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Imaginem uma ida ao mercado em que alguém coloca várias questões a um vendedor sobre as laranjas na sua banca para além do preço.

  • Que técnicas foram usadas no seu cultivo?
  • Qual o seu valor nutricional?
  • Quais os benefícios do consumo destas laranjas? E em que diferem dos das outras bancas?
  • A quem já venderam estas laranjas que possa comprovar esses benefícios?
  • Posso levar uma laranja de oferta para comprovar os benefícios e depois, eventualmente, voltar para comprar e com desconto?

Todas estas questões, legítimas mas inusitadas num mercado de bairro, traduzem os desafios do dia-a-dia da relação cliente-fornecedor no mundo atual das tecnologias de informação, com a devida adaptação de contexto. Numa realidade com níveis de exigência elevados e competição acérrima, as empresas procuram fornecedores que entreguem soluções tecnológicas inovadoras que lhes tragam impacto e diferenciação nos negócios. As soluções estarão bem posicionadas para gerar impacto se comprovadamente contribuírem para um ou mais benefícios da típica tríade: serviço de excelência, redução de custos e aumento da receita.

A inovação tecnológica dos últimos anos, em especial o desenvolvimento de inteligência artificial e aprendizagem automática, já torna possível a criação de soluções cognitivas robustas para grande parte dos problemas atuais das empresas. Estas soluções são capazes de gerar insights em milissegundos, correlacionando múltiplas fontes de dados, e automatizar ações através de sistemas autónomos de decisão. Apresentam ainda uma elevada abrangência, podendo ser aplicadas a uma miríade de problemas distintos, desde redes inteligentes com tecnologia 5G a marketing personalizado.

A sofisticação tecnológica atual permite a criação de soluções inovadoras com elevado potencial para a criação de valor de negócio, mas será suficiente para garantir o tão almejado impacto? Como definir e medir o impacto na adoção de uma solução? A mesma solução tecnológica terá o mesmo impacto em duas empresas com culturas diferentes?

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Na era dos dados em que vivemos, as soluções podem e devem apresentar indicadores de negócio eperformance que ajudem a perceber o alinhamento com as expetativas de negócio e a sua evolução ao longo do tempo. O físico William Thomson já afirmava que “o que não se pode medir, não se pode melhorar”. Não obstante, as métricas de uma qualquer solução tecnológica serão sempre incompletas, contando apenas uma parte da história à qual falta o devido contexto para compreender porque foi um sucesso numa dada empresa e um insucesso numa outra. O impacto da tecnologia vai muito mais além da capacidade técnica de uma solução e esta consciencialização é crucial para que as empresas se adaptem à vertiginosa evolução digital da sociedade.

Apesar de não haver uma receita única para a criação de soluções e negócios de impacto, a cultura é um fator intrínseco a cada empresa que não pode ser descurado. Na verdade, os executivos devem abordar os processos de transformação cultural com o mesmo rigor e como parte integrante de qualquer estratégia de criação de valor de negócio. Ter uma cultura sólida, capaz de aceitar riscos, evoluir e adaptar-se a soluções inovadoras com medição de resultados contínuos é o cenário ideal para quem ambiciona o desenvolvimento de negócios com grande impacto.

O futuro pertence àqueles que preparam e apoiam os seus colaboradores na adoção de soluções inovadoras e na transição para novas formas de trabalhar. O futuro é de quem envolve ativamente as suas equipas e procura positivamente influenciar o seu comportamento para que qualquer solução tecnológica seja efetivamente usada e realize todos os benefícios esperados.

E as laranjas?

As laranjas são um dos frutos mais populares do planeta, que podem aparentar muitas semelhanças mas ter grandes diferenças entre os vários tipos para diferentes aplicações e consumidores. Tipos de laranja mais doces e sem acidez são indicados para consumo de forma natural ou em sumo por crianças e idosos. As de sabor mais amargo são mais usadas em compotas e geleias. Tal como nas soluções de tecnologias de informação, conhecer o consumidor para otimizar o produto de acordo com as suas necessidades, informar os seus benefícios e preparar a sua utilização é essencial para garantir o melhor impacto.

O Observador associa-se à comunidade Portuguese Women in Tech para dar voz às mulheres que compõem o ecossistema tecnológico português. O artigo representa a opinião pessoal do autor enquadrada nos valores da comunidade.