portuguesas já estão em desvantagem, quando comparadas com a maioria das suas congéneres europeias, uma vez que estas têm o apoio de seguro de crédito nas suas vendas para Portugal, e vão continuar enquanto o Governo não tomar decisões definitivas sobre este tema em concreto.

Se o tempo muitas vezes é solução para os problemas, neste caso é um inimigo e não joga a favor das empresas. É urgente e imperativo encontrar soluções que acautelem problemas futuros, uma vez que a previsão de falências na economia vai continuar a aumentar.