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A campanha do PSD-Oeiras, liderada por Alexandre Poço, é sintomática de um partido intimidado pela capacidade agregadora dos movimentos independentes ao nível dos votantes de Direita – mas mostra uma tendência pior e inédita em Portugal: a visão (e a descredibilização) da política como arte circense.

Alexandre Poço tem sido um nome mediático nestes últimos dias. Com uma campanha arrojada, diferente e que procura atividades radicais e referências a filmes jovens, o social-democrata conseguiu transpor uma barreira que confina, cada vez mais, os políticos à política e que tem sido protagonista e alvo de aplausos e críticas. O tipo de campanha que tem levado a cabo, apesar de única, não é, a meu ver, positiva – uma alternativa credível à liderança de Isaltino Morais, e ao seu movimento independente IN-OV (Inovar Oeiras de Volta), e ao movimento IOMAF (Independentes Oeiras Mais à Frente) liderado por Vistas terá, invariavelmente, de passar por cativar um eleitorado mais à direita desiludido com o passado pouco brilhante do atual autarca de Oeiras e desiludido com o mandato insípido e desinspirado de Vistas. Esta alternativa, defendo, tem de ser criada com maturidade, credibilidade e apresentação de propostas sérias, não com a transformação do cenário político numa arte quase circense, digna de performances de profissionais da área.

Na moldura de tempo relativamente pequena em que acompanho a política de forma mais séria, não me recordo de uma candidatura deste tipo que tenha alcançado tanto mediatismo e controvérsia – e isso não é uma coisa nefasta per se. O verdadeiro dano chega quando se tenta alcançar uma população jovem (ou nem tanto) que já desencantada com a política tende a ridicularizá-la quando a vê nestes moldes. Mais do que eventuais estratégias para captar eleitorado, penso que a política tem de passar uma imagem de seriedade, de maturidade e de competência que tem de ser reconhecida na sociedade civil. Num relato de vida de Cícero, dizia-se que “à mulher de César não basta sê-lo, há que parecê-lo”. Na política, a presença da competência e da seriedade têm, também, de fazer transparecer estes valores junto do eleitorado.

Tiririca foi eleito deputado federal no Brasil em 2011, pela primeira vez, assente num discurso descomprometido, divertido e com um jargão que se veio a provar falso (não por culpa do próprio) – “Pior que está não fica, vote Tiririca”, “O que é que faz um deputado federal? Na realidade, eu não sei. Mas vote em mim que eu te conto”. Em Portugal, Poço parece também aproximar a sua estratégia política a este estilo utilizado pelo humorista e cantor brasileiro, numa tentativa de modernismo que, a meu ver, só o distancia do seu verdadeiro objetivo.

É legítima a opção do PSD – o resultado desinspirador de Ângelo Pereira em 2017 levava à necessidade de tentar algo diferente e inovador. Mas esta visão de uma política que se aproxima quase de uma anedota ou de um show não será a melhor solução para conquistar o eleitor desinteressado e desencorajado pela política. Pelo contrário, descredibiliza-a numa época em que os eleitores nutrem um desprezo cada vez maior por ela. Só as urnas conseguirão responder ao candidato e à sua estratégia. A mim, parece-me que serão perentórias.

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