Ainda agora começou o ano e já promete mais do que o 11 de candidatos às eleições para Presidente. Logo a abrir 2026, tumba, uma demonstração impressionante de poderio militar. Já para não falar na operação dos Estados Unidos para sacar o Maduro da Venezuela, que demonstrou um arsenal bélico quase tão impressionante como o exibido por aqueles convivas que dispararam armas de guerra no meio de Lisboa na noite de passagem de ano. Se calha o ditador venezuelano, em vez de ter ido recrutar guarda-costas a Cuba, ter vindo buscá-los aos Olivais e a esta hora a unidade de elite dos EUA, Força Delta, já só era extraída de Caracas com a ajuda do Chuck Norris.

A propósito da boleia para longe da Venezuela que os americanos deram ao Maduro e de eleições presidenciais: há algum site ou assim, onde um grupo de malta que se reúna possa requisitar ao Trump uma destas recolhas de péssimos políticos? Era coisa para ter sucesso. Uma espécie de Uber Eats, mas que em vez de trazer comida a casa levava “estadistas” para fora. Não era Uber Eats, era Uber Outs, por exemplo. Fica a ideia, à atenção do efervescente universo do empreendedorismo português, que faz de qualquer garagem uma s tecnológica. Menos as garagens nos Olivais. Dessas fazem-se alvos para disparos de armas de guerra, suponho.

Apesar de tudo, precipito-me no criticismo. Esta é uma péssima semana para insinuar uma proliferação de políticos lamentáveis em Portugal. É que o Bloco de Esquerda escolheu um novo líder perfeito, nomeadamente para fazer a transição da liderança de Mariana Mortágua. Acerca desta apanha do Maduro, disse José Manuel Pureza tratar-se de “uma operação estilo faroeste completamente condenável”. No extremo oposto, portanto, da operação estilo Médio Oriente da flotilha do Hamas, essa extremamente louvável. Está visto que não será por este Pureza que o Bloco perderá qualquer voto junto do seu eleitorado tipo Catarina Martins, que experimenta intumescimentos à simples menção de qualquer ditador impiedoso.

Quem segue como que indiferente às tomadas de posição do Bloco de Esquerda é Donald Trump, que insiste em fazer aquilo que continua a deixar tantos e tantos políticos e meios de comunicação social portugueses num ping-pong entre o atónito e o histérico: então não é que o homem teima em governar o seu país de acordo com os interesses do seu país?! Onde é que já se viu isto? Custava-lhe alguma coisa ter ali “à porta de casa” um regime ilegítimo e criminoso apostado no narcotráfico para os EUA, que dispensava petróleo em barda ao seu maior rival político apostado numa invasão de Taiwan e que dava guarida a toda a sorte de bombista apostado em espalhar o terror pelo mundo? Aposto que também consideram ser muita picuinhice.

Este imperialismo à la Trump faz dói-dói a imensa gente, certo? É malta que prefere o novo imperialismo chinês, não é? Ou talvez a volta do imperialismo russo. O imperialismo alemão também deu óptimas provas! E o japonês?! Ui, foi tão fofinho. É como diz o ditado: China, Rússia, Hamas e FARC na Venezuela dos outros é refresco.

Entretanto, se não gostam do imperialismo americano, não comam as batatas e agradeçam aos líderes que elegemos — ou seja, agradeçamos a todos nós! — para despenhar a Europa no mais fundo buraco da patética insignificância estratégica. E, de caminho, acendam uma velinha para sairmos desta embrulhada como um novo quintal dos EUA. Diz que na Alemanha, Japão e Coreia de Sul do pós-Segunda Guerra Mundial não correu pessimamente. A não ser, claro, que sejam fãs de uma qualquer Catarina Martins. E aí nem pensar em sermos um quintal dos EUA. Aí preferem de certeza sermos o WC da Rússia e China.