Primeiro atentado

Esta semana foi votada – e chumbada com os votos contra de PS, PCP e CDS (BE, PSD e PAN votaram favoravelmente – palmas!) – a atribuição de estatuto de vítima especialmente vulnerável da violência doméstica às crianças que, em sua casa, a presenciam. Bom, é sabida a tendência dos partidos legislarem em favor das suas clientelas eleitorais. Ora as crianças não votam. E, se ficarem demasiado danificadas, calhando tornam-se abstencionistas, que sorte. Também não têm mecanismos para, por si próprias, agitar a opinião pública. Donde, são particularmente atreitas e verem os seus direitos atropelados, ignorados, ofendidos. Donde, mais uma vez (na verdade, duas) no parlamento disseram ‘que se lixem as crianças’. (Antes as crianças que as eleições, aparentemente.)

Não vou fazer grandes argumentações sobre a necessidade de proteger de forma militante as crianças das casas onde se praticam crimes de violência doméstica. Nelson Nunes, por exemplo, que escreveu o livro Preciosa baseando-se na sua experiência de filho de um pai que agredia continuadamente a Mãe, dá uma ideia a quem o segue do que é viver a violência doméstica e as suas consequências.

Paula Sequeira, da Associação Dignidade, também aqui alude aos efeitos nas crianças e explica, de modo sucinto, o que se pretendia com a alteração da lei.

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