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Recuar 10 anos, até ao dia em que o primeiro-ministro José Sócrates oficializou o pedido de resgate financeiro à troika, é um exercício revelador. O distanciamento temporal permite-nos perceber que esse governo socialista fez muito mais do que falir as contas nacionais: introduziu, em Portugal, uma nova forma de fazer política, suportada em factos alternativos, pós-verdades, narrativas e outras designações novilíngua para legitimar o uso reiterado de mentiras. E, apesar da distância que nos separa desses tempos, onde os tentáculos do poder até chegaram à comunicação social, é admirável constatar que, ainda hoje, esse legado da mentira como instrumento político se colou à pele dos socialistas.

Não vou perder tempo a ilustrar o ponto com mentiras proferidas por José Sócrates. Precisaria de mais páginas do que as do processo Operação Marquês. Mas há uma mentira de que nunca me esqueço e que, nestes 10 anos desde a troika, vem a propósito recordar. Em Fevereiro de 2011, a dois meses de solicitar o resgate financeiro, José Sócrates anunciou gloriosamente que Portugal havia sido dos países que melhor havia saído da crise económica de 2009. Ou seja, a narrativa vigente informava que éramos os campeões da recuperação económica pós-crise. Semanas depois, o FMI aterrou em Lisboa.

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